Empresa que arrematou Brinco de Ouro pode construir nova arena para o Guarani

A novela entre o Brinco de Ouro, o Guarani e a Maxion Empreendimentos ganhou mais um capítulo decisivo na tarde desta quinta-feira. Em reunião de conciliação na Justiça do Trabalho, com a juíza Ana Cláudia Torres Vianna e o advogado da empresa, Dárcio Vieira, a Maxion se propôs a fazer um novo estádio para o clube, além dos valores que seriam pagos no leilão.

Estadão Conteúdo

23 de abril de 2015 | 20h33

Após a reunião, a juíza garantiu que o diálogo foi bem produtivo e a Maxion se mostrou interessada em fazer uma nova proposta. Antes disto, a empresa se comprometera a se reunir com dirigentes do Guarani para explicar a ideia de erguer uma nova arena na cidade de Campinas. Detalhes de local e valor ainda não foram apresentados.

Ainda segundo a magistrada, a Maxion teria pedido um prazo de 20 dias para avançar nos diálogos com o Guarani sem que a Justiça tome qualquer medida. Mostrando-se bastante animada com a solução, ela informou que as três partes irão trabalhar juntas pelo bem do clube.

Com a promessa de "diálogo com o Conselho e a Diretoria do clube", a empresa de origem gaúcha garante que não irá desapropriar o time, independentemente da construção de uma nova arena ou não. O grupo pretende permitir que o Guarani continue usando o Brinco, até que consiga se estabelecer em uma nova casa.

ENTENDA O CASO - No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista - algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer oferta.

O terreno do estádio - a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.

No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.

Agora, a empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utilizar o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.

No início do mês, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município.

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