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Antero Greco
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Encomendar as faixas

Duas semanas atrás, havia aqui a sugestão para o Corinthians sondar o preço do chope. Dias atrás, a dica para ver o valor de salgadinhos para a festa do título. Agora, sem nenhum comedimento ou pudor politicamente correto, fica a recomendação para contratar local para a comemoração e encomendar as faixas. Pois não tem jeito: só se houver sucessão improvável de desastres, Tite e rapazes verão escapar o hexa no Brasileiro.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2015 | 03h00

As evidências são óbvias e gritam: o líder sobra no campeonato. Não só faz a parte que lhe cabe – e com eficiência cada vez mais refinada –, como provaram os 4 a 1 de ontem sobre o Atlético-PR. Além disso, os concorrentes contribuem com trapalhadas generosas, como a surra do Atlético-MG para o Sport (4 a 1 no Recife) ou a inacreditável virada de 3 a 2 que o Grêmio tomou da Chapecoense, em casa, depois de abrir 2 a 0 no placar.

O abismo nos números aumentou, pois o Corinthians saltou para 67 pontos ganhos, enquanto o Atlético estagnou nos 59 e o Grêmio emperrou em 55. Quer dizer, tem oito a mais sobre o vice-líder, 12 pra cima do terceiro colocado e com sete rodadas para o encerramento. Mais do que algarismos, frios e sem alma, conta o momento de cada um. E o dos alvinegros é de encanto, de afinação impecável, de arrancar aplausos até dos virtuoses da Sinfônica de Berlim, famosa pelo grau de perfeição.

A superioridade corintiana marcou presença na Arena da Baixada e ignorou a força do Furacão. A tática, repetida em outras ocasiões de risco, foi a mesma: liquidar com o desafio o mais rapidamente possível. Dessa vez, foi necessária meia hora, período para construir os gols de Renato Augusto (aos 16) e Vágner Love (30). Para não deixar margem a dúvidas, Renato Augusto fez o terceiro aos 46. Sabe como é? Só para reafirmar quem manda.

Com a força máxima reunida de novo (recuperados, descansados, gente que voltou da seleção), o segundo tempo teve o sossego das belas tardes de domingo de Curitiba. Os corintianos deixaram o tempo correr sem pressa, nem se abalaram com o gol de Bruno Mota aos 11 minutos. Com a bola a rolar de pé em pé, sem espaços vazios, com movimentação constante, chegou ao quarto, de novo com Vágner Love, até então visto como o único a destoar por esbanjar chances perdidas. Vá lá que estava com a cabeça na banheira; no entanto, àquela altura o Furacão estava sob controle total.

A segurança faz com que o Corinthians não se encolha, independentemente de onde se apresente. Todos sabem o que fazer, e como, e fazem bem. O quarteto Ralf, Elias, Renato Augusto, Jadson desmonta retrancas, põe por terra ameaças de reação dos rivais. Não é por acaso que tem o melhor ataque e a defesa menos vazada. São fatos incontestáveis, nem a mais fantasiosa teoria da conspiração desmonta os méritos na arrancada. Vai, Corinthians? O grito de guerra vem a calhar.

Mais choro? O Vasco não teve muito do que reclamar, no empate por 2 a 2 com o São Paulo, no Morumbi. Depois de Eurico Miranda estrilar a respeito de complô, a equipe dele teve pênalti mandrake a favor. Não só o juiz deu a falta como expulsou o são-paulino Matheus Reis, no final do primeiro tempo. Ainda assim, os vascaínos lamentaram a vista grossa do árbitro Dewson Freitas em lance de bola na mão do zagueiro Luiz Eduardo no segundo tempo. Quem está em baixa sempre lamenta algo.

O Vasco merecia sorte generosa, porque jogou com mais intensidade do que o São Paulo. Foi surpreendido com gol a um minuto, reagiu, equilibrou, empatou e virou. Não aguentou a pressão final, tomou o segundo e segue na lanterna. O São Paulo ficou a dever futebol melhor.

Santos atrevido. A moçada de Dorival Júnior anda abusada. Lascou 3 a 0 no Goiás no primeiro tempo, repousou no segundo (nem se abalou com o gol alviverde) e mostra estar em grande forma para os choques com o São Paulo pelas semifinais da Copa do Brasil. Vai fazer barulho. 

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