Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Encostados do São Paulo custam quase R$ 1 milhão por mês

Tricolor tem jogadores que não são utilizados e recebem altos salários

Fernando Faro, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2014 | 05h03

SÃO PAULO - A folha salarial do São Paulo gira em torno de R$7 milhões por mês e está entre as mais altas do país, mas uma parte considerável desse montante é gasto com jogadores de renome que estão encostados e sem prestígio com Muricy Ramalho. Fabrício, Clemente Rodriguez, Denilson, João Filipe e Cortez somam quase R$1 milhão em vencimentos e dificilmente voltarão a defender o clube apesar do elenco ser considerado pequeno.

Denilson foi o último a entrar na vala dos descartáveis. Ele já não foi relacionado por Muricy Ramalho nos últimos jogos e a diretoria procura interessados para negociá-lo ou envolvê-lo em alguma troca. Apesar de considerá-lo acomodado desde o início de 2013, Juvenal Juvêncio acabou renovando seu contrato até o fim de 2017 por cerca de R$300 mil mensais após ser pressionado pelo então técnico Ney Franco e Adalberto Baptista, à época diretor de futebol.

O ex-homem forte do presidente, por sinal, ainda é apontado até mesmo por membros da diretoria como responsável direto pelas contratações equivocadas e caras. Foi dele a ideia de trazer Clemente Rodríguez para o Morumbi apesar do argentino estar encostado no Boca Juniors. O clube assinou por dois anos por um salário de R$130 mil e ele participou de três jogos desde que chegou, em junho do ano passado. Seu desprestígio é tamanho que Muricy muitas vezes sequer o escala nos treinos entre reservas e chegou a improvisar Lucas Evangelista na lateral para não utilizá-lo.

Quem vive situação semelhante é Fabrício. Contratado para ser um dos líderes do elenco, ele sofreu com uma série de lesões e chegou a ser afastado por Ney Franco por ser "má influência". Ganhou chances na curta passagem de Paulo Autuori, mas voltou a ser encostado por Muricy. O atleta tem vínculo até esse fim de ano e chegou a receber propostas, mas ninguém se dispôs a pagar o salário de quase R$200 mil.

João Filipe é apontado como outro erro crasso de avaliação. Contratado por empréstimo do Botafogo em 2011, ganhou um contrato de R$90 mil mensais por cinco temporadas e atualmente nem com os companheiros treina. Já Cortez custou R$8 milhões e já foi descartado publicamente por Juvenal; o Benfica acertou seu empréstimo no ano passado e continua pagando seus salários (R$180 mil) até julho apesar de já ter sido dispensado da equipe portuguesa. O Tricolor tenta negociá-lo com o exterior.

TIROTEIO

A situação só não é mais dramática porque o clube conseguiu enfim se livrar de Lúcio, que recebeu R$3 milhões durante seu afastamento de seis meses por ter levado ao CT um preparador físico particular sem autorização, mas a situação não escapa de ácidas críticas da oposição.

"Isso é uma bagunça. Contrata, "descontrata", empresta, afasta, manda embora. Ninguém explica o que fazem lá. É por isso que o Marco Aurélio (Cunha) será meu vice de futebol. Chega de amadores", afirmou o candidato oposicionista à presidência, Kalil Rocha Abdalla. Para a diretoria, no entanto, tudo não passa de coincidência. "O Clemente e o Fabrício treinam com o elenco, mas é opção do treinador usá-los ou não. Quando contratamos um jogador temos a esperança que ele dê certo, mas é uma questão de circunstância", explica o vice de futebol, João Paulo de Jesus Lopes.

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