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Encruzilhada

Corinthians precisa de um resultado convincente diante do Cruzeiro para embalar novamente

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2017 | 04h00

Um time começa a 26.ª de 38 rodadas de um campeonato na liderança, com dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Deveria ter algum tipo de preocupação com o risco de ser alcançado? Claro que não. Mas não é o que ocorre com o Corinthians. 

Por mais que dependa apenas de si para chegar a outro título nacional, há apreensão pelos lados do Parque São Jorge. Ligeira, ainda, porém real. A equipe de confiança e eficiência incontestáveis no primeiro turno do Brasileiro, agora virou comum, com virtudes e limitações dos demais concorrentes. O aproveitamento baixou da estratosfera de 82%, ou por aí, para 39%. Queda brusca.

O quadro favorável não se inverteu; portanto, nada de pânico. Só deixou o patamar do fantástico para aproximar-se do “humano”. Para que não despenque, e assim confirme a previsão do vidente Renato Gaúcho, é imprescindível – ou quase – ter resultado convincente na tarde deste domingo, diante do Cruzeiro. Vitória, de preferência.

As três derrotas, o empate e a contraposição das duas vitórias no returno serviram para tornar bem mais cauteloso o discurso de Fábio Carille e atletas. Já não era exagerado anteriormente, nem havia alguém com salto alto e metido a besta. Refletia, apenas, a constatação do excelente momento. Acentuou-se, digamos, a postura reflexiva.

Mais do que estratégia ou exercício de humildade o “não ganhamos nada” se revela consequência da oscilação recente. O Corinthians deixou de ser vistoso, econômico no espetáculo, porém correto e preciso. O desempenho de alguns titulares importantes, como Rodriguinho, Jadson, Fagner, não voltou ao nível normal, as mudanças forçadas começam a afetar o equilíbrio.

Para complicar vem a ausência de Jô. Sem ser craque ou astro da companhia, o centroavante virou referência, sobretudo em duelos decisivos, pela postura e pelos gols. A contusão que o tira de cena no mínimo nesta rodada aumenta a coleção de problemas de Carille. Pode recorrer a Kazim ou a adaptações no setor, sem a certeza de sucesso. Eis nova interrogação que o líder leva para o tira-teima no Mineirão.

Há dúvida adicional: que Cruzeiro vai apresentar-se diante de seu público? Um rival de ressaca com a conquista da Copa do Brasil? Ou com ânimo redobrado e, por extensão, a propor dificuldades intensas? Com a vaga assegurada para a próxima Libertadores, a rapaziada de Mano Menezes vai comportar-se como um bloco franco-atirador, sem pressão e, por tabela, ousado?

Carille tem consciência de que, independentemente da trajetória dos que ainda sonham com a ponta, o Corinthians precisa com urgência retomar o controle das ações. Se a defesa não tira o sono do técnico, o mesmo já não se pode dizer do meio-campo e do ataque. Ou melhor, do todo. A trupe se vê diante da encruzilhada: ou retoma o rumo certo e reembala, ou passará o terço final da Série A com sobressaltos, o que parecia inimaginável na sequência de 19 jogos invictos. 

Sem alternativa

Por falar em sofrimento, o São Paulo nem em seu pior pesadelo pode cogitar de empate com o Sport, hoje no Morumbi. Derrota será aumenta o desastre. Há evolução na equipe de Dorival Júnior; este o aspecto positivo e encorajador. Em contrapartida, os resultados não o ajudam a sair da zona de rebaixamento. E, a cada rodada que a competição avança, obviamente se reduz a margem para erros.

Bater o Sport significa ultrapassar rival direto na parte de baixo da tabela (30 pontos contra 28) e quase a certeza de não ficar entre os quatro últimos. Há um entrave a ser superado: a instabilidade defensiva tricolor. O time tem obrigação, uma vez por todas, de fechar a porteira. Com 37 gols sofridos, tem uma das defesas mais vazadas do campeonato. 

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