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Antero Greco
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Enfim, só futebol!

Salve, salve! Aleluia! Glória à memória dos grandes craques da bola! Como se dizia no Bom Retiro, viva eu, viva tudo, viva o Chico Barrigudo! Finalmente, um jogo do Brasileiro em que se pode falar de futebol. E só futebol, magnífico futebol, emocionante futebol! Palmeiras 3 x Corinthians 3, na tarde de ontem, no Allianz Parque, foi uma das partidas mais bacanas do campeonato até agora. Com algum exagero, a melhor. E com polêmica zero - apesar da tentativa, tímida, de se discutir falta no terceiro gol palestrino.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2015 | 07h00

O dérbi foi intenso do começo ao fim, com tudo a que tem direito pela tradição quase centenária: velocidade, chuva de gols (já que não tem de água), defesas espetaculares de Prass e Cássio, agitação das torcidas, apreensão nas arquibancadas e indefinição até o apito final. O primeiro tempo foi de antologia, de manual, para ninguém esquecer, pois era gol verde, com resposta alvinegra e assim por diante. O placar adequado ao que se viu, mas com jeito de festa corintiana, que três vezes anulou a desvantagem e, de quebra, segurou a liderança com folga razoável. A turma verde só mira, agora, o G-4.

Num duelo como esse claro que há aspectos positivos e negativos. As falhas dos sistemas defensivos, por exemplo, tiveram papel importante na sequência da contagem. Ambas as zagas vacilaram em bolas pelo alto. Houve desatenção em lances que só não terminaram com a bola na rede porque os goleiros foram impecáveis - Cássio ainda colocou a gota derradeira de chantilly no bolo ao desviar cabeçada à queima roupa já nos acréscimos. O grandalhão evitou a derrota. 

O importante, no entanto, é o que houve de memorável. Já que o tema das últimas semanas foi arbitragem, dessa vez não há o que reclamar de Raphael Claus e auxiliares. Erros só no varejo, de pequena monta. Desempenho sem espalhafato, de coadjuvante, como se espera do bom árbitro. 

Palmeirenses e corintianos merecem palmas pela dedicação e qualidade do trabalho. Os dois lados exploraram velocidade, jogadas ensaiadas, a busca pelo resultado. O Palmeiras se propôs mais ao ataque, atitude natural e necessária para quem jogava em casa e estava com 15 pontos a menos do que o líder. E assim continua... Dudu, Lucas e Robinho deram canseira pelo lado direito, de onde surgiram as jogadas mais letais. Gabriel Jesus, mesmo bem marcado e sem aparecer demais, desempenhou bem a função de segurar a dupla de zagueiros corintianos. A volta de Arouca deu estabilidade ao meio-campo, apesar de derrapadas.

O Corinthians manteve-se conciso e preciso. Combinou o autocontrole nos momentos em que era pressionado com rapidez para avançar na roubada de bola. Para tanto, se encarregaram Renato Augusto e, em diversas ocasiões, também Vagner Love. A precisão de Jadson nas cobranças de falta contribuiu para dois gols alvinegros. 

O clássico ressaltou o óbvio, de que o Corinthians continua como candidato maior ao título, porém não tão disparado. A vantagem sobre o Atlético caiu de sete para cinco pontos (50 a 45) e para o Grêmio, desafio no meio da semana em Itaquera, é de seis (50 a 44). Não é fora de propósito imaginar que a diferença encurte mais. Tem jogo demais.

Freio em Recife. O Santos ostentava 3 vitórias em seguida, em subida atrevida na tabela. Por pouco, não aumentou o saldo, ao ficar no 1 a 1 com o Sport depois de sair na frente com Ricardo Oliveira (impedido na origem do lance). O campeão paulista despertou de vez e vai incomodar.

Ah, os erros... Sempre há algo para registrar sobre os juízes, e não só em Recife. Nos 5 a 1 do Cruzeiro sobre o Figueirense, no Mineirão, Willian ajeitou a bola com o braço direito antes de marcar o primeiro de quatro gols. O árbitro, ao lado, não viu. Como foi ignorado o acintoso passe de mão de Wallace para Sheik fazer o primeiro do Fla nos 3 a 1 no Flu.

Ah, sim, é o tal “esquema”. Sei...

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