Robson Fernadjes/Estadão - 26/07/2000
Robson Fernadjes/Estadão - 26/07/2000

'Enfrentar a seleção da Argentina é diferente', diz Vampeta

Ex-volante relembra partida na qual marcou dois gols contra os argentinos e afirma que sempre jogou bem diante do rival

Entrevista com

Vampeta

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 07h00

Vampeta disputou 41 jogos com a camisa da seleção brasileira, entre setembro de 1998 e agosto de 2002. Versátil, o ex-volante tornou-se o principal destaque de uma vitória inesquecível do Brasil sobre a Argentina, em julho de 2000. Na ocasião, marcou seus dois únicos gols pelo time nacional. "Sempre joguei bem contra a Argentina", disse.

No total, Vampeta enfrentou os argentinos em quatro oportunidades, com duas vitórias e duas derrotas. Além do triunfo por 3 a 1 no Morumbi, válido pelas Eliminatórias da Copa 2002, o ex-meia estava em campo quando o Brasil de Vanderlei Luxemburgo fez 4 a 2 na Argentina, no Beira-Rio, em um amistoso. Em entrevista ao Estado, o pentacampeão mundial faz uma análise da atual seleção e admite: "A Argentina está à frente do Brasil hoje."

O jogador brasileiro entra em campo mais 'pilhado' contra a Argentina?

Entra, sim, com certeza. O jogador entra mais atento em campo. Enfrentar a Argentina é diferente de enfrentar qualquer outra seleção do mundo.

Foi isso que aconteceu naquele jogo de 2000? O Brasil fez o primeiro gol em cinco minutos...

Nós precisávamos ganhar da Argentina naquele dia, pois vínhamos de um resultado ruim nas Eliminatórias, uma derrota para o Paraguai por 2 a 1. Precisávamos  daquela vitória no Morumbi. Viajamos para São Paulo logo depois da derrota em Assunção e entramos em campo com outra pegada. E o coro comeu no Morumbi.  Estádio lotado, vencemos por 3 a 1. Já entramos em campo com o pensamento de vencer porque sempre ganhávamos da Argentina em casa.


E fora de casa?

Os clássicos que joguei contra eles, nós ganhávamos em casa. E eles derrotavam o Brasil lá na Argentina. E sempre dei sorte contra eles. Em 1999, no Paraguai, em um estádio neutro, vencemos na Copa América (jogo válido pelas quartas de final. Vampeta ficou no banco de reservas durante a vitória por 2 a 1).

O jogo de 2000 foi o melhor da sua carreira na seleção?

Fiz um jogo melhor, contra a Bolívia, no Maracanã, quando dei cinco passes para gol e sofri um pênalti. Eu acho que esse foi o melhor, mas sempre joguei bem contra a Argentina. Em Porto Alegre, nós ganhamos por 4 a 2 da Argentina, arrebentamos (amistoso no dia 7 de setembro de 1999). O jogo de 2000 contra eles também foi um dos melhores porque fiz dois gols importantes.

O aspecto mais difícil do confronto é a catimba argentina?

A catimba deles é bem parecida com a do Uruguai e Paraguai. Era mais difícil enfrentar a Argentina por causa do time, da qualidade técnica. Eram grandes jogadores na minha época. Quando eu  jogava tinha Crespo, Simeone, Verón, Ayala. O brasileiro sabe lidar com a catimba deles.

Quem é melhor hoje: Brasil ou Argentina?

Do meio para frente eles são melhores, são mais fortes. No time brasileiro, só o Neymar dribla e faz alguma coisa diferente em campo. Está faltando mais isso ao time. A seleção argentina é vice-campeão mundial, está à frente do Brasil, que está começando um trabalho novo. Os argentinos, depois da Copa, fizeram quatro gols na Alemanha fora de casa e sem o Messi. Mas a Argentina quase sempre 'pipoca' quando enfrenta o Brasil fora de casa.

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