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Antero Greco
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Engasgada (quase) geral

 A antepenúltima rodada do primeiro turno confirmou o óbvio: o Brasileiro mantém o ritmo equilibrado, tanto na parte de cima quanto na de baixo. Os resultados do fim de semana não alteraram muito a corrida pelo título, tampouco a luta contra o rebaixamento. (Quem destoou, para melhor, foi o Grêmio). Movimentação maior no miolo, com o pessoal que não sabe direito o que pretende no torneio. 

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

10 Agosto 2015 | 03h00

No topo, destaque para uma derrapada, uma goleada e um resultado normal. O Atlético-MG negou fogo, ao ficar no 0 a 0 com o Goiás, no Serra Dourada. Não chamou tanto a atenção o placar - empate fora de casa e coisa e tal -, mas o desempenho pouco entusiasmado do Galo. Em Porto Alegre, o Grêmio saltou para terceiro, com surra de vara de marmelo no Inter (5 a 0), que durante a semana mandou embora o técnico Diego Aguirre para criar um fato novo. O Colorado perdeu o rumo de casa.

No Morumbi, o 1 a 1 veio como consequência de partida bem interessante entre São Paulo e Corinthians. Superioridade tricolor no primeiro tempo, anulada pela eficiência alvinegra. Num dos poucos cochilos da defesa, Luciano fez o que se espera de centroavante: recebeu sem marcação e mandou para o gol. Para confirmar, assim, a escolha de Tite em detrimento de Vagner Love. Depois, teve participação em alguns lances, mas sem intensidade.

Como artilheiro que se preza decide no aperto, outro que apareceu bem foi Luís Fabiano: achatou a bola duas vezes na trave antes de acertar as redes, no início do segundo tempo, e garantir o empate. Luís Fabiano não ficou apenas nisso: segurou zagueiros corintianos, abriu espaço, chutou mais vezes. Atuação como nos melhores períodos da carreira. E o mais importante: não levou nenhum cartão.

O mérito do Corinthians, para não escrever vício, foi a maneira estoica como se comporta ao sofrer pressão, até com jogador a menos (como ficou evidente na expulsão de Felipe). Controla-se, fecha-se bem, restringe o campo de ação dos adversários. A tática que o levou a conquistas com Tite em outras épocas está mais presente do que nunca. E pelo visto não vai abrir mão desse recurso. O valor do São Paulo esteve na inquietação de Juan Carlos Osorio, que mexeu na segunda parte e abafou qualquer veleidade de contragolpe.

Clássico que se preza não pode ficar sem lance polêmico - e apareceu segundos antes do encerramento. Veio na forma do chute de Wesley que Uendel desviou. Se no reflexo, sem querer ou não, pareceu lance de vôlei - pênalti. Para a arbitragem, normal. Com 1 a 1, o Corinthians se manteve a dois pontos do Atlético-MG e o São Paulo permaneceu fora, embora perto, do G4.

Verde amarelo. O Palmeiras resolveu homenagear os 50 anos de inauguração do Mineirão e entrou em campo com uniforme nas cores da seleção brasileira. Referência ao fato de que, em 1965, a Academia palestrina foi escolhida para representar a antiga CBD (depois, CBF) nos festejos pelo novo estádio e, com o uniforme nacional, bateu o Uruguai por 3 a 0.

“Eta lembrança mais sem jeito”, como diria Chicó, personagem atrapalhado de O Auto da Compadecida, do imortal Ariano Suassuna. O Palmeiras esteve mais para o Brasil dos 7 a 1, em BH, do que para aquele de Djalma Santos, Julinho, Ademir. Ou seja, o verde do Dia dos Pais foi menos criativo, além de inseguro e falho na marcação, a ponto de levar gols semelhantes, em jogadas de linha de fundo e com bolas rasteiras. 

No primeiro tempo, em especial, teve dificuldade para criar, enroscou-se na vigilância do Cruzeiro. No segundo, melhorou e anulou a desvantagem com Cristaldo. Só que não foi suficiente, pois defesas de Fábio e novo erro levaram à diferença definitiva. Com duas derrotas seguidas e queda no ritmo, marca passa e deixa escapar chance de se firmar como candidato ao título.

O desafio de Marcelo Oliveira é o de impedir filme velho no Palmeiras: desandar por descontrole. 

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