DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Engenharia financeira da gestão de Marin foi montada por Del Nero

Dirigente levou diretor financeiro e tesoureiro para a CBF

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2015 | 14h43

Atualizado às 22h00.

Apesar de insistir que não tinha poder sob a gestão de José Maria Marin na CBF, Marco Polo Del Nero levou três diretores da sua administração na Federação Paulista de Futebol (FPF) e vários funcionários para fazerem parte do comando da entidade. Del Nero foi vice-presidente de Marin de 2012 a 2015.

A engenharia financeira da CBF, inclusive, foi montada por Del Nero. Os homens responsáveis por cuidar do dinheiro da entidade durante a gestão de Marin eram funcionários da confiança de Del Nero na FPF e foram levados ao Rio de Janeiro por ele: Rogério Caboclo (diretor financeiro) e Gilnei Botrel (tesoureiro).

Outro diretor da CBF à época de Marin que fazia parte do grupo de trabalho de Del Nero na FPF era o então vice-presidente Reinaldo Carneiro Bastos (diretor de Desenvolvimento e Projetos). Bastos assumiu a presidência da FPF depois que Del Nero foi empossado na CBF, em abril, e ganhou um novo cargo na entidade. Agora, ele é diretor de Coordenação.

Também chegou à CBF pelas mãos de Del Nero durante a gestão de Marin o diretor de marketing Gilberto Ratto, ex-funcionário da Topper, patrocinadora da FPF. No Departamento de Comunicação, logo após a saída do diretor Rodrigo Paiva, depois da Copa do Mundo, também foram alocados funcionários da FPF.

Del Nero admitiu semana passada, durante sabatina na Câmara dos Deputados, que participou da negociação de alguns contratos na CBF nos últimos três anos e a sua influência no mandato Marin deverá ser investigada pela CPI que está sendo montada no Senado para apurar irregularidades na entidade. Marin foi preso em Zurique, na Suíça, no dia 27 de maio, acusado de ter recebido propina nas negociações de contratos da Copa América e da Copa do Brasil.

“Eu fiquei dez meses na CBF e, desde quando Del Nero e Marin entraram na CBF, quase todos os funcionários em cargos especiais eram de São Paulo, da Federação Paulista de Futebol. O pessoal do financeiro, de T.I. (tecnologia da informação)... Todo mundo veio de São Paulo para trabalhar na CBF. A estrutura era montada pelo Del Nero”, afirmou o deputado federal e superintendente de futebol do Corinthians, Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF de janeiro a novembro de 2012.

RESPOSTA

Após a publicação da reportagem, a diretoria de comunicação da CBF emitiu o seguinte comunicado.

A respeito da reportagem "Engenharia financeira da gestão de Marin foi montada por Del Nero", a CBF tem os seguintes esclarecimentos a prestar:

1 - A matéria veiculada pelo portal Estadão está equivocada e não se sustenta.  Diz o texto que "os homens responsáveis por cuidar da entidade durante a gestão Marin eram funcionários de confiança de Del Nero na FPF".

2 - Dos três anos e um mês da gestão do ex-presidente José Maria Marin, o cargo de diretor financeiro foi ocupado durante dois anos o oito meses por Antonio Osório e Julio Avelleda, ambos nomeados pelo ex-presidente Ricardo Teixeira.

3 - Rogério Caboclo foi contratado para a função de diretor financeiro apenas em novembro de 2014, a menos de seis meses do fim do mandato de Marin;

4 - Não é verdadeira a afirmação, contida na abertura da reportagem, de que "Del Nero levou três diretores de sua administração na Federação Paulista de Futebol e vários funcionários para fazerem parte do comando da entidade". Um dos citados na reportagem é Reinaldo Carneiro Bastos, que é diretor da CBF desde a gestão Ricardo Teixeira.

5 - Também não é verdadeira a afirmação de que foram alocados "funcionários da FPF" no departamento de comunicação da CBF. Dos nove funcionários do setor, apenas um, Vinícius Rodrigues, trabalhou na entidade paulista.

6 - Não há explicação no texto para ter sido utilizada a expressão "engenharia financeira" tanto na manchete como reportagem. A que "engenharia financeira" o portal se refere?

7 - Por fim, a CBF lamenta não ter sido ouvida antes da publicação da reportagem. Se assim tivesse feito, o veículo teria poupado o leitor de ter recebido um texto com tantos equívocos e imprecisões.

Departamento de Comunicação da CBF.

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