Enigma alvinegro

O Corinthians é um enigma de decifração complicada. Na atual temporada passa por desmanches recorrentes, e ainda consegue manter-se na corrida pelo topo do Brasileiro. No momento, é o terceiro colocado, com mesma pontuação do Flamengo, embora com melhor saldo. Um espanto, ao se levar em conta a quantidade de jogadores que saíram – ou que estão a arrumar as malas –, e até o esfacelamento da comissão técnica, debandada em boa parte para a seleção.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2016 | 03h00

Nas primeiras semanas do ano, viu baterem asas Gil, Jadson, Renato Augusto, Vagner Love, Ralf, Malcom, fundamentais na campanha do título nacional de 2015. Cássio e Elias por pouco não seguiram o rumo do Oriente. Em maio, foi a vez de o zagueiro Felipe despedir-se. Mais recentemente, um golpe duro, quando Tite aceitou convite da CBF e carregou consigo diversos colaboradores. (Pato não entra nessa conta. O moço era carta fora do baralho desde sempre...)

Ajeita daqui, arruma dali, contratações acolá, campanha razoável no Paulistão e na primeira fase da Liberdade deixaram perspectiva de casa arrumada para o segundo semestre. Até que ontem aparece o presidente Roberto Andrade para anunciar que André, Luciano e Bruno Henrique já limparam os respectivos armários no clube. O primeiro veio em janeiro e sai sem deixar saudade. O segundo passou muito tempo machucado e, ao retornar, não se firmou como titular. O terceiro teve aproveitamento regular; agora tende a ser baixa sentida no meio-campo.

O movimento de vaivém tornou-se rotineiro nos nossos times. A maioria tem fatias reduzidas dos direitos federativos dos atletas e não resiste à pressão deles e respectivos estafes assim que surgem ofertas do exterior. Não há como competir com a abundância de moedas fortes. A grana que entra nos cofres dos clubes ameniza o balanço. A contrapartida está na impossibilidade de manter um grupo vencedor nem a médio prazo, muito menos a longo.

No caso corintiano, a agravante está na reposição. A direção lembra que não dormiu no ponto e foi ao mercado, na tentativa de compensar as perdas. Fato, nem poderia ser diferente; o elenco era reduzido. Veio bastante gente. Na prática, porém, o saldo não entusiasma. O episódio mais emblemático é o de André, que veio, não vingou e se foi. Há também Alan Mineiro, com passagem relâmpago pelo Parque São Jorge, antes de ser despachado, magoado, para o América-MG. Willians mal aparece, assim como o zagueiro Vilson.

Os meias Marquinhos Gabriel e Giovanni Augusto têm desempenho inconstante, da mesma forma que Guilherme. Até anteontem, Marlone andou esquecido; o lindo gol e a participação decisiva na virada sobre o Vitória devem render-lhe novas oportunidades com Cristóvão Borges.

A propósito do treinador: ele ainda não emplacou na simpatia da torcida e sabe que existem focos de resistência a seu nome. Só conseguirá paz, se ao menos levar a equipe para a Libertadores de 2017, com títulos (Brasileiro e/ou Copa do Brasil) ou pelo G-4. Dureza. Uma previsão é barbada: fortes emoções aguardam o Corinthians até o início de dezembro.

Seleção. Já que falei de Tite, cabe uma palhinha a respeito da primeira convocação, aquela para jogos contra Equador e Colômbia, pelas Eliminatórias do Mundial de 18. A lista é razoável, com brechas para reparos, como manda a tradição. Ficou evidente que apostou em velhos conhecidos, como a turma que comandou no Corinthians. Para quem precisa de resultados imediatos, melhor apelar para nomes de confiança.

Ainda assim, não há como ficar com a pulga atrás da orelha com Paulinho, há muito desaparecido do noticiário, bem como Taison; ou mesmo com Giuliano, que saiu em baixa do Grêmio. O tricolor gaúcho cedeu Grohe, mas tem Geromel, Wallace e Luan a merecer lembrança. Ok, vamos dar crédito para Tite. E que ele saiba que cobrança e cornetagem serão imensas na seleção. É de praxe.

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