Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Enquanto Cuca não chegar, nada vai acontecer no São Paulo

Diretoria erra ao contratar treinador para resolver problemas imediatos, mas o deixa se apresentar dois meses depois

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2019 | 13h34

Caro leitor,

O São Paulo, como previsto em outras ocasiões, deixou para a última rodada do Campeonato Paulista sua sorte na classificação. A crise que toma conta do Morumbi ganhará contornos mais acentuados caso a equipe fique fora da etapa de mata-mata da competição  estadual. Nas duas colunas anteriores (capítulo 1 e capítulo 2), escrevi sobre os desafios do time para se salvar, apesar do futebol ruim, e da troca de técnico, mais uma na era do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Cuca é sua oitava aposta. E não há garantia nenhuma de que o trabalho dará certo. A crise vai acabar um dia e o São Paulo voltará a ganhar suas partidas, inclusive clássicos, o que parece ter desaprendido. Mas qual preço terá de pagar por isso? Quanto tempo ficará dando tristeza ao seu torcedor? Quanto terá de gastar para arrumar a casa?

A derrota para o Palmeiras por 1 a 0 no Pacaembu, sábado, foi mais um dia ruim do time na temporada. Ganhar ou perder sempre fez parte do jogo. O que o torcedor do São Paulo quer saber é que o clube fará para ganhar títulos de novo, sair da fila que já dura bons anos – 2012 ganhou a Sul-Americana e 2005, o Paulistão - e voltar a ser cotado para alguma coisa maior no futebol nacional e internacional. A visão vai até a ponta do nariz somente. O São Paulo se apequenou. Hoje, o principal objetivo é ganhar uma mísera partida de 90 minutos. É pouco pouco para a história do clube.

A gestão de Leco e Raí passa diretamente pelo resultado de campo. Cuca, que disse sim ao clube, mas que ainda não apareceu, numa das maiores aberrações já feitas no futebol, contratar um técnico com saúde debilitada para salva a equipe, só faz apresentar nomes para a diretoria contratar, como se o único caminho fosse ir para o mercado. Foi visto jogando bola em Curitiba no fim de semana. Quando se troca uma comissão técnica, pressupõe-se também que o novo comando vai recuperar alguns jogadores. Não foi isso o que vimos no São Paulo. Diego Souza foi para o Botafogo, numa venda/empréstimo que caracteriza o que não se deve nunca fazer no esporte, ou seja, comprar caro e entregar de graça. Cada gol de Diego Souza custou ao São Paulo R$ 1 milhão, como atestou o Estadão.

Ora! Caiu do céu, portanto, a negociação de Militão do Porto para o Real Madrid. O clube paulista tinha 10% do contrato do zagueiro e por isso vai embolsar R$ 30 milhões. É dinheiro que o São Paulo não esperava agora. Vai poder usar na compra de jogadores, como pede Cuca insistentemente. Ocorre que só trazer atleta não vai resolver. O clima não é bom no CT. Todos andam de cabeça baixa. Impera a lei do silêncio e do "não é comigo". Mancini não é mais técnico. Enquanto Cuca não chegar, se chegar, nada vai acontecer no Morumbi. Os jogadores estão sem confiança. Hernanes, o principal deles, não é mais menino e joga desde que retornou ao Brasil no sacrifício. Será que ninguém enxerga isso?

A torcida já está contra faz tempo e anda com os nervos à flor da pele. No Pacaembu, sábado, um cidadão são-paulino discutiu com uma família que, segundo ele, supostamente, estava torcendo para o Palmeiras, como se isso fosse crime dentro do estádio. Pior. O grandalhão pegou no pé de uma criança que teria festejado o gol de Carlos Eduardo. Felizmente o bom senso prevaleceu e os outros torcedores foram contra o revoltado. Você viu isso? Veja aqui!

O São Paulo precisa de um choque de gestão e não que seus dirigentes saiam dos estádios por portas escondidas, de cabeça baixa, envergonhados. É preciso respeitar a história do clube, seus títulos (veja a lista) e tradição. Reviver os bons tempos, como a inauguração da Calçada da Fama no ano passado, quando o treinador ainda era Aguirre. Muricy Ramalho e Kaká estavam lá. O mesmo Kaká me deu uma entrevista faz algum tempo passando a limpo sua trajetória de 20 anos no futebol. Na foto da matéria, Kaká era um garotinho de 15 anos começando a aparecer no São Paulo. Tempos bons que o são-paulino precisa resgatar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.