Nilton Fukuda/Estadão
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Entenda alguns dos desafios dos presidentes eleitos de São Paulo e Santos

Casares e Rueda assumem São Paulo e Santos, respectivamente, até 2023

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

14 de dezembro de 2020 | 05h00

Tanto na vida quanto no trabalho, felizes são aqueles que têm em quem se espelhar. Ter ao menos uma boa referência é meio caminho andado para o sucesso. Nessa caminhada, deixar um legado faz diferença, mesmo se for em terra arrasada. Dois presidente de clubes de São Paulo têm esse desafio. Julio Casares assumiu o São Paulo no lugar de Leco. Pega um clube de altos e baixos, devendo R$ 560 milhões e títulos para sua torcida.

O Santos escolheu Andrés Rueda. Ele entra no lugar de Orlando Rollo, que assumiu após impeachment de José Carlos Peres. No caso do clube da Vila, há muito trabalho a ser feito. A dívida é de R$ 300 milhões aproximadamente, com pendências urgentes. O futebol já pediu água faz tempo.

Casares e Rueda sabem que não se comanda pela paixão e devoção apenas. Esse, aliás, é um erro de quase todos os novos presidentes do futebol.

São Paulo e Santos são maiores do que seu dirigentes. O sistema é presidencialista, portanto, tudo passa pelos eleitos, que mais do que qualquer outro devem delegar, trabalhar com grupo, estimular seus parceiros, ser respeitoso, inclusive com o treinador, não gastar mais do que arrecada, ser honesto, trabalhador, de visão em todas as áreas, sério, responsável e de palavra.

É claro que Casares e Rueda têm todas essas qualidades, porque se não tivessem não teriam sido eleitos, quero acreditar. Mas eles precisam colocá-las em prática desde o primeiro dia de mandato, com alegria, bom senso, sabedoria e alguma resiliência.

O São Paulo tem caminhos mais bem pavimentados, apesar de uma dívida assustadora. E um calcanhar de Aquiles que incomoda: a falta de conquista. Desde 2012, o time não ganha nada. Seu último título foi a Copa Sul-Americana. Existe um jejum de oito anos, portanto. Mas muita esperança também de o time do Morumbi se dar bem no Brasileirão e na Copa do Brasil.

Casares sempre teve boas ideias na área de marketing. Vai estender seu conhecimento pelos corredores do Morumbi. O futebol é o carro-chefe e tem de ser. Mas outros esporte são bem-vindos e devem ser fortalecidos com a camisa do São Paulo, como vôlei, basquete, futsal, boxe, tênis... O Morumbi não se modernizou para a Copa e poderá, quem sabe e se tiver dinheiro, ganhar novas cores e traçados. 

Já é um estádio de bom funcionamento. Pode melhorar. Cotia vai continuar sendo o futuro, esportivo e financeiro. Casares terá de saber dimensionar os dois, de modo a usar as revelações no time principal antes de fazer dinheiro com elas.

O futebol também clama por transparência. Rueda tem essa missão no Santos, tornar tudo mais claro como a água do mar. Ninguém na Vila consegue entender bem o caminho do dinheiro, desde a venda de Neymar para o Barcelona. Tudo foi pelo ralo em gestões anteriores. Presidentes entregaram o posto com poucas explicações.

O rosário promete ser longo na Vila. E necessário. Não fosse o técnico Cuca isolar o elenco e tirar os jogadores de todos os problemas administrativos do clube, pedindo compreensão para as faltas, nem time havia. Olhando de fora, parece uma bagunça sem fim. Contas reprovadas, dívidas sendo cobradas, afastamento de presidente, falta de dinheiro, punição da Fifa, contratação e descontratação de jogador acusado de estupro, no caso Robinho, e um estádio acanhado para as pretensões multiúso das arenas, além de elencos reduzidos e modestos.

Portanto, há muito a ser construído por Casares e Rueda. Que eles se espelhem nos melhores de seus respectivos clubes e, ao fim de 2023, se tornem referências para o próximo.

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