Jorge Saenz/AP
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Entenda como está o caso em que Ronaldinho é acusado de usar documentos adulterados

O 'Estado' resume tudo que aconteceu com o ex-jogador e seu irmão, Roberto Assis, no Paraguai desde que eles foram presos

Andreza Galdeano, Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 09h31

Um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, Ronaldinho Gaúcho segue preso no Paraguai, mas agora em prisão domiciliar. Ele deixou os gramados, mas seus fãs jamais o esqueceram. Seus dribles e sua genialidade com a bola nos pés o transformaram em uma estrela mundial. No Brasil, o astro é Embaixador do Turismo do governo Bolsonaro e, por enquanto, mantém o cargo, apesar das investigações. O astro virou assunto nas páginas policiais e foi parar na prisão, por suspeita de usar documentos falsificados no Paraguai. Ele já tinha um histórico de polêmicas, mas nada parecido com o que vive atualmente. 

O CASO

Tudo começou quando ele chegou ao Paraguai para participar de dois eventos. Uma ação beneficente e o lançamento de um livro. Quando estava no hotel, com seu irmão, viu seu mundo desabar. Havia documentos falsos em seu poder e ele não soube explicar do que se tratava. Havia passaportes e cédulas de identidades do Paraguai com seu nome. Seu e do seu irmão, Roberto Assis. 

BUSCA POR SUSPEITA DE DOCUMENTOS FALSOS

A polícia do Paraguai fez buscas na noite de quarta-feira ao Hotel Resort Yacht y Golf Club, em Lambaré, vizinho a Assunção, onde estava hospedado Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Assis. Os agentes relataram ter agido após denúncia do Departamento de Identificações da Polícia Nacional por suspeita de que o ex-jogador e seu empresário estivessem portando documentos falsos. Ambos ficaram detidos no hotel durante a apuração do caso pelas autoridades.

RONALDINHO É PROIBIDO DE DEIXAR O PARAGUAI

O promotor Federico Delfino, responsável pela investigação contra os dois ex-jogadores, afirmou na manhã de quinta-feira, dia 5, que Ronaldinho e seu irmão ficariam à disposição da Justiça do Paraguai por tempo indeterminado. No mesmo dia ambos prestaram depoimento na sede do Ministério Público paraguaio, em Assunção. Ronaldinho disse que os documentos eram "presentes" de um empresário. Em seguida, o ex-jogador foi encaminhado para o Departamento de Crime Organizado do país, onde também teve de dar explicações.

CRAQUE DECIDE PERMANECER NO PAÍS

Ainda na quinta-feira, dia 5, o advogado encarregado de representar Ronaldinho e seu irmão disse que o ex-jogador decidiu não deixar o Paraguai até que o processo judicial contra ele seja resolvido. Adolfo Marín alegou que eles não estavam impedidos de deixar o país e que ambos receberam cartões de identidade e os passaportes paraguaios do empresário Wilmondes Sousa Lira no Brasil. "Não me lembro da data, mas cerca de 20 a 30 dias atrás", afirmou o advogado. Sousa Lira também foi preso na quarta-feira à noite. A presença de Ronaldinho no Paraguai com documentos supostamente falsos provocou uma crise política no país, especialmente pela demora das autoridades para apontar e investigar as irregularidades. Uma das consequências foi a renúncia do diretor de migração do país, Alexis Penayo.

EX-MEIA ADMITE CRIME E SE LIVRA DE ACUSAÇÃO

O Ministério Público do Paraguai decidiu não apresentar acusação formal contra Ronaldinho e seu irmão. O ex-jogador admitiu a prática do crime de utilização de documentação falsa, mas a promotoria considerou que eles foram enganados e solicitou a aplicação do "critério de oportunidade" por terceiros. Após quase 24 horas dos primeiros procedimentos e um longo dia de depoimentos na quinta-feira, o promotor Federico Delfino informou que os brasileiros não seriam acusados e que solicitaria a liberação de ambos.

JUIZ DECIDE QUE O EX-JOGADOR SERÁ INVESTIGADO

A reviravolta do caso aconteceu na sexta-feira, dia 6, quando Mirko Valinotti, juiz criminal de Garantias de Assunção, decidiu rejeitar o pedido do Ministério Público para não abrir processo contra os ex-jogadores. O promotor Delfino chegou a declarar que os investigadores detectaram que o pedido de naturalização paraguaia de Ronaldinho e o irmão foi registrado no Departamento de Migração. Ambos disseram que não solicitaram esse procedimento e o Ministério Público, então, anunciou a investigação de um possível esquema de falsificação de documentos que envolve funcionários públicos e pessoas do setor privado do país.

RONALDINHO E ASSIS SÃO PRESOS

Cumprindo mandado emitido pela Procuradoria Geral da República, a Polícia Nacional do Paraguai ordenou a prisão do ex-jogador e seu irmão na sexta-feira, dia 6. Ronaldinho e Assis estavam no Sheraton Hotel, localizado a poucos minutos do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi. Ambos aguardavam o momento de partir para o terminal do aeroporto e deixar o Paraguai, de acordo com as versões divulgadas pela Polícia local. Depois de serem presos preventivamente em Assunção, eles deixaram o complexo da Agrupação Especializada da Polícia Nacional do Paraguai, onde passaram a noite em uma cela e foram algemados para audiência.

JUIZA DETERMINA MANUTENÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

Em meio à audiência que poderia definir a continuidade ou não de Ronaldinho na cadeia, o promotor da unidade especializada de delitos econômicos Osmar Legal ratificou o pedido de prisão preventiva. Na sequência, a juíza Clara Ruiz Díaz determinou a manutenção da prisão. Sendo assim, os dois brasileiros seguem detidos no complexo da Agrupação Especializada da Polícia Nacional do Paraguai, onde passaram o fim de semana e tiveram a visita de Gamarra, ex-jogador do Corinthians e da seleçao paraguaia.

SUSPEITA DE LAVAGEM DE DINHEIRO

A promotoria paraguaia ampliou a investigação no domingo, dia 8. O Ministério Público solicitou várias informações de outras instituições e também apura uma possível conexão do caso com lavagem de dinheiro. Além dos ex-jogadores, empresários paraguaios e brasileiros são investigados. 

ADVOGADO DE RONALDINHO DIZ QUE PRISÃO É ILEGAL

O advogado de Ronaldinho, Sergio Queiroz, disse ainda neste domingo que seu cliente e irmão estão detidos de modo totalmente ilegal no Paraguai. Ele alegou que os ex-jogadores agiram "de boa fé" ao usar os documentos, sem saber que eram ilegais, pois procuravam iniciar negócios no país. O advogado também declarou que as autoridades diplomáticas do Brasil estão "tomando nota" das "irregularidades".

PEDIDO DE PRISÃO DOMICILIAR

Os advogados de Ronaldinho e seu irmão entraram com pedido para prisão domiciliar. O Ministério Público recusou, embora o craque tenha dado como garantia de que não iria fugir um imóvel no valor de cerca de R$ 4 milhões. Poucos minutos depois, o juiz Gustavo Amarilla recusou o pedido alegando que temia uma fuga ou obstrução nas investigações por parte do ex-jogador. 

BRASILEIRO É TRATADO COM DISCRIMINAÇÃO

Os advogados de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão trabalham para recorrer à Segunda Instância. O recurso deve ser apresentado já nesta quarta-feira (11). A defesa do ex-jogador considera a prisão "ilícita, ilegal e abusiva", além de apontar que o Ministério Público paraguaio trata os brasileiros com discriminação pelo fato de eles serem estrangeiros.

MINISTÉRIO PÚBLICO INDICIA FUNCIONÁRIOS

O Ministério Público do Paraguai indiciou cinco pessoas, sendo quatro funcionários públicos, que supostamente facilitaram a entrada de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão no país.  Segundo o promotor Federico Delfino, os funcionários públicos teriam participação direta na entrada dos brasileiros ao receberem os passaportes no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na cidade de Luque, e não alertarem as autoridades de que os documentos eram falsos. 

RECEIO DE PEGAR CORONAVÍRUS

Acostumado a se alimentar com refeições de qualidade, Ronaldinho Gaúcho se recusa a comer a mesma comida dos demais presidiários e tem se alimentado apenas com o que recebe de suas visitas. A preocupação com o coronavírus fez com que o atleta passasse por exames médicos no presídio em Assunção, mas ele não apresentou nenhum problema.

JOGO NO PRESÍDIO

Começaram a circular nas redes sociais na noite desta sexta-feira (13) fotos e vídeos de uma partida de futebol disputada na Agrupación Especializada da Polícia Nacional do Paraguai, com a participação de Ronaldinho Gaúcho. Segundo a ABC TV, do Paraguai, Ronaldinho aceitou participar de uma partida de futebol na cadeia. Ele teria atuado no time de Fernando Gonzalez Karjallo, ex-dirigente do Sportivo Luqueño preso por lavagem de dinheiro. De acordo com relatos de policiais que assistiram ao jogo, a equipe de Ronaldinho venceu por 11 a 2, com cinco gols e seis assistências do brasileiro.

PERÍCIA NOS TELEFONES

Investigadores paraguaios buscam informações se Ronaldinho e Assis têm ou não ligação com uma organização criminosa estruturada para falsificar documentos e especializada em lavagem de dinheiro. A quadrilha contaria com a participação de empresários e funcionários públicos para facilitar a operação de negócios ilegais no país. Os celulares dos dois serão vasculhados para buscar pistas e reler antigas conversas, e-mails e mensagens.

RONALDINHO DEIXA DE SER BRASILEIRO?

María de los Ángeles Arriola Ramírez, nova diretora do Departamento de Imigrações do Paraguai, responsável pelo controle de entrada e saída de estrangeiros no país, contou que Ronaldinho não seria mais considerado brasileiro se tivesse se naturalizado paraguaio. Em entrevista ao Estado, ela ainda contou que dois funcionários do órgão estão sendo investigados pelo Ministério Público para saber o motivo de terem liberado a entrada de Ronaldinho mesmo ciente de que os documentos eram falsos.

 

CORONAVÍRUS ATRAPALHA O EX-JOGADOR

O novo coronavírus dificultou ainda mais a situação de Ronaldinho. Por causa da pandemia, o Poder Judiciário do Paraguai foi fechado e será reaberto apenas no dia 12 de abril. Até lá, dificilmente ele conseguirá mudar o cenário e deverá permanecer preso.  advogado do ex-jogador, Adolfo Marín, contou ao Estado que a situação é preocupante e causa muita incerteza

QUARENTENA?

Preso no Paraguai desde o dia 4 de março por uso de passaporte adulterado, Ronaldinho Gaúcho, em período de pandemia de coronavírus, ainda encontra um tempo para jogar futevôlei com outros presos em uma quadra de areia na Agrupación Especializada, em Assunção, capital paraguaia.

UM MÊS PRESO

No dia 6 de abril, Ronaldinho Gaúcho e seu irmão completaram um mês de prisão em Assunção. O Estado conta que, para passar o tempo, o ex-jogador tem jogado futevolêi com seus colegas de detenção e que já passou a comer a mesma refeição que os demais detentos. Antes, o astro não aceitava a alimentação da cadeira e diariamente chegava comida de restaurante para ele. 

PRISÃO DOMICILIAR

Ronaldinho Gaúcho e Assis vão seguir presos no Paraguai, mas agora em prisão domiciliar. Nesta terça-feira, dia 7, após um mês da detenção do astro em Assunção, o juiz Gustavo Amarilla decidiu mudar o regime de reclusão do brasileiro, que agora ficará em um hotel da cidade. O veredicto foi tomado em audiência em que a defesa de Ronaldinho apresentou o pagamento de fiança de US$ 1,6 milhão (aproximadamente R$ 8,3 milhões). 

PRIMEIRA ENTREVISTA

Enfim, Ronaldinho decidiu dar sua primeira entrevista após toda confusão. Em entrevista ao jornal paraguaio ABC Color, o craque contou sobre seus dias na prisão e garantiu que não sabia que os documentos que ele utiliza eram adulterados

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