Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Entenda como fica o pagamento da Arena Corinthians após a paralisação dos torneios

Clube e Caixa têm expectativa de até o fim de abril acertar novo acordo referente à dívida de R$ 536 milhões; mas sem jogos não há dinheiro de bilheteria

João Prata, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 18h20

A suspensão do Campeonato Paulista por tempo indeterminado e a ausência do dinheiro vindo das bilheterias até o fim de abril, pelo menos, devem ter impacto no financiamento da Arena Corinthians. O clube já não vinha pagando as parcelas mensais do seu estádio para a Caixa Econômica Federal porque cumpre decisão da Justiça na qual os depósitos estão suspensos enquanto o caso estiver em análise. 

No fim do mês passado, por pedido conjunto da Caixa e do Corinthians, a Justiça de São Paulo suspendeu por 60 dias a ação do banco estatal que cobra R$ 536 milhões do clube. As partes discutem desde o ano passado um acordo amigável.

Essa foi a terceira vez que a Justiça suspendeu o andamento do processo. Em outubro do ano passado, houve o cancelamento da audiência de conciliação e o processo ficou suspenso por 30 dias. Em dezembro, após novo pedido, a Justiça acatou a suspensão do processo por outros dois meses.

A assessoria de imprensa do Corinthians informa que no momento não iria comentar o assunto porque o clube está mobilizado em torno da pandemia do novo coronavírus. A Caixa  respondeu que "não fornece informações a respeito de operações de crédito específicas". Na segunda-feira o clube anunciou o fechamento do CT Joaquim Grava e a suspensão das atividades do elenco profissional masculino e feminino além de todas as categorias de base por tempo indeterminado. A medida foi tomada logo após o anúncio da suspensão do Campeonato Paulista.

A paralisação pode complicar o pagamento no futuro o financiamento da arena em Itaquera. Isso porque o dinheiro da bilheteria é destinado para quitar as parcelas. Na rodada do último final de semana, o time teve de jogar com portões fechados em sua casa, com prejuízo de R$ 53.634,68. 

Eliminado da Libertadores, fora da Copa Sul-Americana e com apenas a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro para disputar até o restante do ano além do Estadual, será complicado arcar com as parcelas. O time em baixa também não ajuda. Atualmente, está fora da zona de classificação para as quartas de final do Paulistão. Se ficar fora da fase mata-mata deixará de arrecadar renda milionária. 

Para se ter uma ideia, o Corinthians fez quatro jogos como mandante, com a presença de público, no Estadual nos meses de janeiro e fevereiro. Somando tudo, o clube conseguiu renda líquida de R$ 3.005.250,58, que daria para pagar uma parcela dos meses de menor valor. O Corinthians tenta convencer a Caixa a acertar um acordo em que durante oito meses pagaria parcelas de R$ 6 milhões e em quatro meses, quando há um menor número de jogos, pagar a metade.   

Os advogados do clube e da empresa conversam para encontrar uma solução para o pagamento da dívida. A expectativa por parte do clube é que o pré-acordo seja validado com previsão de término extendida. Pelo primeiro contrato assinado, a Arena Corinthians seria paga até 2028.

Confira a arrecadação do Corinthians no Paulistão deste ano:

23/1/2020 - 1ª rodada do Paulistão

Corinthians x Botafogo

Renda bruta: R$ 966.124,74

Renda líquida (lucro): R$ 586.448,66

2/2/2020 - 4ª rodada do Paulistão

Corinthians x Santos

Renda bruta: R$ 2.355,356

Renda líquida: R$ 1.821.993,86

9/2/2020 - 5ª rodada do Paulistão

Corinthians x Inter de Limeira

Renda bruta: R$ 1.115.240,35

Renda líquida: R$ 754.936,06

26/2/2020 - 8ª rodada do Paulistão

Corinthians x Santo André

Renda bruta: R$ 660.629,69

Renda líquida: R$ 369.872

15/03/2020 - 10ª rodada do Paulistão

Corinthians x Ituano (portões fechados)

Despesas: R$ 53.634,68 

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