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Entenda o que vai acontecer com o Pacaembu após concessão à iniciativa privada

Estádio ficará fechado por dois anos para restauro e modernização; obras começam em 2020

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 19h00

A concessão do Pacaembu à iniciativa privada vai significar uma transformação profunda na cidade de São Paulo. Uma das principais alterações previstas no projeto da concessionárioa Allegra Pacaembu, vencedora da concessão, é a demolição do tobogã, arquibancada inaugurada no início da década de 1970. No seu lugar deverá ser erguido um prédio de cinco andares, com 44 mil metros quadrados de área construída. A praça Charles Muller e o Museu do Futebol ficaram fora da concessão.

A concessionária planeja oferecer um estádio com vocação para eventos, entretenimento, lazer e esportes. Os jogos de futebol vão continuar, mas serão realizados pelos quatro grandes de São Paulo e também por clubes de outros estados. A concessionária quer um campo neutro, sem vinculação direta a um clube. Veja as principais questões que cercam a concessão do estádio por 35 anos: 

O que vai acontecer com o Pacaembu?

Em setembro, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), assinou o contrato de concessão do estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, para a iniciativa privada. O complexo esportivo, composto por uma piscina olímpica, duas quadras de tênis e ginásio poliesportivo, além do estádio de futebol, passará a ser administrado pelo Consórcio Patrimônio SP, vencedor da licitação. O consórcio criou a empresa Allegra Pacaembu para administrar o estádio.

O tobogã vai ser demolido?

Sim. Uma das principais alterações previstas é a demolição do tobogã. No seu lugar deverá ser erguido um prédio de cinco andares. O projeto prevê que o novo edifício tenha cafés, restaurantes, lojas, escritórios, espaços multifuncionais e o centro de convenções e eventos, construído no subsolo junto ao novo estacionamento. O térreo terá vista para o gramado e ao boulevard que será criado no local onde hoje fica o estacionamento do clube esportivo. Uma praça pública elevada irá conectar as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis.

A demolição foi autorizada pelos órgãos de conservação do patrimônio público?

Sim, mas a demolição ainda é polêmica. A Associação Viva Pacaembu abriu uma ação pedindo a análise pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pelos órgãos de conservação do patrimônio público (Conpresp e Condephaat). A concessionária informa que os órgãos de conservação vão discutir apenas “como” as obras serão feitas e não mais “porque” serão feitas. A praça Charles Muller e o Museu do Futebol ficaram fora da concessão.

O Pacaembu será fechado agora?

Ainda não. Nos próximos meses, ele vai continuar funcionando normalmente. A partir do recebimento da ordem de serviços, que deve acontecer nos próximos dias, a prefeitura opera nos primeiros 60 dias com o acompanhamento da concessionária. A partir do sexagésimo primeiro dia, a empresa opera o complexo com o acompanhamento da prefeitura. Já a partir do nonagésimo dia, a empresa assume definitivamente a operação. Em paralelo, a empresa detalha o projeto para iniciar os pedidos de alvará e aprovação nos órgãos de tombamento. Este prazo deve durar entre 6 e 12 meses e só aí as obras irão começar. O Pacaembu ficará então fechado por 28 meses.

Após as obras, quando ele será reaberto?

A previsão de reabertura é julho de 2022.

Qual será a capacidade do estádio?

Com a demolição do tobogã, o estádio do Pacaembu deverá ter sua capacidade reduzida de 39 mil para 26 mil lugares.

Qual é o total do investimento nas obras?

A previsão de investimento é de 300 milhões de reais divididos em duas frentes de obras. Uma delas é o restauro do ginásio poliesportivo, piscinas e quadras de tênis. Isso deve consumir algo de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões. O restante da verba vão ser da demolição do tobogã, escavação do programa subterrâneo e a construção da nova edificação.

O Pacaembu será a casa de algum clube específico, como o Santos, por exemplo?

A intenção inicial da concessionária é que o Pacaembu seja um campo neutro. A empresa pretende potencializar o uso do Pacaembu como estádio de futebol recebendo os quatro grandes de São Paulo e também clubes de outros estados. O estádio também vai receber torneios amadores, como a Taça das Favelas, os jogos das categorias de base e do futebol feminino.

Os ingressos para os jogos ficarão mais caros?

Os valores dos ingressos ainda não estão definidos. Eles serão discutidos entre a concessionária e cada clube que mandar seus jogos no Pacaembu isoladamente.

As atividades esportivas continuam gratuitas?

A piscina e os espaços de esporte continuam públicos. O caderno de encargos da prefeitura, prevê a cessão de cinco horas semanais que continuam sob responsabildade da Secretaria Municipal de Esportes. No restante dos dias, vai continuar como existe hoje, com exceção dos dias de eventos.

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