Érico Leonan / São Paulo
Érico Leonan / São Paulo

Entenda por que Diego Souza ficou no São Paulo e voltou a ser opção de Aguirre

Bastidores das últimas semanas tiveram telefonema de presidente do Vasco, acerto próximo e mudança de rota

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2018 | 07h00

A decisão do técnico Diego Aguirre de voltar a relacionar o meia-atacante Diego Souza, a exemplo do que fará para o confronto deste domingo, contra o Fluminense, no Maracanã, mostra que tanto o treinador quanto o São Paulo ainda acreditam no potencial do camisa 9. Mas o "fico" não se deu de forma tão simples assim. Na verdade, duas questões foram fundamentais para este desfecho:

    Em relação ao primeiro ponto, é bom explicar antes como se deu toda a movimentação de bastidor, apurada pelo Estado. Depois de sondagens iniciais feitas há algumas semanas, o presidente do Vasco, Alexandre Campello, recebeu sinal verde para procurar Diego Souza. O dirigente telefonou e fez o convite, que agradou ao jogador. Além de estar insatisfeito com sua situação no São Paulo – vinha sendo preterido por Aguirre até mesmo para ficar no banco em algumas ocasiões –, ele teve passagem curta, porém, marcante pelo clube cruz-maltino, que defendeu entre março de 2011 e junho de 2012.

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    No São Paulo, a possibilidade de ceder o atleta, mesmo passados apenas três meses da sua chegada e do alto valor investido (R$ 10 milhões) começou a se tornar interessante quando o jovem Evander entrou na parada como possível contrapartida pela cessão de Diego Souza. Com apenas 19 anos, a promessa vascaína agradou à diretoria. Mas foi ele também o motivo que emperrou o negócio...

     Ou 18 meses ou nada

    Basicamente, os paulistas queriam emprestar seu camisa 9 apenas até o fim de 2018, mas ter Evander por mais tempo, até o fim de 2019. E sob uma outra condição: com valor dos direitos fixado, ou seja, se ao fim do período de empréstimo o clube desejasse contratá-lo, seria por um preço combinado agora.

    No Vasco, a oferta não pegou tão bem. O técnico Zé Ricardo também enxerga potencial em Evander, e chegou-se à conclusão que abrir mão do atleta por um ano e meio daria ao rival uma condição muito satisfatória, especialmente se o jogador explodisse no Morumbi e ficasse muito barato no momento da compra.

    Pressionado, Raí intervém

    Enquanto as partes buscavam chegar a um consenso, o homem forte do futebol do São Paulo via seu capital político correr sério risco de despencar conforme vazavam algumas informações a respeito. A que mais incomodou a oposição tricolor foi a de que o clube arcaria com parte dos salários de Diego Souza durante sua passagem pelo Rio.

    Como é dono de um dos vencimentos mais altos do elenco  – o teto do clube estaria na casa dos R$ 400 mil  –, mesmo que o acordo prevesse divisão de 50% para cada lado, ainda assim a transação custaria uma boa quantia mensal aos cofres são-paulinos: pelo menos R$ 1,6 milhão pelos oito meses de contrato, que se somariam aos R$ 10 milhões já citados da aquisição do atleta e a cerca de R$ 1,2 milhão já desembolsado até aqui com o seu salário. Ou seja, no fim das contas, o São Paulo teria gasto, ao término da temporada, quase R$ 13 milhões por três meses de usufruto da sua principal contratação em 2017.

    Vale lembrar ainda que foi Raí quem costurou o acordo para trazer Diego Souza do Sport, inclusive com a presença do dirigente no Recife para conversar com o meia-atacante e bater o martelo.

    São Paulo desiste

    Por fim, pesou a postura do jogador. Apesar da insatisfação na reserva, em nenhum momento ele forçou a barra ou se colocou à disposição no mercado. Pessoas dos três lados dessa história ouvidas pela reportagem afirmaram que tudo só teve início por iniciativa vascaína. Assim, por volta das 19h da sexta-feira (20), o negócio era dado como encerrado.

    No sábado, Aguirre anunciou a lista de convocados para o confronto diante do Ceará, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro, ainda sem o camisa 9 incluído. No domingo (22), dia da partida, Diego Souza treinava sozinho no CT da Barra Funda enquanto a delegação estava em Fortaleza.

    Após o empate sem gols, a equipe ganhou folga na segunda e na terça. A partir de quarta, o camisa 9 treinava normalmente com os demais companheiros. Na sexta, Aguirre anunciou que ele retornaria aos seus planos.

    Hoje, tanto o estafe do jogador quanto o São Paulo dizem ser "zero" a chance de ele sair. O Vasco ainda alimenta uma pequena esperança, mas vai aguardar as próximas semanas para analisar se o treinador uruguaio vai, de fato, recuperar o atleta em campo ou se tudo isso serviu somente para esfriar os ânimos pelos lados do Morumbi.

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