Christophe Petit Tesson / EFE
Christophe Petit Tesson / EFE

Entenda por que Messi pode jogar na França, mas não conseguiu ficar na Espanha

Existem diferenças do Fair Play Financeiro, as regras de contenção de gastos no futebol, entre os dois países

Redação, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2021 | 13h07

O astro Lionel Messi realiza exames médicos no Paris Saint-Germain nesta terça-feira, 10, antes de assinar contrato com o clube francês. A negociação deve ser concluída rapidamente depois de o Barcelona não conseguir renovar o contrato do argentino dentro das regras do Fair Play Financeiro. Mas por que Messi pode jogar na França, mas não conseguiu ficar na Espanha?

As regras estabelecidas pela La Liga, a entidade que gerencia o futebol espanhol, são diferentes do modelo europeu da União das Federaçõoes Europeias de Futebol (Uefa) no qual o Campeonato Francês se enquadra. A Espanha breca contratações se os gastos vão superar as receitas; a Uefa só analisa as contas no final da temporada. 

Na Espanha, o Fair Play Financeiro define um limite de gastos com a folha salarial que o clube pode ter ao longo do ano. Isso acontece no início de cada temporada a partir do arrecadação no ano anterior.

No caso de Messi, os valores ficariam acima do teto de gastos para 2021/2022 na assinatura do novo contrato. De acordo com o jornal inglês The Guardian, Messi aceitou reduzir seu salário em 50% e ganharia cerca de R$ 1,2 bilhão por ano. Mesmo assim, as contas não batiam.

Vale lembrar que o Barcelona foi um dos clubes mais afetados pela crise econômica causada pelo pandemia do novo coronavírus. Nenhum time espanhol consegue registrar novos atletas se eles ultrapassar o limite de gastos. Por isso, Messi teve de sair do Barcelona.

“Na Espanha, o Fair Play evita que o risco se materialize. Ele é preventivo. Os clubes mandam orçamentos, com previsão de receitas e despesas, e a análise é feita. No caso do Barcelona, Messi teria um novo contrato. Na análise, a despesa não caberia na projeção de receita. Por isso, o registro foi impedido", explica Pedro Daniel, diretor Executivo para o Mercado Esportivo da Ernst & Young.

A situação é bem diferente na França, que adota as regras do Fair Play da Uefa. Não existem regras que impeçam a contratação. A Uefa não determina quanto um clube pode gastar no início da temporada. Ela apenas analisas as contas fechadas no final da temporada. Se há inconformidade, o clube é penalizado. Isso significa que o impacto de Messi no balanço só será analisado no final da temporada.

"Na Uefa, ele (o Fair Play) é mais detectivo. Quando o risco se materializa, ele entra em ação. Na Uefa, é possível contratar, mas a questão salarial causa menos impactos do que na Espanha", compara.

Além de Messi, o PSG contratou o goleiro italiano Gianluigi Donnarumma (Milan), o zagueiro espanhol Sergio Ramos (Real Madrid), o meia holandês Georginio Wijnaldum (Liverpool), entre outros. 

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