Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Enterro de Nilton Santos reúne lendas do futebol brasileiro no Rio

Amigos como Zagallo, Amarildo e Carlos Alberto foram se despedir do ex-lateral da seleção

Leonardo Maia, Agência Estado

28 de novembro de 2013 | 17h56

RIO - Nilton Santos foi enterrado na tarde desta quinta-feira no Rio, sob sol forte e entusiasmo de igual intensidade. Seu legado permanecerá vivo. Conhecido como a "Enciclopédia" do futebol, ele morreu no dia anterior, aos 88 anos, vítima de uma infecção pulmonar. Ficou para a história como o maior lateral-esquerdo de todos os tempos.

Antes de partir rumo ao cemitério São João Batista, em Botafogo, bairro que carrega o nome do único clube que amou e representou em sua carreira, Nilton Santos foi velado por lendas do futebol como ele. Zagallo, companheiro tanto no elenco botafoguense quanto na conquista dos bicampeão mundial com a seleção brasileira em 1958 e 1962, era o mais emocionado.

Abatido, mas com a voz ainda firme, Zagallo despediu-se do amigo rapidamente. "Era uma verdadeira enciclopédia. Ele deixará essa alegria que vemos aqui. Que Deus o abençoe", disse o ex-jogador. Amarildo, outro privilegiado por dividir seus melhores anos como jogador com Nilton Santos, também se deixou emocionar com o adeus ao amigo. O Possesso, atacante que tomou a cena inesperadamente na Copa de 1962, ao substituir o lesionado Pelé, disse que guardaria como lembrança do maior dos laterais-esquerdos a gentileza e a presteza em ajudar os novatos.

"Eu tive a melhor universidade de futebol que um jovem poderia ter. Eu cheguei ao Botafogo em 1958, num time que tinha Nilton Santos, Garrincha, Zagallo e Didi. Aprendi tudo com eles. O Nilton estava sempre disponível para dividir seu conhecimento", comentou Amarildo. E tal traço era destacado por todos que conviveram com Nilton Santos, dentro ou fora de campo. Um homem de hábitos simples e sempre disposto a compartilhar o melhor de si com os outros.

"Meu primeiro encontro com o Nilton foi num jogo entre Botafogo e Fluminense. Eu tinha 19 anos e tive uma vontade grande de pedir um autógrafo, mas não era a melhor ocasião", revelou Carlos Alberto Torres, que teve a honra de dividir posteriormente um mesmo palco com o ídolo, quando eles receberem diplomas da Fifa como os maiores laterais do século 20. Cerca de 200 pessoas acompanharam o cortejo até o cemitério, da sede botafoguense em General Severiano até o cemitério, uma distância curta percorrida em carro do Corpo de Bombeiros. Sob o hino do Botafogo, com uma bandeira do clube a lhe servir de abrigo, Nilton Santos foi sepultado.

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