Phil Noble/Reuters
Phil Noble/Reuters

Entrega de Gabriel Jesus no Manchester City conquista Guardiola

Técnico do City repete Tite, elogia aplicação tática do atacante e minimiza fato de ele fazer poucos gols

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2018 | 05h01

“Um carrinho meu pode ajudar tanto quanto um drible ou um passe... Para fazer gol, a gente tem de roubar a bola.” A resposta de Gabriel Jesus antes da Copa do Mundo de 2018 mostra sua disposição para ajudar na parte tática, seja no Manchester City ou na seleção brasileira. No entanto, a seca de gols no Mundial da Rússia e a irregularidade na volta da temporada parece estar incomodando o atacante revelado pelo Palmeiras. Quem constatou a situação foi o técnico Pep Guardiola, que pediu para seu comandado “relaxar”.

“O Gabriel precisa relaxar, porque eu admiro imensamente o índice de trabalho dele. Estou encantado e ele nos ajuda bastante. Como muitos outros, ele é jovem e ainda vai melhorar muito. Sim, é verdade que os atacantes são julgados pelos gols que marcam, mas nós precisamos bastante dele para o nosso jogo”, explicou o catalão na última semana.

Guardiola é mesmo admirador do futebol de Gabriel Jesus. Vira e mexe, elogia o atacante. Sempre ponderando que se trata de um jogador jovem. “Gosto de como se movimenta, sua pressão à defesa adversária é a melhor do mundo. Mas ainda é um jogador jovem e, naturalmente, tem muito para evoluir no último terço, nas tomadas de decisão, nos pequenos espaços. Mas o mais importante no Gabriel é o desejo de melhorar, está sempre atento aos treinamentos buscando essa melhora”, reforçou em outra ocasião.

O discurso exaltando o comprometimento e a participação de Gabriel Jesus em campo é muito parecido com o feito por Tite durante a Copa do Mundo, competição na qual o atacante jogou quatro jogos e não marcou nenhuma vez. Quando indagado que atacante vive de gols, o técnico brasileiro reforçava: “Artilheiro vive de fazer um grande jogo”.

O próprio jogador chegou mostrar certa irritação com as críticas durante a estadia na Rússia. “Não tenho que falar o que eu faço dentro de campo taticamente. Desde a época de Palmeiras, sou um atleta muito bom taticamente. Entendo bem. Deixo muito no ar que ajudo de qualquer maneira.”

Na atual temporada, Gabriel Jesus balançou as redes cinco vezes em 17 partidas pelo Manchester City. Uma vez em setembro, contra o Huddersfield, na segunda rodada do Campeonato Inglês, uma em outubro, em jogo com o Oxford United, pela terceira rodada da Copa da Liga Inglesa, e três contra o Shakhtar Donetsk, em novembro, pela Liga dos Campeões. 

No entanto, o jogador brasileiro vem perdendo espaço no setor ofensivo, principalmente com a boa fase de concorrentes diretos, como Sterling e Agüero, que balançaram as redes oito vezes cada só no Campeonato Inglês.

Como efeito de comparação, o paulistano criado no Jardim Peri, bairro da zona norte da capital, jogou apenas 471 na liga doméstica, contra 773 minutos de Leroy Sane (6 gols) e 672 minutos de Riyad Mahrez (5 gols).

Líder invicto na Inglaterra, o Manchester City (41 pontos) visita o Chelsea (31 pontos),quarto colocado), no Stamford Bridge, neste sábado, às 15h.

Seleção brasileira. Incontestável durante a campanha das Eliminatórias, quando era o artilheiro da era Tite, com 10 gols marcados, Gabriel Jesus também vem perdendo espaço na seleção brasileira. Convocado para apenas dois dos seis amistosos feitos pelo Brasil após a derrota para a Bélgica nas quartas de final do Mundial, ele balançou as redes em uma oportunidade, contra a Arábia Saudita, e viu seus rivais diretos Roberto Firmino e Richarlison ganharem espaço.

 

 

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