Vinnicius Silva/Cruzeiro
Vinnicius Silva/Cruzeiro

'Envergonhado', Rogério Ceni aponta mudanças no Cruzeiro e ameaça deixar o cargo

Treinador ainda aproveitou para dar choque de realidade nos torcedores sobre vaga na Libertadores

Redação, Estadão Conteúdo

08 de setembro de 2019 | 14h48

Rogério Ceni demonstrou todo seu descontentamento após a goleada por 4 a 1 sofrida pelo Cruzeiro, neste domingo, no Independência, diante do Grêmio pela 18.ª rodada do Campeonato Brasileiro.

"Estou envergonhado. Preferia não estar aqui, venho por educação (dar entrevista). Lamento a situação vivida na rodada e na Copa do Brasil. Temos de fazer diferente. Mesmo que a gente apanhe nos próximos jogos, a atitude vai ter de ser diferente", afirmou o treinador, em entrevista coletiva.

Ceni até ameaçou deixar o cargo no Cruzeiro caso o time não mude de atitude. "Se for para continuar no Cruzeiro, tenho de fazer algo de diferente no elenco, se não tenho de passar a vez para outro que tenha uma mentalidade diferente da minha. Ou se muda a atitude ou não faz sentido continuar."

O técnico aproveitou para dar um choque de realidade nos torcedores, que já viam condições, antes da derrota para o Internacional, quarta-feira, pela Copa do Brasil, de obter uma vaga na próxima Copa Libertadores. "A gente tem de parar de sonhar com essa coisa de Libertadores. Temos de enfrentar a realidade. A realidade é que o time briga contra o rebaixamento. No momento, temos de nos manter fora da zona. Temos Palmeiras e Flamengo (nos próximos jogos do Brasileirão). Não estou pedindo mais jogadores. Peço um tempo para trabalhar mais esses jogadores", disse Ceni, que revelou o desejo de fazer uma intertemporada durante o Brasileiro.

"Meu respaldo é meu trabalho. Acho que tentamos tudo que era possível com essa formação. Mas isso vai mudar, temos de fazer uma mudança drástica, de atitude e de mentalidade de jogo. Vamos fazer uma intertemporada durante o campeonato para melhorar toda essa situação. Se eu for o treinador, é o que temos de fazer", afirmou o comandante cruzeirense, que não quis polemizar após as críticas feitas por Thiago Neves, após a eliminação na Copa do Brasil.

"Desconheço conversa entre jogadores e direção. Não estamos aqui para crucificar o Thiago (Neves), que dentro das melhores condições e cabeça boa, é um jogador importante. Às vezes, o que aconteceu foi que ele viu um amigo (Edílson) no banco."

O capitão Henrique foi um dos mais revoltados após o fim do jogo diante do Grêmio. "Partida horrível, de muitos erros novamente. Ficamos revoltados com o resultado, porque não podemos aceitar isso. Vão se passando os jogos, e a gente vai sofrendo derrotas. A gente não pode ficar da forma que está. Não podemos aceitar", afirmou.

O meio-campista, que está na Toca da Raposa desde 2008, tirando uma breve passagem pelo Santos, entre 2011 e 2012, acumula títulos, como dois Brasileiros e duas Copas do Brasil. A fase cruzeirense, porém, está longe dos tempos de glórias.

Afinal, a equipe mineira ocupa o 16.º lugar, com apenas 18 pontos, três à frente do Fluminense, que abre a zona de rebaixamento. Os cariocas, porém, têm uma partida a menos e, caso vençam o Palmeiras, no meio de semana, colocam o Cruzeiro no Z-4.

"Temos de ir para cima, focar e trabalhar. Não podemos só falar, nossas atitudes dentro de campo não estão acontecendo. Então, temos de rever, olhar primeiro para gente e depois para fora, para o próximo. Só dessa forma, vamos conseguir sair", completou Henrique.

CLIMA TENSO

Após a partida, torcedores cruzeirenses protestaram contra o elenco aos gritos de "Time sem vergonha" e "Thiago Neves, para de beber". A Polícia Militar foi acionada e até utilizou um veículo blindado na ação.

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