Domício Pinheiro/Estadão - 12/07/1989
Na Copa América de 1989, o Brasil levou a melhor no Maracanã Domício Pinheiro/Estadão - 12/07/1989

EQUILÍBRIO MARCA O CONFRONTO ENTRE BRASIL E ARGENTINA

Nos jogos oficiais do duelo centenário, retrospecto é favorável aos argentinos; equipe brasileira diminui a diferença após resultados dos últimos anos

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 07h00

Equilíbrio em 100 anos de história dá o tom de um dos maiores clássicos do futebol mundial. O fato também ajuda a aumentar o rivalidade entre Brasil e Argentina. No próximo sábado, as seleções ficarão frente a frente pela 100.ª vez para escrever mais um capítulo da partida centenária. Dos 99 jogos, disputados entre 1914 e 2012, a seleção brasileira venceu 38, contra 36 da equipe argentina - 25 partidas terminaram empatadas.

Nos confrontos oficiais, válidos por Copa do Mundo, Copa América e Copa das Confederações, os argentinos levam a melhor. Em 37 partidas, a seleção bicampeã mundial superou o rival em 16 oportunidades, com quatro vitórias de vantagem sobre o Brasil (as equipes empataram nove vezes).

Nas últimas décadas, entretanto, o Brasil consegue tirar a diferença. Nos primeiros 50 anos do confronto, a Argentina chegou à vitória 13 vezes, contra apenas duas da seleção brasileira. Na segunda metade da história, o Brasil deu o troco ao vencer nove jogos, contra três do rival.

A seleção argentina atravessa outra série negativa. A equipe não bate o time brasileiro em jogos oficiais há 23 anos, desde 1991, quando fez 3 a 2 na Copa América disputada no Chile. Desde então, o Brasil venceu três partidas, com dois empates. De quebra, derrotou o rival nas finais do torneio sul-americano de 2004 e 2007, no Peru e na Venezuela, respectivamente, além de conquistar a Copa das Confederações em 2005 depois de derrotar os argentinos por 4 a 1 na decisão.

 

A Copa América é a grande arma argentina para ainda manter-se à frente do Brasil no retrospecto geral. Foi durante oito partidas da competição que o Brasil enfrentou o maior jejum de vitórias sobre a Argentina - no total, oito jogos, entre 1922 e 1956. Já os argentinos ficaram 20 anos sem bater a seleção pentacampeão mundial (entre 1963 e 1983).

Nas Eliminatórias, o equilíbrio persiste. No torneio qualificatório para as Copas de 2002 e 2006, por exemplo, cada seleção venceu uma vez em casa. Já na corrida por uma vaga no Mundial da África do Sul, o Brasil empatou sem gols no Mineirão e fez 3 a 1 na Argentina em Rosario.

RELEMBRE DEZ CONFRONTOS

Copa do Mundo 1982

Na segunda fase do Mundial da Espanha, o Brasil mostrou força e futebol refinado para bater os rivais por 3 a 1. Zico, Serginho e Júnior marcaram os gols brasileiros no Sarriá. Ramón Díaz descontou. O resultado praticamente eliminou a Argentina da Copa.

Copa América 2004

Os argentinos venciam por 2 a 1 e asseguravam o título continental até Adriano empatar aos 47 minutos do segundo tempo. Nos pênaltis, o time de Carlos Alberto Parreira venceu por 5 a 4. D'Alessandro errou a única cobrança da série.

Copa América 1989

O Brasil largou bem no quadrangular que definiu o campeão sul-americano de 1989 ao fazer 2 a 0 com Bebeto e Romário, no Maracanã lotado. O título, que não era conquistado pela seleção desde 1949, foi assegurado contra o Uruguai, depois de quatro dias.

Copa das Confederações 2005

Na decisão, a seleção despachou os rivais após um 4 a 1 incontestável. Adriano, carrasco argentino, fez dois gols. Kaká e Ronaldinho Gaúcho também marcaram em Frankfurt.

Eliminatórias da Copa 2002

Jogo nervoso, importante na caminhada do Brasil rumo à Copa 2002. Com bom futebol, o Brasil bateu a Argentina por 3 a 1. Alex abriu o placar de cabeça e Vampeta, com dois gols, completou o placar.

Copa América 1993

Brasil e Argentina se encontraram nas quartas de final da Copa América de 1993, no Equador. Depois de empate por 1 a 1 no tempo normal, a vaga na semifinal foi disputada nos pênaltis. Boiadeiro errou a única cobrança - o chute foi defendido por Goycochea - e a seleção brasileira acabou eliminada.

Copa do Mundo 1990

Mesmo melhor em campo e com mais chances de gol, o Brasil acabou eliminado pela Argentina do Mundial da Itália, logo nas oitavas de final. O gol da vitória foi marcado por Cannigia, após jogada individual de Maradona no meio-campo.

Amistoso 1998

A Argentina foi ao Maracanã enfrentar o Brasil no último jogo da seleção no País antes da Copa da França. Claudio López balançou a rede no final da partida e deu a vitória ao time azul e branco.

Amistoso 2012

Segundo confronto direto entre Messi e Neymar com a camisa das suas seleções. E o argentino desequilibrou ao marcar três vezes na vitória por 4 a 3 nos Estados Unidos.

Copa América 1983

A Argentina voltou a derrotar o Brasil em jogos oficiais depois de 20 anos. O fato deu-se na primeira fase da Copa América de 1983. Em casa, o time fez 1 a 0, gol de Ricardo Gareca. ex-técnico do Palmeiras.

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'Enfrentar a seleção da Argentina é diferente', diz Vampeta

Ex-volante relembra partida na qual marcou dois gols contra os argentinos e afirma que sempre jogou bem diante do rival

Entrevista com

Vampeta

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 07h00

Vampeta disputou 41 jogos com a camisa da seleção brasileira, entre setembro de 1998 e agosto de 2002. Versátil, o ex-volante tornou-se o principal destaque de uma vitória inesquecível do Brasil sobre a Argentina, em julho de 2000. Na ocasião, marcou seus dois únicos gols pelo time nacional. "Sempre joguei bem contra a Argentina", disse.

No total, Vampeta enfrentou os argentinos em quatro oportunidades, com duas vitórias e duas derrotas. Além do triunfo por 3 a 1 no Morumbi, válido pelas Eliminatórias da Copa 2002, o ex-meia estava em campo quando o Brasil de Vanderlei Luxemburgo fez 4 a 2 na Argentina, no Beira-Rio, em um amistoso. Em entrevista ao Estado, o pentacampeão mundial faz uma análise da atual seleção e admite: "A Argentina está à frente do Brasil hoje."

O jogador brasileiro entra em campo mais 'pilhado' contra a Argentina?

Entra, sim, com certeza. O jogador entra mais atento em campo. Enfrentar a Argentina é diferente de enfrentar qualquer outra seleção do mundo.

Foi isso que aconteceu naquele jogo de 2000? O Brasil fez o primeiro gol em cinco minutos...

Nós precisávamos ganhar da Argentina naquele dia, pois vínhamos de um resultado ruim nas Eliminatórias, uma derrota para o Paraguai por 2 a 1. Precisávamos  daquela vitória no Morumbi. Viajamos para São Paulo logo depois da derrota em Assunção e entramos em campo com outra pegada. E o coro comeu no Morumbi.  Estádio lotado, vencemos por 3 a 1. Já entramos em campo com o pensamento de vencer porque sempre ganhávamos da Argentina em casa.

E fora de casa?

Os clássicos que joguei contra eles, nós ganhávamos em casa. E eles derrotavam o Brasil lá na Argentina. E sempre dei sorte contra eles. Em 1999, no Paraguai, em um estádio neutro, vencemos na Copa América (jogo válido pelas quartas de final. Vampeta ficou no banco de reservas durante a vitória por 2 a 1).

O jogo de 2000 foi o melhor da sua carreira na seleção?

Fiz um jogo melhor, contra a Bolívia, no Maracanã, quando dei cinco passes para gol e sofri um pênalti. Eu acho que esse foi o melhor, mas sempre joguei bem contra a Argentina. Em Porto Alegre, nós ganhamos por 4 a 2 da Argentina, arrebentamos (amistoso no dia 7 de setembro de 1999). O jogo de 2000 contra eles também foi um dos melhores porque fiz dois gols importantes.

O aspecto mais difícil do confronto é a catimba argentina?

A catimba deles é bem parecida com a do Uruguai e Paraguai. Era mais difícil enfrentar a Argentina por causa do time, da qualidade técnica. Eram grandes jogadores na minha época. Quando eu  jogava tinha Crespo, Simeone, Verón, Ayala. O brasileiro sabe lidar com a catimba deles.

Quem é melhor hoje: Brasil ou Argentina?

Do meio para frente eles são melhores, são mais fortes. No time brasileiro, só o Neymar dribla e faz alguma coisa diferente em campo. Está faltando mais isso ao time. A seleção argentina é vice-campeão mundial, está à frente do Brasil, que está começando um trabalho novo. Os argentinos, depois da Copa, fizeram quatro gols na Alemanha fora de casa e sem o Messi. Mas a Argentina quase sempre 'pipoca' quando enfrenta o Brasil fora de casa.

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