Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Equipe do ‘Estado’ analisa punição a jogador que comemorar gol com a torcida

Caso voltou a ser assunto após a expulsão de Janderson, do Corinthians, no clássico com o Santos, em Itaquera

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2020 | 10h00

Jornalistas do Estado analisam a expulsão de Janderson após comemorar o segundo gol do Corinthians no clássico com o Santos, domingo, pelo Campeonato Paulista e a decisão da CBF de descartar a possibilidade de mudança na recomendação aos árbitros para esse tipo de atitude dos atletas. Pelas determinações da Comissão de Arbitragem da CBF, nenhum atleta de futebol no Brasil pode festejar gol "colocando em risco" pessoas presentes, como entendem os membros da entidade quando um atleta se aproxima da torcida.

SEGURANÇA DO TORCEDOR EM PRIMEIRO LUGAR

No dia 20 de setembro de 1995, o então lateral-direito Vitor fazia sua primeira apresentação com a camisa do Corinthians em uma partida oficial. O clube paulista venceu o Vitória por 3 a 0, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro daquele ano e disputado no estádio Joaquim de Morais Filho, o Joaquinzão, em Taubaté. Após a partida, Vitor, que havia sido revelado pelo São Paulo e já tinha em seu currículo passagens pela seleção brasileira, vai até a beira do campo e arremessa sua camisa para a torcida. O empurra-empurra foi tão grande que o parapeito da arquibancada não suportou e mais de trinta torcedores despencaram no fosso do estádio.

Por pura sorte, nenhum corintiano se machucou naquele dia. Outro caso famoso foi o do atacante Ronaldo Fenômeno, que em 2009 estreou pelo Corinthians em um clássico com o Palmeiras, entrou em campo no final do jogo e marcou o gol do empate por 1 a 1 em Presidente Prudente – na celebração, o jogador subiu no alambrado do estádio e a estrutura desabou. Ninguém ficou ferido.

Para evitar que torcedores como os que estavam em Taubaté há quase 25 anos, ou como os que estavam em Presidente Prudente há 11, sofram algum tipo de acidente é melhor mesmo que a celebração dos jogadores fique restrita aos gramados. Além disso, não há como a arbitragem ignorar um detalhe que existe na regra do esporte. O cartão amarelo nesse tipo de comemoração pode até ser injusto, mas mais injusto ainda é deixar a segurança de qualquer torcedor em segundo plano.

Glauco de Pierri, editor assistente de Esportes

 

A DO BOM SENSO É A MELHOR REGRA NESTES CASOS

Fazer cumprir a regra é fácil, cômodo, até porque é correto. A determinação de se punir quem comemora gol com a torcida, porém, também fala em risco à segurança, algo que não é sempre que haverá em situações como a protagonizada por Janderson na Arena Corinthians. Naquele domingo, talvez fosse mais indicado o árbitro, que como todos os outros já descumpriu a regra várias vezes ao apitar, posto que todos estão sujeito a erros, ter aplicado a regra do bom senso. Em vez de cartão amarelo, uma bronca poderia ter efeito didático, educativo, conscientizador. Para o empolgado jovem de 20 anos e para muitos outros. Mas aplicar friamente a regra é mais fácil, e mais seguro para o árbitro, pois evita que seja colocado na geladeira, do que ter bom senso.

Almir Leite, editor assistente de Esportes

 

A JUSTIÇA É CEGA. E OS ÁRBITROS?

Diz o dito popular "pau que dá em Chico dá em Francisco". Ou seja, a lei tem de ser igual para todos: fortes e fracos, ricos e pobres. Não dá para punir jogador que comemora com a torcida no Campeonato Paulista ou no Campeonato Brasileiro e permitir esse tipo de festa em jogos da Copa do Mundo. A regra do futebol tem de ser universal. Independentemente da competição, precisa ser igual para todos.

Há quem diga que a graça do futebol está na polêmica. Pode ser, mas não quando se trata de interpretação da lei. A CBF não pode ter um entendimento próprio da legislação internacional. Se em competições da Fifa é permitido aos atletas o direito de festejar com os torcedores, no Brasil, na China ou no Gabão tem de ser igual também.

Raphael Ramos, editor assistente de Esportes

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