Nilton Fukuda/Estadão
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Parceria do Palmeiras com a Crefisa já pode ser chamada de era, a exemplo do que foi a Parmalat

Empresa italiana de leite ganhou 11 títulos enquanto nova dobradinha já tem quatro

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 05h00

O Palmeiras está prestes a ganhar uma nova “era” na gestão do seu futebol, a exemplo do que ocorreu na década de 1990 quando estava de braços dados com a italiana do leite Parmalat (1992-2000). Trata-se da era Crefisa, a empresa nacional de crédito pessoal que já investiu mais de R$ 350 milhões no clube desde seu primeiro contrato, em abril de 2015. Depois de seis anos de dobradinha com o Palmeiras, é possível no futebol chamar esse período de uma era.

Com a ajuda da financeira e uma política forte de gestão de dois presidentes, Paulo de Almeida Nobre e Maurício Precivalle Galiotte, o Palmeiras já ganhou quatro títulos importantes e tem a possibilidade de aumentar essa conta com mais três competições da temporada 2020-21 ainda em disputa: Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. No primeiro duelo da semifinal da disputa sul-americana, o Palmeiras ganhou do River Plate por 3 a 0, encaminhando sua classificação para a decisão. Se isso ocorrer, ou parte disso, a era Crefisa se aproximará dos feitos da era Parmalat, com 11 títulos ao longo da parceria de oito anos com o clube.

O primeiro jogo do Palmeiras sob a bandeira da Parmalat foi feito em 26 de abril de 1992, vitória de 1 a 0 sobre o Cruzeiro pelo Brasileiro. Palmeiras/Parmalat contratou jogadores como Edmundo, Edilson, Rivaldo, Evair, Zinho, Mazinho, Asprilla, Roberto Carlos, Antônio Carlos, César Sampaio, Muller, Luizão, Djalminha, Cafu, Paulo Nunes, Alex e tantos outros. A lista é recheada. E quase teve o segundo melhor de todos, Diego Armando Maradona (1960-2020), mas a negociação não deu certo. Para comandar esses craques, ofereceu o elenco para dois treinadores em ascensão e que passariam depois pela seleção brasileira. O primeiro deles foi Vanderlei Luxemburgo. Mais tarde veio Luiz Felipe Scolari.

Na era Parmalat, o Palmeiras quebrou jejum de 17 anos sem conquistas. Ao longo da comunhão, o torcedor pôde comemorar três títulos Paulistas (1993/94 e 1996), dois Brasileiros (1993/94), uma Copa do Brasil (1998), dois Rio-São Paulo (1993 e 2000), uma Copa Mercosul (1998), uma Libertadores (1999) e uma Copa dos Campeões da CBF (2000) – torneio disputado por nove clubes, entre eles Flamengo, Cruzeiro e São Paulo, para apontar o quarto representante brasileiro da Libertadores do ano subsequente, 2001.

A cogestão, em alguns momentos mais tensos e outros nem tanto, mudou o Palmeiras de patamar. Todos queriam jogar na equipe, que ganhava títulos e pagava bem. Aliás, uma das críticas do período baseava-se no fato de a Parmalat encarecer e inflacionar os contratos dos jogadores, em alguns casos pagando na moeda americana.

A era Crefisa começou sob ótica diferente, embora as duas empresas sempre trabalharam para divulgar seus produtos, serviços e marcas. A parceria com a Crefisa é mais personalista na figura da presidente da empresa, Leila Pereira, apaixonada pelo Palmeiras e que se tornou conselheira do clube para um dia assumir sua presidência, transformando-se na primeira mulher no seu comando.

O dinheiro começou sem limites, com a contratação de jogadores aos montes feita sob a batuta do gerente Alexandre Mattos. O modelo de negócio era bancar os acertos e receber lá na frente, sem prazo estipulado, com o objetivo de fazer o time ganhar partidas e campeonatos. A Libertadores e o Mundial de Clubes da Fifa viram obsessões. Antes desse período, o palmeirense viu o Palestra Itália ser trocado pelo Allianz Parque. Na era Crefisa, o Palmeiras ganhou um Paulista (2020), dois Brasileiros (2016 e 2018) e uma Copa do Brasil (2015).

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