Era Teixeira teve ajuda de Havelange

Ricardo Teixeira surgiu no futebol graças ao ex-sogro João Havelange. Em meados dos anos 80, o atual presidente da CBF atuava numa corretora de valores, a Minas Investimento. Era casado com Lúcia e acompanhava à distância a gestão do então presidente da Fifa. A afinidade com o genro propiciou o amadurecimento de uma idéia levada a cabo por Havelange: queria ver Teixeira na presidência da CBF. Trabalhou nos bastidores e foi decisivo para que isso ocorresse. Em 1989, Teixeira chegava ao poder do futebol brasileiro. Disputaria a eleição com Otávio Pinto Guimarães, que, pressentindo a derrota, desistiu do pleito. Teixeira teve o dissabor de ver o Brasil eliminado na segunda fase da Copa do Mundo da Itália, em 1990. E sofreu críticas por não ter impedido o protesto dos jogadores, que posaram para a foto oficial da seleção, em Teresópolis, com esparadrapo sob o logotipo da Pepsi, a patrocinadora da equipe no Mundial da Itália. A partir desse episódio, o dirigente nunca mais deixou vazar problemas de negociação com jogadores por causa de prêmios. Ele tem um saldo com a seleção em se tratando de mundiais - em quatro disputas desde 1989, o Brasil venceu duas e foi vice-campeão em 1998. Teixeira também trouxe para a CBF grandes parceiros, como a Coca-Cola, a Nike e a Ambev. Fez contratos milionários com as empresas e sempre deu suporte às seleções - tanto à principal quanto às de base.Sua maior falha, de acordo com opositores, foi ter feito ?vista grossa? ao concomitante empobrecimento dos clubes. No comando da CBF, Teixeira virou as costas para os clubes, criou um sistema de extrema dependência com as federações, com ajudas financeiras e políticas, e estabeleceu critérios pouco claros para a escolha dos representantes em competições sul-americanas. Teixeira consentiu que os diretores da entidade passassem a ser remunerados no seu quarto mandato. Fato revelado pela CPI do Senado, em 2001, saltou os olhos do público: a quantia recebida pelos dirigentes eram vultosas - quase R$ 40 mil, para alguns. Isto também aumentou as críticas contra sua última gestão. Meses atrás, ainda sob o impacto do pentacampeonato mundial, ele afirmou categoricamente. ?Cumpro o meu último mandato.Não há a menor possibilidade de eu voltar atrás." Quer agora ficar até 2008.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.