Escaldado, Leão tenta conter euforia

O São Paulo não quer que a festa anunciada no Pacaembu, quinta-feira à noite, se transforme em um show de horror. É por isso que Emerson Leão pede tanta cautela a seus jogadores desde a semana passada, quando a equipe disparou na ponta do Campeonato Paulista - 10 pontos de vantagem sobre o Santos. Mesmo com uma campanha impecável, ele não gosta de assumir o favoritismo nem mesmo diante da desesperada Portuguesa. "Estou há muito tempo no futebol, sou vivido, já vi de tudo... E só comemoro se ganhar", avisa o técnico. "Podemos ser apontados como favoritos pelos números da classificação. Só. Mas é preciso traduzir tudo isso dentro de campo."Enquanto a torcida já deu início à festa, sábado passado, antes mesmo da vitória sobre o Santo André, os jogadores ainda tem receio de que um tropeço diante da Lusa possa desestabilizar o São Paulo nas três rodadas restantes. "Se a gente se esforçar bastante e mesmo assim perder, ninguém vai dar mérito para a Lusa. Vão falar que foi salto alto, mesmo que não tenha sido", ressalta Grafite. "Por isso, a gente tem de se esforçar ainda mais e evitar essa surpresa."É como se uma derrota e o fim da invencibilidade que já dura 18 partidas fosse capaz de iniciar um declínio repentino do São Paulo, sendo capaz até de impedir a conquista do título, tão próximo. "Não seria uma catástrofe porque as catástrofes não são anunciadas. Se isso (a perda do título) acontecesse, seria algo premeditado e que teria outro nome. Só não sei qual", diz.Apesar da disparidade entre São Paulo e Portuguesa, o técnico lembra: "São objetivos distintos mas a satisfação é igual. Os dois pensam em vencer. A Portuguesa está com um treinador diferente, com a ambição renovada e, por isso, temos de jogar sem mudar." No embalo do treinador, Grafite é outro que prefere enxergar os pontos fortes do adversário. "Temos de sempre respeitar a Portuguesa e lembrar que eles derrotaram o Palmeiras dentro do Parque Antártica. Todos sabem do momento ruim que eles vivem mas no futebol pode acontecer de tudo", analisa, bastante cauteloso.Sexta-feira, Leão deixou claro que os jogadores obviamente estavam felizes com a campanha da equipe, mas que se percebesse alguém comemorando antes da hora, poderia até sacar o atleta da equipe como forma de punição.Nesta terça-feira, o treinador teve de controlar o primeiro caso de euforia em demasia. Uma foto de Diego Tardelli estampada na capa de um jornal, segurando um extintor de incêndio e garantindo já ter alugado um caminhão do Corpo de Bombeiros em Santa Bárbara D?Oeste para comemorar o título em grande estilo desagradou - e muito - o treinador. Antes do treino, o atacante teve de ouvir um sermão de Emerson Leão. "Hoje, li coisas que não gostei nem um pouco. O alerta veio desde a semana passada e se essa euforia não for controlada, vou tirar jogador do time", ameaçou Leão, novamente. "O campeonato ainda não acabou, ninguém recebeu a taça e ainda temos em disputa 12 pontos pela frente. Não quero estrelismo e sim respeito."Cedo - Tardelli, porém, terá uma segunda chance. A boa fase impede que o técnico, mesmo que rigoroso, tire o atacante da equipe apenas para provar a força de seu comando. Sobre a equipe que enfrentará a Portuguesa, Leão faz mistério. As dúvidas no meio-de-campo parece que serão resolvidas apenas momentos antes do jogo. "Ainda é prematuro dizer", despista.

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