Escândalo: Danelon se declara inocente

Abalado psicologicamente e sob cuidados médicos, o árbitro Paulo José Danelon ? citado por Edílson Pereira de Carvalho em seu depoimento ? resolveu se apresentar espontaneamente nesta terça-feira à Polícia Federal. Danelon deve prestar esclarecimentos às 14 horas, em São Paulo. ?Ele está muito abatido com tudo o que está acontecendo?, disse seu advogado, Paulo Rogério Bonini, que esteve nesta segunda na sede da Polícia Federal em São Paulo. ?A casa dele em Piracicaba está cercada de curiosos e a preocupação entre os familiares é muito grande, pois chegou a ser divulgado pela imprensa que ele já estaria preso.?Bonini inocentou seu cliente, que não teria nenhuma participação em esquemas de arbitragem. ?Ele só conhece o Edílson de vista, tiveram contato apenas em algumas reuniões do quadro de árbitros da Federação Paulista e da Confederação Brasileira de Futebol?, contou Bonini.O advogado disse ainda que Danelon não teve contato com o empresário Nagib Fayad, o Gibão, que também é de Piracicaba, mas o conhece porque ?Piracicaba é pequena e todos se conhecem por lá? ? esquecendo-se que a cidade tem mais de 358 mil habitantes. ?Não há prisão decretada contra meu cliente?, ressaltou Bonini. ?Mas ele não teme a prisão, pois não tem a menor idéia do motivo pelo qual seu nome foi citado nesse processo.? Bonini deixou claro ainda que Danelon se apresenta à Polícia Federal de livre e espontânea vontade. Seu nome, entretanto, apareceu no esquema de corrupção da arbitragem como sendo ele o elo de ligação entre Edílson e Nagib. A PF acredita na sua participação no esquema, mas ainda não tem provas conclusivas sobre isso. O escândalo do apito pode ainda ser investigado pela CPI dos Bingos. Embora contestada, a iniciativa é do vice-líder do PT, o senador Tião Viana, do Acre. Ele apresenta nesta terça-feira requerimento convocando a depor na comissão os dois principais envolvidos no caso, o empresário Nagib Fayad, o Gibão, e o árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que permanecem presos na sede da Polícia Federal. A Assembléia Legislativa de São Paulo também se reúne nesta terça para decidir sobre a criação de uma CPI do futebol, pedido de 2003 do deputado Romeu Tuma Júnior, do PPS. O escândalo do apito também seria alvo das investigações.

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