Divulgação/Amazon Prime
Divulgação/Amazon Prime

Escândalo do Fifagate vira série com referências a Ricardo Teixeira e José Maria Marín

Produção da Amazon Prime Video mostra o esquema de corrupção na Conmebol e o envolvimento de dirigentes das federações sul-americanas

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 05h00

Cinco anos depois de um dos maiores escândalos do futebol mundial, os bastidores do esquema de corrupção do chamado Fifagate viraram a série El Presidente, que estreia na próxima sexta-feira no Amazon Prime Video. A história conta em detalhes como dirigentes dos países representantes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) operavam um esquema de crimes e de propinas ligados principalmente à venda de direitos de transmissão de campeonatos.

A série tem oito episódios de cerca de uma hora de duração cada e retrata a atuação de diversos nomes que nos últimos anos estiveram em manchetes na imprensa pelo envolvimento em processos criminais e até prisão. Estão representados na trama os dois ex-presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira e José Maria Marín, além do empresário José Hawilla, dono da empresa responsável pela comercialização dos direitos de TV. 

Dos estrangeiros, o ex-presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, se mostra como um dos grandes cabeças de todo o esquema. Outro nome importante é o americano Chuck Blazer, conhecido no futebol pelo apelido de Mister 10%, uma referência à quantidade de suborno cobrada por ele na intermediação dos contratos. No entanto, o protagonista é dirigente chileno Sergio Jadue, que apesar de desconhecido, deixou o posto de presidente do modesto Unión La Calera para ser peça-chave em um esquema de subornos no valor de US$ 150 milhões (cerca de R$ 780 milhões).

O Estadão assistiu aos primeiros episódios e também fez entrevista exclusiva com uma das protagonistas da série. A atriz mexicana Karla Souza, famosa pela atuação em How to Get Away with Murder, interpreta uma agente do FBI que se infiltra nos bastidores da Conmebol para investigar de perto os dirigentes. 

"O público verá com a série que o poder (do futebol) não está nas mãos de quem está em campo, mas sim com pessoas desconhecidas. Os jogadores são peões, e não as estrelas", disse a atriz. "Mesmo para quem não acompanha o futebol, é uma série empolgante, com ação, drama e comédia", completou. Para interpretar o papel, ela teve aulas específicas para treinar um sotaque venezuelano e foi atrás de ler reportagens e detalhes sobre o complexo esquema do Fifagate

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Mesmo para quem não acompanha o futebol, é uma série empolgante, com ação, drama e comédia
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Karla Souza, atriz

Apesar de gostar de futebol e de acompanhar sempre os jogos da seleção mexicana em Copas do Mundo, Karla admitiu que a série é capaz de levar as pessoas a terem outra visão sobre o esporte. "Nunca havíamos pensado no alcance da corrupção. Todos nós somos até vítimas disso. Particularmente o papel que fiz mudou muito a minha visão sobre o futebol, porque não imaginava que os esquemas fossem dessa maneira", comentou.

A série dirigida pelo roteirista argentino Armando Bo também aborda episódios marcantes da história recente do futebol continental. Jogos da Copa do Mundo no Brasil, disputa da Copa América e partidas importantes do Campeonato Chileno são realizados enquanto nos bastidores os dirigentes fazem acordos obscuros e organizam viagens luxuosas para os Estados Unidos.

Embora o intervalo de apenas cinco anos entre o escândalo e a série seja relativamente pequeno, os nomes centrais da história atualmente estão bem longe dos poderes que tanto lhes renderam prestígio. O próprio ex-presidente da CBF, José Maria Marín, cumpriu nos últimos anos prisão domiliciar nos Estados Unidos e só recebeu permissão para sair por causa da pandemia do novo coronavírus. Outros dirigentes acabaram banidos do futebol pela Fifa, como o chileno Sergio Jadue, e o esquema de corrupção forçou a Conmebol a realizar uma profunda mudança estrutural. 

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