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Seria bom que Neymar e mentores apurassem a sensibilidade nas atitudes

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2018 | 08h34

Preferência nacional é descermos a ripa em personalidades públicas, sobretudo as de casa. De políticos a artistas, de cientistas a esportistas, de religiosos a trambiqueiros, ninguém escapa às cornetadas do dia a dia. Nem precisa de motivo; a visibilidade já basta para a fofocagem e as sentenças definitivas. Com motivo, então...

Pois não é que Neymar deu brecha de novo para as críticas?! O moço saiu da Copa com imagem arranhada, aqui e no mundo todo. As roladas no chão viraram temas de charges, artigos, comentários irados e irônicos. Até o choro no meio do gramado, depois do jogo com a Costa Rica, foi colocado em dúvida. 

Entrou mudo e saiu calado da aventura na Rússia, sumiu do mapa por uns dias e reapareceu num evento do instituto ao qual batizou com o próprio nome. Vestido de gala, deu algumas declarações, afirmou que o luto havia passado e dedicou-se ao encontro com notáveis, famosos e/ou endinheirados que participaram de leilão beneficente.

Não satisfez a decepção popular, ainda ressentida com o fiasco da seleção.

Daí enfurna-se outra vez em seu refúgio – está em férias –, para ressurgir num longo comercial, no domingo à noite, em fantástico programa de tevê. Na peça publicitária de um minuto e meio, recita um texto que pretendia soar como desabafo, explicação e promessa de reerguer-se. Com o fecho de ouro: “Porque quando eu fico de pé, parça, o Brasil inteiro levanta comigo”.

Parecia jogada de marketing impecável. Casava o depoimento do astro abatido e triste, porém esperançoso, com uma campanha de lâmina de barbear. Pois é, parecia. No mesmo dia e no seguinte, levou trancos mais duros do que as botinadas dos zagueiros. Noves fora os fãs incondicionais, conteúdo e interpretação não convenceram. O moço ficou com bolsos cheios, mas com os ouvidos doendo de buzinadas.

Antes de mais nada, que fique claro: Neymar não cometeu nenhum ato ilícito. Ele é garoto-propaganda da marca, como tantos outros atletas são ou foram. Ou seja, ganha o dinheiro de maneira transparente. Tem um contrato em vigência e o honrou com o trabalho. Nada reprovável ou escabroso.

A questão concentra-se na inadequação do tema. Se a tentativa era a de reluzir a cara de Neymar, deixá-la macia e suave ao toque do aparelho moderno e anatômico, etc. e tal, foi uma bola fora – mesmo com ótima intenção. Até agora ele e staff não se deram conta de que uma entrevista franca, um encontro informal com meios de comunicação, seriam mais eficazes para tirar o ranço que ficou. Depois, a publicidade viria como complemento. 

Houve falha de cronograma e de sensibilidade. E dá-lhe bolar mais ações que o elevem – e, nunca é demais lembrar que, além do valor futebolístico (tem de sobra), é uma mina de dinheiro. Porém, a dúvida cutuca: será que há interesse em lapidar a imagem, já que o pai, empresário e um dos mentores, disse que não se deve mexer naquilo que está dando certo?

Bom, cada um faz as escolhas que considerar certas. Feio é roubar. Fico na torcida para que Neymar volte a destacar-se por dribles e gols. 

Tricolor paulista

A propósito de alfinetar: em diversas ocasiões, fiz restrições aos rumos que o São Paulo tomava, dentro e fora de campo. Decisões estapafúrdias o tiraram da rota de títulos e o aproximaram, até, da humilhação do rebaixamento.

Agora, porém, merece elogios. Depois de muito tempo, finalmente traz esperança para a plateia que o segue. A equipe sob o comando de Diego Aguirre esbanja aplicação, atenção e seriedade. Longe de ser impecável, tampouco se comporta como um grupo desolado e aparvalhado. Por isso, faz sombra ao Flamengo na busca pela liderança. Que tenha fôlego para manter o ritmo. 

 

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