Nelson Perez/Divulgação
Nelson Perez/Divulgação

'Escapar da queda em 2009 foi maior conquista', diz técnico do Fluminense

Para Abel Braga, não ter sido rebaixado há três anos gerou o time campeão

LEONARDO MAIA E SÍLVIO BARSETTI, Agência Estado

11 de novembro de 2012 | 21h00

RIO - Grandes clubes de futebol vivem de conquistas, craques e ciclos vitoriosos memoráveis. Os últimos quatro anos do Fluminense podem ser comparados em grandeza aos que fizeram os times do Fla, de Zico, nos anos 80 ou ainda aos do São Paulo, de Telê Santana, na década seguinte. Embora não tenha obtido um título mundial, como seus dois coirmãos, o Flu faz história desde uma arrancada improvável na reta final do Campeonato Brasileiro de 2009, em que sua queda para a Série B já era dada como definitiva até mesmo pelo mais cético dos tricolores cariocas.

Livrou-se do rebaixamento e desde então seus jogadores passaram a receber da torcida uma novo título, o de time de guerreiros. Cânticos com a expressão acompanharam o Flu também em 2010, quando Muricy Ramalho levou a equipe a vencer o Brasileiro. A ascensão rápida varreu a crise e a descrença nas Laranjeiras. Em apenas um ano, a equipe tricolor voltou ao topo e ganhou seu terceiro título da competição.

Em 2011, o time de guerreiros também fez por merecer o acolhimento de sua cada vez mais fanática torcida. Passou por um momento difícil, quando Muricy pediu demissão em março, ao alegar que não poderia trabalhar mais num clube com tanta carência de estrutura. O Flu então acertou a contratação de Abel Braga e recomeçou um trabalho que terminou naquele ano com honraria: foi o terceiro colocado do Brasileiro, mantendo-se em condições de tirar o título do Corinthians e o vice do Vasco até a penúltima rodada.

Com mais tempo para arrumar a casa, Abel pediu reforços, fez questão de não deixar Fred sair do Flu e ganhou o Campeonato Carioca deste ano com facilidade, tal a supremacia sobre os outros grande do Rio. No início do Brasileiro, encerrado neste domingo para o time, com três rodadas de antecipação, já ficavam claros a qualidade e o objetivo do Fluminense. Estava na briga por mais um título, em que pese o grande início de campeonato do Atlético-MG.

Em retrospectiva, todos nas Laranjeiras são unânimes em atestar que a verdadeira virada não foi a conquista de 2010, mas sim evitar o descenso no ano anterior, que poderia ter representado um desmonte da equipe, principalmente dos jogadores com mais mercado. Dificilmente o Fluminense conseguiria segurar Fred para a eventual disputa da Segunda Divisão. "Talvez a maior conquista dos últimos anos não tenham sido os títulos, mas evitar a queda em 2009", frisou Abel.

Mais do que isso, a arrancada de 2009 comandada pelo então técnico Cuca e por Fred, sempre ele, criou o forte laço entre time e torcida, que louvavam seus heróis com o cântico "time de guerreiros", em substituição ao "time sem vergonha", entoado quando a equipe se afundava na lanterna do Brasileiro e a fuga do rebaixamento parecia um delírio.

"Esse negócio de time de guerreiros deu uma responsabilidade muito grande (para os jogadores que chegaram depois). E os jogadores que ficaram daquele time ganharam uma confiança enorme. Isso também resgatou a autoestima da torcida", destaca Abel.

O grito se transformou numa espécie de hino informal das arquibancadas e chegou a suplantar o tradicional "A bênção, João de Deus", anteriormente cantado sempre que o Fluminense se encontrava em maus lençóis.

Nesta campanha histórica de 2012, com poucos momentos adversos enfrentados por Fred e companhia, o cântico serviu mesmo para glorificar um dos times mais fortes da história tricolor.

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