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Escola de esportes facilita integração de jovens da Venezuela em Roraima

Projeto da Unicef e da ONG Visão Mundial oferece futebol, vôlei e xadrez para 80 crianças e adolescentes

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2019 | 16h14

Uma escola de esportes mantida pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pela ONG Visão Mundial utiliza o futebol, vôlei e xadrez para facilitar a integração dos venezuelanos que chegam ao País. Localizado em Boa Vista, capital de Roraima, o projeto oferece aulas regulares para 82 crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que vivem nos 15 abrigos da cidade. É um projeto itinerante. Um professor de Educação Física e dois assistentes, contratados pela ONG, vão até os abrigos e oferecem aulas e atividade física para os venezuelanos.

O objetivo do projeto é fazer com que o esporte acelere e facilite a inserção dos estrangeiros. Para Renata Cavalcanti, gerente de Projetos da ONG Visão Mundial, o esporte quebra as barreiras do idioma, por exemplo, pois tem uma linguagem universal e facilita a troca de experiências. Além disso, reforça a autoestima de pais e mães, que costumam assistir às aulas.

Diante das dificuldades para conseguir emprego e moradia, os venezuelanos vivenciam a alegria dos fillhos. "As crianças adoram o esporte. Com isso, o esporte é um dos poucos momentos de alegria dos pais venezuelanos, que vivem um contexto de desafios para se adaptarem culturalmente", explica a gestora da ONG que promove ações de educação, saúde e proteção à infância em 10 estados brasileiros.

Todos esses conceitos se materializam na trajetória de Iris Rodriguez, de 41 anos. Ela chegou ao Brasil no ano passado, mas ainda não conseguiu emprego fixo. "Está muito difícil", diz a venezuelana que trabalhava como auxiliar em um laboratório clínico, chegou a estudar Direito, mas não concluiu o curso. Hoje, ela trabalha como diarista. Ganha 30 reais por dia. Ela, o marido e três filhos vivem em quarto alugado por 500 reais, mais água e luz. O espaço é compartilhado com outros venezuelanos, em Boa Vista. Ao todo, são seis pessoas. 

Seu marido, Humgles Alexander Navarro, era técnico em administração de pessoal na Venezuela, mas hoje trabalha vendendo café. Ela tem três filhos. Charlee Patete é um dos mais entusiasmados com o futebol. "Estou muito feliz que meu filho participe da escola. É uma grande alegria vê-lo bem e jogando futebol. Ele adora", diz Iris Rodriguez. 

Obviamente, as aulas vão além dos ensinamentos para passes e finalização nas aulas de futebol. Os professores compartilham lições de cidadania, comportamento, saúde, alimentação e costumes próprios dos brasileiros. "Eles vivem um contexto de adaptação cultural ao um novo país. A alimentação, por exemplo, é completamente diferente. As crianças precisam de apoio emocional para se adaptar. O esporte ajuda muito", afirma Renata.

A exemplo do que ocorre com dezenas de ações sociais e culturais, o desafio do projeto é conseguir recursos para se manter. A verba destinada pela Unicef só garante a continuidade até dezembro. Depois, a ONG precisa atrair doações de pessoas físicas e jurídicas para continuar ensinando futebol e cidadania para as crianças venezuelanas. O custo total para manter o projeto por seis meses é de R$ 54 mil, considerando os professores, coordenação, reposição de material, transporte e alimentação. 

Desde 2015, Roraima recebe um número crescente de imigrantes venezuelanos que fogem do país natal em razão da crise econômica e política vivida. Hoje estima-se que 32 mil estão vivendo em Boa Vista. 

Na Copa América, a Venezuela acabou eliminada nas quartas de final com boa participação. A Venezuela terminou a primeira fase invicta, quando inclusive conseguiu arrancar um empate diante do Brasil. 

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