Escolha o programa

A “Escolinha do Professor Raimundo” virou clássico do humor nacional - a ponto de merecer reprise com boa audiência e ter versão atualizada, com novos atores e seguindo o modelo antigo. Um dos personagens marcantes da turma comandada por Chico Anysio era Armando Volta, interpretado pelo humorista David Pinheiro. Enrolador, puxa-saco e sempre em busca de vantagem na chamada oral, usava como bordão o “Sombody Love”. De quebra, dava um presentinho para amolecer o mestre. Outro programa famoso pelas trapalhadas é o “Zorra Total”.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2015 | 07h00

 

Pois a semana está pródiga em atos de “Somebody Love” ou de confusão. Como?! Não, não há referência à política nacional. Nesta tem sempre algo bizarro a ocorrer, embora também haja muito Amigo da Onça por aí...

O negócio é no futebol mesmo. Três exemplos: a entrevista do candidato a vice-presidente da CBF - para, posteriormente, assumir a presidência - e o apoio que a indicação dele mereceu de clubes paulistas com direito a voto no colégio eleitoral. Ou melhor, de quase todos times da Série A. Além disso, tem o impasse na Liga Rio-Sul-Minas.

 

As declarações do Coronel Nunes ao repórter Raphael Ramos, publicadas na edição de quarta-feira do Estado, são irretocáveis e mostram o que vem pela frente. Para não tomar seu tempo nem ocupar espaço demais, a conversa pode ser resumida em duas respostas: 1 - Marco Polo Del Nero é “injustiçado” e tão correto que preferiu sair de cena para não dizerem que se aproveitou do cargo. 2 - José Maria Marin é um amigo e “uma lenda do futebol”.

Algo a acrescentar? Coronel Nunes, 77 anos, dirigente da federação Paraense, talvez seja sujeito bacana, simpático, apaziguador. A avaliação pessoal fica para quem o conhece. Como cartola, mostrou que não passa de mais do mesmo, afinadíssimo com a mentalidade de 7 a 1 da CBF, disposto a participar da encenação montada para impedir que o poder caia no colo de opositor - no caso, do catarinense Delfim Peixoto, pelo critério de maior idade. (Tem 74 e pelos estatutos o mais velho prevalece.)

Nunes foi escolhido para que a engrenagem da CBF siga o caminho traçado pelos três recentes presidentes, metidos em saia-justa por causa de investigações ou processos na Justiça. A função dele será a de guardar lugar, ou no mínimo, a de não permitir que mexem em nada e tudo siga a rotina normal. 

O que fazem os clubes? Reúnem-se na FPF, cujo presidente herdou o cargo de Del Nero, dizem amém à proposta, soltam um sonoro “Somebody Love” à vontade de Del Nero e à turma dele. Os paulistas foram velozes na adesão, em demonstração eloquente de que não querem confronto com o pessoal de cima. Os demais integrantes da Série A seguiram toada semelhante. Exceções, parece, só Atlético-MG e Botafogo, que preferiam nova eleição. (Agora surgem reclamações de federações do Nordeste, dispostas a não votar em Nunes no dia 16, sob alegação de que Marin ainda integra a CBF. Será que sustentam a insurreição até lá?)

Para bagunçar o coreto - de novo, qualquer semelhante com a Política nacional é coincidência -, vem o Cruzeiro anunciar rompimento com a recém-criada Liga Rio-Sul-Minas. A turma da Raposa não concorda com medidas tomadas por Alexandre Kalil, o CEO da entidade e ex-presidente do Atlético-MG. Flamengo e Fluminense, apontados como ousados e inovadores, podem seguir caminho semelhante e esvaziar a primeira edição da competição.

Dá para entender o que querem os cartolas? Reclamam, criticam, apoiam, retiram sustentação, falam em criar Liga Nacional, recuam. Não sabem o que querem ou desconversam a respeito de objetivos.

E os jogadores? São massa de manobra. Com exceção de ações esporádicas do Bom Senso (menos atuante em 2015), limitam-se ao que sempre fizeram: treinos, jogos e fazem o que seu mestre mandar. É Somebody Love, muita “Escolinha”. Ou “Zorra Total”. Escolha.

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