Maurício de Souza
Victor Luiz treinou em Buenos Aires Maurício de Souza

Escolinhas do Boca Juniors unem estilos argentino e brasileiro

Alunos vão a Buenos Aires conhecem a cultura e a filosofia do clube

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2016 | 17h00

O Boca Juniors tem um projeto ambicioso: formar atletas capazes de unir a disciplina tática argentina e a técnica brasileira. Em uma das ações dessa empreitada, o clube espalhou 40 escolinhas no Brasil e leva os melhores alunos para um período de treinamentos na Argentina. O próximo acampamento será no mês de maio. 

Victor Luiz de Souza foi um desses eleitos. No final do ano passado, ele ficou alojado no clube azul e amarelo por três dias juntamente com os atletas da base argentinos, conheceu os treinamentos por lá – segundo ele, são mais intensos que os brasileiros –, visitou o Museu do clube e até conheceu as músicas que os “hinchas” cantam em La Bombonera, o mítico estádio do Boca. Ele – e os pais – consideraram a experiência inesquecível. 

“Se ele fosse convidado para jogar lá, iria para lá correndo. E nós iríamos junto. Foi muito bom”, avalia Luciana Maria Santos Souza, mãe de Victor. 

Essa nova geração coloca em xeque a histórica rivalidade entre brasileiros e argentinos. Atentos aos problema, os pais de Victor contam que ele saiu do Brasil com um discurso ensaiado e pronto para dizer que Maradona era o melhor que o Pelé, como ensinava o hit Decime que se siente, entoado nos estádios brasileiros durante a Copa do Mundo. 

Caíque Felix, outro que esteve por lá no ano passado, conta que não foi preciso dizer que os argentinos eram melhores. “Todo mundo respeitou a gente. Eles falam que somos o Boca, do Brasil e da Argentina”, diz. 

Caíque trouxe uma camisa do Boca de sua passagem por Buenos Aires, mas não deixa de torcer pelo Santos. “Na Argentina, eu torço para o Boca, mas sou brasileiro e tenho de torcer por um time do Brasil”, explica. 

Oscar Bartolo Aquino, coordenador técnico das escolas internacionais do Boca Juniors, afirma que o clube trabalha para integrar brasileiros e argentinos. Ao todo, já existem mais de 4200 alunos nas escolinhas do Boca no Brasil. “A rivalidade existe porque são duas potências, dois sistemas vitoriosos. Queremos unir o estilo argentino, de disciplina tática, e a técnica brasileira”, diz.

Na semana passada, Aquino esteve em Santo André, para selecionar os melhores alunos para um novo intercâmbio, que será realizado no mês de maio. Foram realizadas “peneiras” em Guarulhos, Santos, Sorocaba, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Curitiba (PR), Blumenau (SC) e Canoas (RS). 

“Poucos atletas tiveram essa experiência internacional em suas carreiras profissionais”, explica o coordenador das unidades em Santo André, Allan Wagner Siqueira.

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