Escurinho: boas lembranças da carreira

Artilheiro de Internacional e Palmeiras nos anos 70, o ex-centroavante Escurinho vive, hoje, rotina agitada. Divide o tempo entre a Secretaria de Esportes de Porto Alegre, as composições musicais e o Inter, onde treina o time de masters. Mas tem um desejo: voltar a trabalhar como técnico de futebol de uma equipe profissional. O problema está no preconceito."Treinador negro não existe no Brasil. Principalmente no Sul", lamenta Escurinho. Mas o ex-jogador não desistiu da idéia. Ao contrário: está disposto a quebrar o tabu."Se aparecer alguma proposta, vou correndo", diz Escurinho.Por enquanto, o ex-centroavante, de 53 anos, supervisiona as ligas de Várzea de Porto Alegre, arrumando campos para as equipes, promovendo jogos e fornecendo materiais. O filho Cássio segue os passos do pai e joga no time do Lami de Porto Alegre."Também dou palestras, falo da minha carreira, do futebol..."Além disso, Escurinho, que tem cinco filhos, continua compondo músicas - coisa que adora desde a época em que começou a jogar, o que lhe rendeu a fama de boêmio. Ficou conhecido também por decidir jogos no segundo tempo, o que ajudou a criar sua imagem de eterno reserva. "Faço música. De repente, cai na mão de um Emílio Santiago, aí tudo dá certo", conta.Mas as tarefas do gaúcho de Porto Alegre não param por aí. Ele trabalha na comunicação social do Internacional. "Minha vida é ativa pra caramba."Escurinho deixou de jogar futebol aos 36 anos, no modesto Avenida de Santa Cruz, do Rio Grande do Sul. "Fui contratado para colocar o time na Primeira Divisão. Até fiz os meus gols, mas não subimos. Eu até que poderia ter jogado mais, mas chega uma hora em que a família começa a cobrar."O que mais marcou a carreira do jogador foram os gols que Escurinho fazia no segundo tempo. Ele sempre iniciava o jogo na reserva, mas entrava para decidir. E decidia. "Eu ficava no banco analisando o jogo. Percebia o zagueiro que estava cansado. Quando entrava, jogava em cima dele e fazia os meus gols", conta Escurinho. "Decidi quase todos os jogos para o Inter."Sobre a fama de boêmio, Escurinho se defende: "Só porque eu tocava violão na concentração. Uma vez, o Gilberto Tim (técnico do Inter) toda hora entrava no meu quarto e olhava. Eu falei qual era o problema e ele disse que falaram que eu tinha saído da concentração. Mas era o meu irmão que estava tocando na noite..."Outro fato que marcou a carreira de Escurinho foi no Palmeiras. Contra o Guarani, na final do Brasileiro de 1978, ele foi para o gol depois da expulsão do goleiro Leão para tentar pegar um pênalti. Zenon marcou o gol."Ele (Zenon) me agradeceu por eu não ter defendido, senão a carreira dele teria acabado."

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