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Escuta acende suspeita sobre Corinthians e Boca de 2013

Julio Grondona teria indicado Carlos Amarilla para apitar o jogo

Estadão Conteúdo

22 de junho de 2015 | 09h41

A crise de corrupção que atravessa o futebol em todo o mundo teve um capítulo escrito na Argentina no último domingo. A rede de televisão América TV exibiu uma série de escutas telefônicas do ex-presidente da Associação Argentina de Futebol (AFA), Julio Grondona, morto em 2014, que revelam seu envolvimento em diversos escândalos. Em uma dessas gravações, Grondona faz referência ao confronto entre Corinthians e Boca Juniors, pelas oitavas de final da Copa Libertadores de 2013.

A escuta indica que o ex-dirigente teria influenciado para que o árbitro Carlos Amarilla apitasse a segunda partida daquele jogo eliminatório. "Saiu bem no fim, ninguém queria este louco de m... e no fim o maior reforço que o Boca teve no último ano foi o Amarilla", disse Grondona em conversa com Abel Gnecco, representante argentino na comissão de árbitros da Conmebol.

Naquela partida, o Corinthians ficou no empate por 1 a 1 com o Boca Juniors e, após ter perdido o primeiro jogo na Argentina por 1 a 0, acabou eliminado. A arbitragem da noite foi bastante questionada, uma vez que o time paulista teve um gol mal anulado e reclamou de dois pênaltis não marcados.

Na conversa, Grondona e Gnecco falam sobre um possível acerto da arbitragem para o duelo entre Boca e Newell's Old Boys, pelas quartas de final daquela Libertadores. Ao ser questionado sobre quem seria o juiz, Gnecco relata como teria pressionado "Alarcón", possível referência a Carlos Alarcón, diretor da comissão de árbitros, para que ele escalasse Carlos Amarilla naquele Corinthians e Boca. 

"Me perguntou: ''gostam do Amarilla aí na Argentina?''. ''Olha, se gostam ou não eu não sei, mas eu quero, então ponha ele e pare de me encher o saco. Alarcón, ponha o Amarilla e pare de me encher''. Então assim foi, eu o coloquei e ficou tudo certo porque foi bem. Tem de ser assim", relatou Gnecco. 

A gravação segue e Gnecco avisa Grondona que a Conmebol planeja escalar Patricio Loustau para apitar o duelo entre Boca e Newell's. O então presidente da AFA discorda da indicação porque Loustau "teve problemas no Boca e River", e a dupla chega a três possíveis opções de árbitros: Germán Delfino, Diego Ceballos e Mauro Vigliano. Coincidência ou não, os dois jogos daquele confronto foram arbitrados, respectivamente, por Vigliano e Delfino.

Tudo isso se deu em apenas uma das 11 escutas reveladas pelo canal América TV, todas com teor de corrupção no futebol argentino, em caso que já está sendo chamado no país de "Máfia do Futebol". Entre outros assuntos tratados nas gravações, todos com participação de Grondona, estão esquemas para casos de doping, alteração de horários de partidas e fraude no pagamento de impostos.

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