Christian Charisius/DPA
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Espanha está convencendo, mas Argentina parece instável

O Mundial está num bom nível porque as equipes menores são surpreendentemente boas

Lothar Matthäus*, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 04h00

Agora que todas as seleções já disputaram um jogo, está na hora de avaliar a Copa. Tenho dito que este torneio está realmente interessante. O futebol é disciplinado e limpo, não vimos nenhum jogador agressivo e o árbitro de vídeo vem atuando decentemente, embora talvez em três circunstâncias eu teria decidido de modo diferente. Mas, até agora, cumpriu sua tarefa. O Mundial está num bom nível porque as equipes menores são surpreendentemente boas. Não digo que uma delas será a próxima campeã, mas podem realizar grandes coisas frente às favoritas. Com exceção da Arábia Saudita, nenhuma decepcionou. Isso mostra que o futebol internacional vem tendo cada vez mais coesão e que o nível atlético está crescendo. A organização dos times menores é cada vez melhor e é por isso que as seleções favoritas enfrentam problemas.

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O que aprecio é que estamos vendo um futebol de ritmo rápido, mesmo no caso de equipes que não esperávamos. O que significa uma rápida mudança da defesa para o jogo ofensivo, algo com que a Alemanha teve problemas contra o México. Até o Panamá tentou isso no jogo com a Bélgica.

Esta Copa também mostra quão importante são as jogadas ensaiadas. Elas podem beneficiar especialmente os grandes times – e até decidir uma partida. Basta lembrarmos de Harry Kane, da Inglaterra, no jogo contra a Tunísia, ou Cristiano Ronaldo, em Portugal x Espanha. Falando em Ronaldo, para mim a Copa realmente teve um bom início com o jogo entre Espanha e Portugal. Apesar de ceder três gols, a Espanha foi a equipe mais convincente entre as favoritas. Sua defesa não foi tão ruim como pareceu, pois um dos gols foi resultado de um erro do goleiro; os outros dois, de um pênalti e de uma falta. Ou seja, duas jogadas ensaiadas.

Entre os grandes, também me agradou a Inglaterra, embora não a coloque entre os favoritos. Mas seu estilo de jogo foi convincente. No que se refere à unidade do time, a Islândia se destacou. Jamais vi um time jogar como um coletivo disciplinado e com uma estratégia tão clara. Espetacular.

 

Mas a Argentina também errou. Sempre atacando pelo centro e com seu jogo focado demais em Lionel Messi. Não é bom para o time nem para Messi, que constantemente se viu cercado por quatro ou cinco adversários. Como um ímã, ele era buscado por sua equipe, uma tática transparente demais.

O que Ronaldo conseguiu com seus três gols foi sensacional. Deu para notar que ele tem um contato melhor com seus colegas do que Messi. Messi é o jogador que seus companheiros buscam para passar a responsabilidade da bola, mas não vejo comunicação. Já Ronaldo é o líder que organiza e dirige os demais. Messi e Cristiano Ronaldo são jogadores de classe mundial, mas não são comparáveis. Messi cresce com seus dribles e, assim, é mais um mágico. Ronaldo vence com o poder dos seus chutes, sua força extrema. É do tipo mais impassível. Para mim, a Argentina, entre as equipes maiores, é uma das que mais corre o risco de cair na fase de grupos. Está numa chave forte, com Croácia e Nigéria. O Brasil, apesar do empate contra a Suíça, deve seguir. E, se a Alemanha encontrar sua forma usual contra Suécia e Coreia do Sul, também chegará às oitavas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

  

*CAMPEÃO DO MUNDO PELA ALEMANHA EM 1990

 

 

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