Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Especialista em gols no segundo tempo, seleção confia em poder decisivo

Equipe do técnico Tite marca mais de 60% das vezes na etapa final e quer levar essa tendência para decidir na Copa

Almir Leite, Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2018 | 06h54

O torcedor brasileiro não poderá desistir de ver os jogos da seleção na Copa do Mundo se o time for mal na primeira etapa. As escolhas do técnico Tite anunciadas na convocação, segunda-feira, no Rio, e o estilo da equipe mostram que o Brasil é uma equipe de gols tardios, marcados na maioria das vezes no segundo tempo.

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Nas Eliminatórias para o Mundial, o Brasil mostrou ao torcedor o quanto é válido ter a paciência para acompanhar as partidas até o fim. Foram 30 gols da seleção no torneio classificatório sob o comando do Tite, dos quais no segundo tempo foram anotados 19 gols, equivalente a 63% do total.

A prevalência de gols na etapa final se confirma quando a estatística leva em consideração os amistosos da era Tite. O segundo tempo teve 26 gols marcados dos 42 marcados no total (62%).

A tendência de movimentar o placar no segundo tempo agrada bastante ao treinador. Em março, após bater a Rússia no amistoso em Moscou por 3 a 0 com todos os gols na etapa final, Tite demonstrou estar orgulhoso. "A equipe manteve o nível de concentração alto, construiu o jogo. É nosso modelo, faz triangulações, inverte, trabalha", disse na ocasião.

A convocação para a Copa trouxe poucas novidades e a manutenção da base que atuou nas Eliminatórias. Tite não quer mexer na formação titular e aposta nessa estratégia para conseguir a ter bons resultados, mesmo que os gols só saiam depois do intervalo das partidas.

Os placares movimentados apenas na metade final dos jogos são reflexo de uma exigência do treinador em manter o time concentrado durante o maior tempo possível. Na estreia no cargo, em Quito, contra o Equador, Tite fez essa cobrança aos jogadores no intervalo. O placar estava sem gols. Depois o Brasil fez 3 a 0. 

"São situações de jogos grandes que inevitavelmente vão acontecer. Você tem que ter um nível de concentração muito alto. Jogos com esse nível de enfrentamento, se você não tiver um nível de concentração alto, (não for) mentalmente muito forte, você facilmente deixa de produzir seu melhor", comentou Tite na ocasião.

O bom rendimento no segundo tempo também se explica por fatores como juventude e preparo físico. A média de idade da equipe titular brasileira é de 27 anos. Os jogadores são monitorados continuamente nos clubes pela comissão técnica da CBF para que possam render ao máximo quando se apresentam ao treinador Tite.

AMBIENTADOS

Os dois jogadores do Corinthians convocados para a Copa do Mundo, o goleiro Cássio e o lateral Fagner, disseram ontem que vão se sentir em casa na concentração da equipe na Rússia. Por atuarem no Brasil, eles representam uma minoria entre os 23 convocados, mas lembraram que a atual seleção tem muitos ingredientes de Corinthians.

A comissão técnica do treinador tem entre os profissionais antigos colegas de clube, como o preparador físico Fábio Mahseredjian, o fisioterapeuta Bruno Mazzioti e os auxiliares Cléber Xavier, Sylvinho e Matheus Bachi.

"Isso é bom para nós. Mas vejo também que na seleção tem um ambiente parecido ao que o Tite criou no Corinthians, de todo mundo se sentir em casa e ser recebido", comentou o goleiro Cássio.

O lateral Fagner explicou que a presença de corintianos na comissão técnica é reflexo dos resultados recentes positivos do clube. "Você estar em um clube vitorioso, que está sempre em evidência, por estar ganhando títulos, ajuda você a se destacar", afirmou.

 

 

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