Especialistas comentam o caso Robinho

Robinho e o Santos devem tentar chegar a um acordo para a transferência do jogador para o Real Madrid. Esta é a sugestão da advogada Gislaine Nunes, responsável por dezenas de processos de atletas contra clubes de futebol. Na opinião de Gislaine, a entrada do clube espanhol, depositando parte da multa na CBF, tira o caso da esfera da justiça do trabalho, sua especialidade. "Agora, com uma parte internacional interessada, só a Fifa poderá decidir a questão. Por isso, acho que o acordo acabará prevalecendo por ser a melhor saída."Gislaine julga que a posição de Robinho, no momento, está "fragilizada" porque não houve cumprimento do contrato. E também não concorda com a tese de que o Real Madrid só teria que depositar 60% por cento da multa - US$ 30 milhões. "A multa de US$ 50 milhões deveria ser paga integralmente."Para a advogada, se Robinho tivesse usado outra estratégia, depositando parte da multa na conta do clube e levando o caso para a Justiça do Trabalho, poderia ser mais bem-sucedido. "Tenho certeza de que um juiz daria ganho de causa ao atleta."Heraldo Panhoca, outro especialista em Justiça Desportiva, também acredita que a melhor saída para o fim da "novela" seja um acordo entre as partes envolvidas. "Acho que ainda não houve acordo porque ninguém viu o dinheiro. Quando virem, cada um vai correr para um lado e pronto. E não vai ter acordo até que o Santos não veja a cor da bufunfa."Porém, Panhoca tem uma visão diferente da de Gislaine sobre o caso. Ele garante que tanto o Robinho como o Santos podem procurar a Justiça do Trabalho para não saírem perdendo. "Pelo que eu entendi, houve a materialização da ruptura do contrato de trabalho do Robinho com o Santos. Agora, resta apenas o vínculo desportivo, que é o que impede que ele jogue pelo Real Madrid. Ele já pode viajar para a Espanha e treinar. Só não pode jogar."Na opinião do especialista, somente um artifício judicial ajudaria o craque. "Eu já teria entrado com um pedido na Vara do Trabalho em Santos", diz Heraldo Panhoca, que em 1997 liberou o atacante Muller do São Paulo para o Perugia através da justiça.Para o advogado Marcílio Krieger, o Santos tem tudo para sair vencedor da disputa caso o imbróglio chegue à Fifa. "A CBF não é lugar para depósito de dinheiro, portanto não poderia receber a carta de crédito. E quando o Santos renovou o contrato ficou evidente que em uma transferência internacional a multa rescisória seria de US$ 50 milhões. Agora não cabe ao atleta dizer que é alto", explica.A Federação Paulista de Futebol encaminhou à CBF esta semana dois documentos do Santos cujo destino final é a Fifa. O primeiro era uma representação contra o Real Madrid e o segundo, enviado na quintta-feira, um documento onde o Santos discordava da transferência de Robinho para o Real.O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, que já dirigiu o departamento jurídico da entidade, tem opinião idêntica à de Gislaine Nunes: "Entendo que o Real Madrid teria que pagar o valor integral da multa."

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