EFE/Kimimasa Mayama
EFE/Kimimasa Mayama

Especialistas em arbitragem se dividem em relação a pênalti marcado com ajuda de vídeo

Lance polêmico ocorreu na semifinal do Mundial de Clubes, entre Atlético Nacional e Kashima Antlers

O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2016 | 06h00

A primeira utilização do recurso de vídeo em uma partida de futebol vai entrar para a história mais pela polêmica do que pelo ineditismo. Na semifinal do Mundial de Clubes entre Atlético Nacional e Kashima Antlers, que acabou vencida pelos japoneses por 3 a 0, o árbitro húngaro Viktor Kassai recebeu auxílio das imagens para a marcação de um pênalti a favor do time japonês. No mesmo lance, no entanto, Kassai e os auxiliares de vídeo não assinalaram um impedimento. 

A utilização do recurso de vídeo é comum em outras modalidades, mas está sendo testada de maneira inédita no futebol. Os árbitros de vídeo têm à disposição 23 ângulos de câmera para confirmar ou alterar decisões. A palavra final cabe ao juiz.

O lance polêmico começou aos 27 minutos do primeiro tempo. O zagueiro Berrio, do Atlético, trombou com Daigo Nishi. O árbitro-assistente Danny Makkelie sugeriu o pedido de análise por vídeo. O árbitro principal recebeu a mensagem pelo ponto eletrônico e paralisou a partida para analisar um monitor na linha lateral do gramado. O pênalti foi marcado, mesmo com a reclamação dos colombianos. No momento do cruzamento, Nishi estava impedido.

Ouvidos pelo Estado, os ex-juízes e hoje comentaristas de arbitragem, Renato Marsiglia e Arnaldo Cezar Coelho, mostraram diferentes visões em relação ao lance. Confira abaixo o que cada um disse.

O árbitro acertou ao marcar o pênalti para o Kashima?

SIM - Renato Marsiglia

Sempre fui contra o uso do vídeo no futebol, mas de dois anos para cá, eu cedi. Estava virando quase uma covardia contra a arbitragem de tantas críticas. Começaram os testes com o uso do vídeo e é natural que não saia como se imagina no começo. Por isso é preciso que ajustes sejam feitos. Ainda prefiro isso, quando o árbitro decide vendo o lance, do que uma decisão que saia por orientação de alguém na cabine. Não se pode tirar a decisão do juiz de campo. A marcação do pênalti foi correta.

Uma discussão que está ocorrendo é se teria havido falta antes do impedimento do atacante, mas isso é interpretação. Esse tipo de lance não tem de ser decidido pelo vídeo. Infelizmente demorou-se para decidir, o lance continuou, imagina se sai um gol depois disso, antes que parassem a jogada? Acho que a interpretação vai sempre existir, pois a subjetividade no futebol é muito grande, ao contrário dos outros esportes.

NÃO - Arnaldo Cezar Coelho

O árbitro foi induzido ao erro por pessoas que estavam estreando um brinquedo. Infelizmente a Fifa queria dar um presente de Natal e escolheu um mau momento, que é o Mundial de Clubes, onde existem interesses financeiros enormes. O que é pior ainda é a nota oficial da Fifa dando razão para a arbitragem, podia muito bem se curvar e ter honestidade, reconhecendo que houve um erro do árbitro de vídeo e que isso pode jogar por terra toda uma experiência, que até certo ponto é válida, mas não dessa forma.

O que ocasionou a irregularidade no lance do jogo foi o tranco que o jogador deu ao tentar voltar da posição de impedimento, mostrando que ele estava interferindo na jogada. O árbitro de vídeo não podia, se ele queria mandar a imagem para o juiz, mandar só a rasteira. Ele teria de mandar o lance completo, que foi totalmente irregular no ataque do time japonês.

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