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Esperança, Neymar é muito jovem para se tornar um 'rei' de Copas do Mundo

Comparado a outros ídolos, que ergueram a taça mais velhos, atacante tem grande desafio pela frente

Antero Greco, Especial para o Estado de S. Paulo

29 de maio de 2014 | 05h11

TERESÓPOLIS - A gente bota fé em Neymar como o grande nome do Mundial de 2014. Claro, por ser a maior, quase única, esperança de brasileiro que desequilibre no torneio em casa. Torcer pelo rapaz não tira pedaço, nem lhe falta talento. A questão é a idade. Com 22 anos, completados em fevereiro, teoricamente é cedo para virar um rei de Copas. A história da competição mostra que o destaque, em cada edição, foi um jogador que estava na fase madura da carreira, dos 25 anos em diante.

Na fase antiga, há poucos registros confiáveis, e o campeonato tinha ares amadorísticos. Mesmo assim, dá para citar que Leonidas da Silva tinha 25 anos incompletos ao ser goleador do Mundial de 1938, com 7 gols. Naquela ocasião, a Itália ganhava o bicampeonato e tinha como astro o atacante Giuseppe Meazza, o mesmo que virou nome de estádio em Milão. Contava, então, com 27 pra 28 anos.

Na etapa moderna, entre as décadas de 1950 e 1970, se acentuou a tendência de melhor da Copa ser um atleta já pronto e reconhecido. No Mundial brasileiro, Ademir de Menezes marcava um gol atrás do outro com a experiência acumulada com 27 anos de idade. A seleção do Uruguai, campeã no Maracanã, era liderada pelo capitão Obdulio Varella, 32 anos e muita presença de espírito.

Garrincha, com 28, quase 29 (era de novembro de 1933), levou o Brasil nas costas, na campanha do bi, no Chile, em 1962. Assumiu o lugar de Pelé, 21 e contundido. Quatro anos mais tarde, na Inglaterra, o moçambicano Eusébio ajudava a levar Portugal ao terceiro lugar, com gols e 24 anos e alguns meses de idade. Foi praticamente uma exceção, assim como o talento acima da média.

Pelé, com 29 e à beira dos 30, atingiu o máximo no tri da seleção, no México, em 1970. O Rei fora, e ainda é, um fenômeno nos Mundiais, ao se tornar o único adolescente a brilhar. Na primeira taça que o Brasil levantou, em 1958, ele encantou o mundo ao arrebentar na Suécia, com 18 anos incompletos. Não é à toa que é o Rei, o melhor de todos os tempos, apesar das contestações atuais.

A Copa de 1974 viu se consolidar o talento do holandês Johann Cryuff (27 anos) e de Franz Beckenbauer (29 anos e "kaiser" da Alemanha campeã). Mário Kempes foi o nome do primeiro título argentino, em 1978. Tinha 24 anos.

No momento contemporâneo, subiu a média de idade do astro da Copa. Paolo Rossi, em1982, estava com 25 anos (completaria 26 em setembro). Mesma idade de Maradona no México, em 1986, ao levar a Argentina ao bi. Romário abriu estrada para o tetra brasileiro, em 1994, com 28 anos e uns quebrados. Zidane arrasou em 1998 com 26 anos e repetiu a proeza, em 2006, já com 34, apesar da expulsão na final diante da Itália, na famosa cabeçada em Materazzi.

Na campanha do penta nacional, na Ásia, em 2002, brilhou a dupla Rivaldo (30 anos) e Ronaldo (25 pra 26). Rivaldo havia sido um dos melhores também no Mundial da França, em 1998, com 26 anos.

O desafio de Neymar não é dos mais fáceis. Mas os astros atualmente têm amadurecido com tanta rapidez que pode surpreender. Vai que...

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