Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

'Espero que ninguém repita o que Ghiggia fez em 1950', diz Pelé

Rei do Futebol lembrou que derrota por 2 a 1 para o Uruguai no Maracanã fez seu pai chorar

29 de maio de 2014 | 16h55

SÃO PAULO - Pelé, que tinha apenas nove anos na Copa de 1950, na qual o Brasil perdeu a final para o Uruguai em pleno estádio do Maracanã - episódio que ficou reconhecido como "Maracanazo" - disse que espera não passar por isso novamente ao relembrar a derrota mais dolorida para os brasileiros.

"Tomara que ninguém repita o que (Alcides) Ghiggia fez em 1950. O que todos esperamos é que o Brasil faça uma boa Copa do Mundo, chegue à final e, se possível, fique com o título. Não quero lembrar o que ocorreu em 1950", declarou Pelé em entrevista à Fifa.

"O futebol é uma caixa de surpresas e nem sempre vence o melhor. Em 1982, por exemplo, o Brasil tinha a melhor equipe, mas perdemos para a Itália e fomos eliminados", apontou o eterno camisa 10 da seleção. "Só quero pensar positivo, que o Brasil vai ganhar a Copa. Isso é o quero acreditar", completou.

De acordo com Pelé, essa foi a primeira vez em que ele viu seu pai chorar e, por isso, consegue lembrar bem deste episódio que ocorreu há 64 anos. "Foi a primeira vez que eu vi meu pai chorar e foi por essa derrota. Eu tinha nove ou dez anos e lembro de vê-lo junto ao rádio. O vi chorando e perguntei: por que chora papai? E ele me respondeu: o Brasil perdeu o Mundial. Essa é a imagem que tenho gravada de 1950", revelou.

No entanto, durante a entrevista, o Rei do Futebol fez questão de destacar que na Copa da Suécia - oito anos mais tarde, quando tinha 17 anos -, a seleção brasileira conquistou seu primeiro título mundial. "Disse: não chores papai, eu vou ganhar esse Mundial para você. Disse simplesmente por dizer, mas, oito anos mais tarde, fui convocado para a seleção e ganhamos o título. Joguei quatro Mundiais e ganhei três, incluindo a última de 1970 (no México). Poderia dizer que Deus me devolveu tudo", ressaltou.

Em relação às suas conquistas, Pelé comparou seu título em 1958, quando tinha apenas 17 anos e "sonhava" apenas em integrar a equipe, com o de 1970, no qual era um jogador maduro e com "maior responsabilidade".

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