Divulgação/ FFC
Divulgação/ FFC

Esporte mostrou força para ajudar brasileiros a superarem os males da 'Gripe Espanhola'

Triunfo demonstrado pelo País deve ser usada como exemplo para que as dificuldades impostas pela pandemia da covid-19 100 anos depois sejam ultrapassadas no futuro

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2020 | 05h00

A superação demonstrada pelo Brasil após os difíceis momentos vividos no século passado com o surto da Gripe Espanhola deve ser usada como exemplo para que as dificuldades impostas pela pandemia da covid-19, 100 anos depois, sejam ultrapassadas no futuro. A Gripe Espanhola matou cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, 35 mil no Brasil e 5.331 somente na cidade de São Paulo, o equivalente a 1% da população da capital paulista entre 13 de outubro e 20 de dezembro de 1918.

Adiado de 1918 para 1919, o Campeonato Sul-Americano de seleções, posteriormente chamado de "Copa América, foi disputado no Brasil, com sede principal no Rio de Janeiro, dando um alento aos brasileiros pós-pandemia. Liderada pelo astro Arthur Friedenreich, dono de uma carreira impressionante, ao marcar 1.329 gols em 26 anos de futebol (1909 a 1935), números reconhecidos pela Fifa, a seleção brasileira conquistava seu primeiro grande título. E o povo voltava a sorrir.

A vitória na decisão sobre o Uruguai no recém-construído Estádio das Laranjeiras, pertencente ao Fluminense, no Rio, foi por 1 a 0, com gol de Friedenreich, que se tornaria o maior artilheiro do futebol mundial em todos os tempos. O craque acertou um lindo voleio, que fez explodir em alegria o grande público presente, além das muitas pessoas posicionadas nos morros próximos à sede do time carioca.

O jogo gerou grande interesse. O governo chegou a decretar ponto facultativo nas repartições públicas. Bancos e casas comerciais não foram abertos naquele dia. Pela primeira vez o futebol deixava de ser exclusivo da elite da sociedade e virava a "alegria do povo". A conquista serviu para melhorar o clima de todo o País após a depressão gerada pela "Gripe Espanhola".

No futebol caseiro, o Paulistano não teve seu domínio em São Paulo afetado pela pandemia e conseguiu manter sua hegemonia com a conquista do  tricampeonato. Feito semelhante ao do Fluminense no Rio. Aos poucos, a vida naquele começo se século retomava seu curso.  

Nos Jogos Olímpicos, o Brasil conseguiu suas primeiras medalhas, em Antuérpia, na Bélgica, em 1920. No tiro esportivo, Guilherme Paraense foi ouro na pistola de 30 metros, enquanto Afrânio Costa ficou com a prata na pistola de 50 metros, prova que a equipe brasileira também obteve a medalha de bronze. Todos estes exemplos, obtidos em uma época em que a tecnologia e a medicina estavam engatinhando se levarmos em conta o que pode ser feito na atualidade, devem ser usados pela geração atual para ter força e determinação para seguir em frente após o coronavírus. O futebol volta no Brasil aos poucos, jogadores começam a treinar em meio às orientações da Saúde e atletas olímpicos tentam se manter em forma para a disputa no Japão no ano que vem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.