Esquenta a luta das cidades para receber seleções na Copa do Mundo

Proximidade do sorteio dos grupos torna a disputa por um lugar ainda mais acirrada

Almir Leite e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2013 | 06h40

O Estado de São Paulo tem tudo para receber a maior parte das seleções que disputarão a Copa de 2014 por causa da boa infraestrutura e da quantidade de Centros de Treinamento de Seleções (os CTS) que foram incluídos no catálogo da Fifa. A maior disputa, no entanto, é para garantir a presença das equipes mais famosas, como Espanha, Argentina, Alemanha e Holanda, que são consideradas favoritas no torneio e atraem muita atenção por onde passam. E, quando se fala nas grandes seleções, aí a disputa fica mais acirrada, mas concentrada nas regiões Sul e Sudeste.

Até o momento, apenas quatro das seleções já classificadas para a Copa decidiram onde ficarão: Brasil em Teresópolis, Argentina em Vespasiano (MG), Bélgica em Mogi das Cruzes e Suíça no Guarujá. Dependendo do sorteio dos grupos, que será realizado no dia 6 de dezembro, alguns desses times poderão optar por uma mudança de lugar, por comodidade. Por isso, as delegações evitam bater o martelo e esperam pela definição das chaves. A maioria tem, inclusive, um plano B.

O Estado fez um levantamento preliminar de onde as seleções podem ficar, baseado em entrevistas e monitoramento das visitas das delegações. Estima-se que São Paulo deve receber entre dez e 16 equipes, espalhadas pela Capital e pelo interior. Entre as campeãs do mundo, entretanto, apenas duas aparecem com possibilidade de ficar no Estado, pois a Itália e a Inglaterra devem se hospedar no Rio de Janeiro, assim como o Brasil, e a Argentina já indicou Minas Gerais como sua preferência. Restam as decisões de Alemanha e Espanha – a campeã de 2010 é alvo da maior concorrência entre as sedes.

Os espanhóis visitaram o CT do São Paulo, em Cotia, considerado um dos melhores do Brasil, mas também gostaram bastante do CT do Caju, do Atlético-PR, e de Belo Horizonte e Sete Lagoas (MG). A disputa para receber a atual campeã do mundo é grande e acredita-se que pode haver uma decisão nos próximos dias.

Escolhas. Como nem só de grandes seleções se faz uma Copa do Mundo, existe ainda muita esperança de cidades que querem receber uma equipe internacional. O cabeça de chave do Grupo G, por exemplo, fará jogos em Salvador, Fortaleza e Recife. Isso significa que é melhor se concentrar em algum lugar no Nordeste, por exemplo.

NA BAHIA

Segundo Marco Costa, responsável pelas relações internacionais da Secopa da Bahia, a expectativa é que as duas sedes (Praia do Forte e Porto Seguro) sejam escolhidas. "Não temos ninguém apalavrado, mas acreditamos que teremos duas equipes pela posição estratégica da sede." A Bósnia já visitou as instalações baianas.

A gaúcha Bento Gonçalves, por outro lado, investiu pesado para tentar hospedar um time durante o torneio. A prefeitura local desenvolveu um ousado plano para melhorar a infraestrutura da cidade e trabalhou na capacitação de pessoal. Para divulgar o município, contou com o apoio de vinícolas da região e contratou uma empresa norte-americana de consultoria que fez propaganda de Bento em eventos como o congresso da Concacaf, a Copa Ouro e a Olimpíada de Londres.

O secretário de turismo da cidade, Gilberto Cristiano Durante, garante que os gastos municipais não foram elevados – comenta-se que havia R$ 300 milhões disponíveis para investir no projeto da Copa. "Bento tem boa estrutura e é uma cidade voltada ao esporte. Nos últimos dez anos, houve 15 pré-temporadas de clubes de futebol por aqui. Temos experiência para receber eventos e delegações."

RÚSSIA NO SUL

Até agora, Bento Gonçalves, cidade de 110 mil habitantes a 99 quilômetros de Porto Alegre, recebeu a visita de cinco delegações: Alemanha, Rússia (duas vezes), Japão, Noruega (quando ainda tinha chance de ir ao Mundial) e Costa Rica, que esteve lá recentemente e ficou de voltar ainda neste mês. "Estamos bem posicionados com a Rússia, mas depende do sorteio", revela Durante. "Nossa dificuldade é que estamos no Sul, a temperatura na época da Copa fica entre 2ºC e 10ºC, o que pode atrapalhar."

Já o Espírito Santo tem três CTS inscritos e confia na proximidade de Rio de Janeiro, Belo Horizonte e até São Paulo para seduzir alguma seleção. Outros atrativos, dizem os responsáveis pelo turismo do Estado, são os preços baixos de alimentação e hospedagem e a boa oferta hoteleira. A Austrália sinaliza com a possibilidade de ficar lá.

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