Esquentou!

Inverno por aqui, mas só na folhinha. Pois na bola o tempo anda pra lá de quente. O Campeonato Brasileiro engrenou, a briga na parte de cima tomou impulso e aumenta a tensão no sopé da classificação. A 14.ª rodada foi excelente pra Corinthians, Palmeiras e Sport, embolados na corrida pela liderança, estranha para São Paulo e Fluminense, preocupante demais para o Santos.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2015 | 03h00

O Corinthians fez a parte dele na noite de sábado, com 1 a 0 sobre o Atlético-MG, a quem alcançou no topo com 29 pontos. Estádio em Itaquera com grande público, que viu a arriscada estratégia corintiana de segurar a vantagem a todo custo. 

A tarde de domingo prometia fervura e não negou fogo. No novo Palestra Itália, rebatizado como Allianz Parque, a turma da casa cumpriu o roteiro de quem pretende o título e tirou casquinha do Santos, no momento mais em baixa do que prestígio de certos políticos. O Palmeiras liquidou o desafio no começo do primeiro tempo, com outro gol decisivo de Leandro Pereira, saltou para 25 pontos e carimbou a pretensão de incomodar os líderes.

O mérito palestrino para chegar à quinta vitória em seis apresentações foi, novamente, a segurança no que se propôs a desenvolver. O Palmeiras mantém confiança em alta, mostra equilíbrio entre defesa, meio-campo e ataque, há conhecimento dos jogadores das funções a desempenhar. Deixou de ser um amontoado em campo para espalhar-se com harmonia. 

O Santos esboçou atrevimento, que se limitou a muita troca de passes e a esporádicos chutes. Houve um momento em que tinha 70% de posse de bola. Índice magnífico para os amantes dos números. Na prática, não representou domínio, supremacia de jogo, controle das ações. Ao contrário, soou como forma diferente de defender-se.

É preciso distinguir o que seja o tic-tac que confunde adversário e prepara o golpe certeiro do mero chover no molhado e não criar. O Santos infelizmente ainda está na segunda alternativa. O Palmeiras notou a estratégia e, depois do gol, respondeu com contragolpes.

A falha ainda se concentra em pontaria melhor nas finalizações. A entrada de Lucas Barrios, estreante do dia, pode resolver o problema na frente. Já o Santos a depender do desprendimento de Ricardo Oliveira, capitão, centroavante, garçom, passador - tarefas demais pra um jogador só. A derrota (sétima ou 50% das partidas disputadas) o afunda na classificação e indica que, desde já, o objetivo na competição será o de safar-se do rebaixamento. Castigo para quem, meses atrás, levantou a taça de campeão estadual.

Tricolor no divã. O São Paulo segue a toada de uma no cravo e outra na ferradura. Depois de ensaiar arrancada na Série A, voltou a derrapar, com os 2 a 0 na Arena Pernambuco. Com uma atenuante de destaque: caiu para o Sport, uma das equipes com futebol mais vistoso, e que tem retrospecto de invencibilidade em casa de dar inveja. 

O jogo foi bom e justificou os prognósticos. O São Paulo veio com formação diferente, ao gosto inquieto de Juan Carlos Osorio, com Pato e Centurión a formar dupla de frente. Luis Fabiano ficou no banco, como prévia da provável transferência para o México. Tanto tricolores como o Sport aceleraram o ritmo, buscaram o ataque. Melhor para os pernambucanos, que fecharam a conta com um gol em cada tempo e sempre a aproveitar falhas de marcação. 

O São Paulo empaca na tabela e tem problema adicional com os vermelhos recebidos por Ganso e Luis Fabiano, além de nova exclusão de Osorio. Nos casos do meia e do técnico, houve excesso do juiz André Castro, no surto de autoritarismo que contamina a arbitragem nacional. Já o centroavante... para variar perdeu a cabeça e acertou adversário por trás. Parece que cava de vez o seu fim de linha no Morumbi. 

Festa frustrada. O Flu apresentou Ronaldinho ao público, teve Maracanã lotado, mas caiu (2 a 1) diante de um Vasco dedicado. Resultado justo.


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