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ESTADÃO ESPORTES JOGA FIFA 16 E CONTA AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Jogo tem lançamento marcado para 25 de setembro no Brasil

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2015 | 19h01

Franquia de games de futebol mais popular do mundo, a série Fifa, produzida pela EA Sports, chegará em setembro com a sua mais nova edição: o Fifa 16. Previamente, já foram anunciadas uma série de novidades, como mudanças na jogabilidade e, principalmente, a introdução de times femininos pela primeira vez na história dos simuladores de futebol. O Estadão Esportes teve acesso antecipado ao novo jogo e conta as impressões da próxima edição.

Balanceamento. Entre os desenvolvedores do Fifa 16, essa é a palavra de ordem. Para cada nova atração na jogabilidade, outro ponto é desenvolvido para 'equilibrar' o jogo. As novas funcionalidades de ataque, por exemplo, chegam acompanhadas de novos movimentos defensivos. O objetivo é evitar que uma alternativa de chegar ao gol se sobreponha às outras (como já foi com os gols de cabeça, por exemplo, que irritavam os jogadores pela facilidade com que eram marcados).

Desta forma, o Fifa exige, cada vez mais, um certo conhecimento próprio de futebol para que o jogador consiga variar o seu jogo e chegar ao gol das mais diversas maneiras. No jogo, o Estadão Esportes buscou explorar as funções da nova jogabilidade.

SISTEMA DEFENSIVO

Em termos defensivos, todo jogador da edição atual (Fifa 15) sabe que é praticamente impossível competir com atacantes rápidos do adversário. No Fifa 16, a agilidade e a inteligência artificial dos zagueiros foi aprimorada, buscando trazer mais confiança na defesa. Agora, para acompanhar um atacante no mano a mano, os defensores automaticamente ajustam o ângulo da passada (para trás ou para os lados, por exemplo), podendo cercar os espaços livres e dar o bote com mais precisão e velocidade.

Mas esta não foi a única novidade defensiva. Os carrinhos, que costumam ser um recurso pouco explorado por causa dos riscos a que expõem o jogador (como o de fazer uma falta ou 'ficar no vácuo' após um drible), ganharam uma nova cara. Agora, será possível realizar a recuperação rápida ao apertar novamente o botão do carrinho quando o jogador estiver no chão. Quando feito, ele se levantará rápidamente para voltar à jogada.

A defesa em conjunto, antes temida pelos jogadores pelos espaços que expunha ao adversário, também foi desenvolvida com a inteligência artificial dos defensores. Agora, eles identificam automaticamente os espaços de perigo para fazer a cobertura, ao invés de correr 'desenfreadamente' atrás dos atacantes adversários. Colocando a inovação em prática no acesso antecipado ao jogo, nota-se que o recurso melhorou muito em relação às últimas edições e, de fato, transmite mais confiança na defesa. Para a melhoria da defesa, foram criadas centenas de novas animações.

'O objetivo é dar poder de expressão suficiente para o jogador em termos defensivos. Não é apretando um botão que você irá desarmar um adversário', pondera Gilliard Lopes, produtor brasileiro do Fifa que trabalha na sede da Electronic Arts no Canadá. Ele também garante que os goleiros, motivo de muita reclamação dos jogadores no Fifa 15, também estarão mais inteligentes no Fifa 16 (em contrapartida, já durante o teste realizado pelo Estadão Esportes, o arqueiro Casillas engoliu um frango imperdoável ao espalmar a bola para dentro em um cruzamento).

INTERCEPTAÇÕES E PASSES

As alterações realizadas no jogo pelo meio-campo contam com uma nova mecânica de interceptações inteligentes. Agora, será possível ajustar a agressividade da interceptação para cada jogador de seu time. Exemplo: Sergio Busquets, do Barcelona, pelo fato de ter bons atributos de agilidade, posicionamento e visão, pode ganhar a liberdade de tentar mais interceptações, enquanto jogadores menos ágeis podem ser orientados a serem mais conservadores.

Na meia-cancha, o foco será a criação de espaços, assim como é visto nos gramados reais. Existirá um novo modificador de força dos passes, permitindo ao jogador dar um passe curto, porém forte (antes, só era possível escolher a distância do passe). Esta atração serve justamente para contrabalancear a novidade das interceptações. 

Com as mãos no controle, nota-se que esta foi mais uma inovação muito acertada da EA Sports e dá uma série de novas opções na elaboração de jogadas. Gilliard garante: 'O passe direto e a interceptação mudaram completamente a dinâmica de jogo. Você ficará mais satisfeito ao marcar gols pois tem de trabalhar e conhecer futebol para isso'.

FUNCIONALIDADES OFENSIVAS

Porém, o que realmente interessa a todos os jogadores de Fifa são as inovações ofensivas que a nova versáo trará. Uma das atrações é a nova possibilidade de realizar dribles de corpo sem tocar na bola, que foram desenvolvidos por mais de um ano. Atletas mais habilidosos, como Messi e Neymar, terão uma alternativa a mais para furar bloqueios individualmente. Contudo, no teste, o Estadão Esportes não se deu muito bem com a novidade e teve dificuldades para colocá-la em prática.

O sistema de cruzamentos também passou por alterações e ganhou dinamismo. Passará a ser possível cruzar em espaços vazios para a chegada do atacante, por exemplo. Nas últimas edições, era possível apenas ter o atacante como alvo e escolher entre o primeiro e segundo pau. Porém, para ter sucesso, é preciso que o cruzador tenha bons atributos de cruzamento e, principalmente, espaço na beirada do campo.

Talvez a maior inovação no ataque seja a nova modelação dos pés dos atletas que, antes, possuíam apenas sete pontos de contato com a bola. No novo modelo tridimensional, existirão infinitas possibilidades de contato e a trajetória da bola ganhará ainda mais realidade nos chutes. Como de praxe, a primeira experiência em um novo Fifa trouxe dificuldades em termos de finalização. Durante o jogo, o Estadão Esportes conseguiu marcar apenas um gol após bate-rebate na área, e chutou muitas vezes sem direção. Mas parece ser apenas uma questão de adaptação.

FIFA TRAINER

Mesmo quem não tem experiência no Fifa ou em qualquer outro simulador de futebol terá amparo garantido no Fifa 16. Isso por conta da nova ferramenta Fifa Trainer. Com a bola rolando, basta ativar o mecanismo ao pressionar o analógico direito do controle e o jogo te oferecerá um cardápio de opções para cada jogada, assim como o botão a ser apertado. 

Acredite: o instrumento também é útil para jogadores mais experientes pois conta com níveis de complexidade. Caso você se considere 'bom demais' para os primeiros níveis, pode selecionar os últimos e conhecer uma série de novas combinações e técnicas, explorando ao máximo o que o Fifa 16 oferece dentro do jogo.

FUTEBOL FEMININO

Porém, a grande surpresa ficou por conta das 12 seleções femininas que o game disponibilizará, assim como foi anunciado nas últimas semanas. Apesar de a seleção brasileira não constar no trailer de lançamento da nova atração, Gilliard Lopes garante que as canarinhas estarão no jogo. 'No Fifa 16, a Marta joga mais do que muito marmanjo', brinca.

Foram três anos de desenvolvimento até a EA Sports se sentir pronta para anunciar a novidade. O futebol feminino ganhou animações, captura de movimentos e distribuição de atributos exclusivos para adentrar no game, de modo que as meninas não fiquem parecendo 'homens com rosto de mulher' em campo.

'Queremos ajudar que o futebol feminino se popularize. Passamos a respeitar muito estas atletas tanto no aspecto técnico como no atlético e na relação de luta que elas proporcionam apenas para fazer o que amam', afirma o produtor brasileiro. No Fifa 16, será possível jogar com as mulheres no modos Amistoso, Amistoso Online e Torneio Offline. Em relação à narração, que é produzida pelo apresentador Tiago Leifert e o comentarista Caio Ribeiro, foram gravadas mais 100 horas de estúdio. Desta forma, a língua portuguesa ganha paridade com o Inglês, idioma oficial do Fifa, em termos de variedade de frases.

Novidades sobre o Modo Carreira e Ultimate Team, os mais adorados pelos jogadores, não foram anunciadas, mas foi garantido que também haverá inovações neste ponto. O produtor também não confirmou a presença dos times brasileiros no game, que ficaram de fora do Fifa 15 por um imbróglio envolvendo licenças dos atletas do Campeonato Brasileiro. Gilliard Lopes, porém, afirma que as negociações estão em andamento e a EA tem total interesse em readquirir a licença. 'Nosso foco em licenciamento é o Brasil', garante.

Nesta terça-feira, foi anunciado que a versão brasileira do Fifa 16 teve Oscar como o escolhido para figurar na capa ao lado de Lionel Messi, garoto-propaganda da franquia. A indicação do meia do Chelsea vai na contramão do que foi feito para os outros países da América Latina, França, México e Reino Unido, em que os fãs escolhem o integrante da capa via votação na internet. Na Austrália, a capa estrelará a primeira jogadora mulher da história da franquia, que também será escolhida em votação.

O Fifa 16 será lançado no Brasil no próximo dia 25 de setembro e estará disponível nas plataformas PC, Xbox One, Xbox 360, Playstation 4 e Playstation 3.

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Produtor do Fifa 16 garante negociação com equipes brasileiras

Gilliard Lopes atribui falta de licenças à desorganização do futebol

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2015 | 19h01

A pouco mais de dois meses do lançamento do Fifa 16, Gilliard Lopes, produtor brasileiro que ajuda no desenvolvimento do game desde 2012, falou sobre as novidades da nova edição, curiosidades da franquia e, claro, a aguardada volta das equipes brasileiras ao jogo em conversa com o Estado.

Como se sabe, a edição atual, Fifa 15, foi a primeira da franquia a não contar com os times do Campeonato Brasileiro. Gilliard Lopes explica melhor quais foram os imbróglios envolvendo direitos de imagem que impediram as equipes brasileiras de entrarem no jogo.

"Até o Fifa 14, a negociação se dava com a FIFPro (Associação Mundial de Jogadores Profissionais). A partir do ano passado, os jogadores do Brasil decidiram que não estavam mais associados à FIFPro. Logo, nossa licença não valia mais para eles (o único lugar do mundo onde a licença não vale). Portanto, a única saída que tínhamos seria negociar com jogador por jogador, o que é inviável", explica.

Gilliard ainda aponta a desorganização do futebol brasileiro como um dos pontos em que a EA Sports esbarrou para conseguir as licenças: "O pessoal reclama: 'Mas a Inglaterra conta com quatro divisões no Fifa!'. Isso acontece porque, lá, negocia-se com a FA (Football Association) e você consegue o acesso a nove divisões. Apenas não tivemos interesse em colocar as outras cinco. No Brasil, infelizmente, pela falta de organização do futebol, a gente tem esta dificuldade. Mas, se não fosse pelo fato de darmos uma importância muito grande ao público brasileiro, já haveríamos desistido das licenças", garante.

O produtor evitou confirmar qualquer previsão de que o Fifa 16 trará o Campeonato Brasileiro de volta, mas garantiu que, para os produtores de licenciamento, o Brasil é prioridade: "Para este ano, não posso entrar em detalhes, mas existem alternativas. Ainda não é o ideal porque não é uma entidade, não temos uma representação dos clubes que possa negociar direitos de imagem diretamente conosco. Mas não é isso que irá nos deter, estamos trabalhando, estamos correndo atrás, e eu espero ter uma notícia boa para dar o mais rápido possível. Porém, enquanto não tivermos, não podemos declarar nada".

Gilliard também contou a história do que, talvez, seja a maior novidade desta edição do Fifa: as seleções femininas. "Quando estávamos fazendo o Fifa 13, em 2012, fizemos um primeiro protótipo e descobrimos que não conseguíamos ajustar o modelo masculino às proporções de um corpo feminino. Naquele momento, sentimos que, com a tecnologia que tínhamos, não estávamos maduros o suficiente para fazer. E, se for para fazermos mal-feito, preferimos não fazer".

"A partir daí" - prossegue - "existe um time que trabalha em adaptar nossas animações e chegamos à conclusão que o ideal seria trazer as atletas para fazer a captura de movimentos específicos delas. Contamos com as próprias jogadoras da seleção dos Estados Unidos e do Canadá para realizar esta captura".

O produtor completa: "Mas, fora isso, apenas o fator humano de lidar com estas atletas e conhecer a história delas... Eu tive muito contato e posso dizer que vou carregar estas histórias para sempre. É realmente um privilégio usar a plataforma Fifa que está aí, em centenas de milhões de lares, para colocar o futebol feminino em pauta e romper barreiras. Vale mais do que qualquer nova atração", conclui.

Ele também esclarece uma dúvida de grande parte dos jogadores de Fifa: Afinal, como os atributos (chute, passe, velocidade, marcação, cabeceio, etc) de cada jogador é definido? "Temos três mil olheiros, entre voluntários e funcionários, que estão espalhados por onde temos ligas licenciadas ao redor do mundo para coletar os dados. Estas pessoas têm a tarefa de observar determinados jogadores, times e seus atributos nos estádios ou pela TV. Entre estes atributos, estão os que são vistos no jogo e também os que não são vistos. Isso tudo é colhido para nosso centro de Colônia, na Alemanha, onde tudo é filtrado e balanceado por um time treinado especificamente para esta tarefa. Não é magia, é tecnologia!", brinca.

REALIDADE X DIVERSÃO

Para Gilliard, o maior desafio de um jogo de simulação, como o Fifa, é o de equilibrar autenticidade e diversão. Nick Shannon, também produtor, já chegou a afirmar que para uma nova funcionalidade entrar no jogo, 'não basta fazer parte da realidade, mas também deve ser divertida'.

"Nick Shannon é o chefe do meu chefe (risos). Nos preocupamos com isso pois enxergamos nossa capacidade de traçar uma linha tênue entre as duas coisas como nosso diferencial. Por isso, nosso jogo tem o sucesso que têm", conclui Gilliard Lopes.

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