Estádio Beira-Rio comemora 45 anos na data de sua reinauguração

Dia 6 de abril entra duas vezes para a história da casa do Inter, agora sede da Copa do Mundo

Denise Bonfim, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2014 | 17h00

SÃO PAULO - O visitante que passa pelas obras do imponente Beira-Rio, nas margens do Rio Guaíba, é logo alertado por uma placa. Prestes a ser concluído, o projeto de modernização intitulado 'Gigante Para Sempre' deu nova e moderna cara à casa do Internacional, e na véspera do seu aniversário de 45 anos, o estádio prepara-se para iniciar mais uma fase de sua história.

O Beira-Rio começou a ser construído no fim da década de 1950, em um terreno doado pela prefeitura de Porto Alegre. A ação, articulada pelo então vereador Ephraim Pinheiro Cabral como projeto na Câmara da cidade, teve início em 1956. A demora sinalizava que a casa colorada demoraria para sair do papel. A primeira estaca foi colocada somente em 1959, e os torcedores participaram ativamente do projeto: uma campanha foi veiculada numa rádio porto-alegrense pedindo para que fossem levados tijolos, ferros e cimento para o canteiro de obras.

Reza a lenda que até mesmo Paulo Roberto Falcão, mais tarde ídolo da equipe, tenha ajudado o clube. Dez anos depois, em 1969, Benfica e Internacional entraram em campo para realizar a primeira partida oficial no Beira-Rio.

O dia 6 de abril entraria para história do clube duas vezes. A primeira, por marcar a vitória da equipe sobre os portugueses por 2 a 1, no dia de sua inauguração, dando nova mentalidade ao clube e fazendo-o figurar como um dos grandes do futebol nacional, mesmo fora do eixo Rio-São Paulo. Naquele amistoso, Claudiomiro, de 19 anos, foi o primeiro jogador a marcar um gol no novo estádio. Passados 45 anos, o Beira-Rio se prepara para reabrir suas portas na data de seu aniversário como uma das sedes da Copa do Mundo.

Nesse tempo, o Gigante da Beira-Rio registrou muitas histórias, como a do bicampeonato brasileiro na década de 70. Foi nessa época que o clube viu nascer duas de suas principais estrelas: Falcão e Figueroa. Em 1975, o Inter superou o Cruzeiro para ficar com o título nacional até então inédito, e em 1976, levou vantagem sobre o Corinthians para festejar a taça. Em 1979, o Colorado seria novamente campeão, desta vez invicto.

Na década de 80, foi palco do 'Gre-Nal do Século': o clássico valia vaga na decisão do Brasileirão de 1989. O Inter jogava pelo empate - na primeira partida, ficou no 0 a 0 no Olímpico. Até o segundo jogo, discussões e polêmicas cercavam aquela decisão. No dia do confronto, 78.083 pessoas assistiram ao suado 2 a 1 que deu a vaga ao Inter na final. No mesmo Beira-Rio, o Inter comemorou a vitória das duas edições da Libertadores.

MODERNIZAÇÃO DO GIGANTE

O projeto de modernização do Beira-Rio começou em março de 2012. As exigências da Fifa elevaram os padrões de segurança e conforto da nova arena e previam uma cobertura, além de modernizações internas e reformas das arquibancadas e cadeiras. A parceria entre o Inter e a construtora Brio dá a empresa o direito de explorar por 20 anos as receitas relativas aos camarotes, cadeiras vips, exploração de shows, estacionamento e área comercial. Por outro lado, a Brio se comprometeu a investir na obra.

Na Copa, o Beira-Rio poderá abrigar 50 mil pessoas, podendo estender essa capacidade para até 56 mil lugares. O torcedor pode comemorar o aniversário de sua nova casa no dia exato da inauguração do estádio de 1969, agora com o amistoso marcado contra o Peñarol. É o primeiro ato de um palco que abrigará cinco partidas da Copa.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.