Hamad I Mohammed / Reuters
Hamad I Mohammed / Reuters

Estádio de Brasil x Suíça na Copa é desmontável e aponta caminho para evitar 'elefantes brancos'

Ras Abu Aboud, que vai receber o jogo da seleção, no dia 28 de novembro, foi construído com contêineres e estruturas tubulares

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2022 | 20h00

Sediar e organizar grandes eventos esportivos mundiais, como Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, Pan-americanos e outros, é sempre motivo de disputa acirrada entre os países. Além da atração esportiva em nível mundial e a grande movimentação financeira envolvida, eventos como estes costumam deixar importantes legados às suas sedes, estimulando o desenvolvimento socioeconômico e estrutural do local.

Por outro lado, um planejamento mal feito pode desencadear problemas graves e criar heranças malditas, além de gerar danos aos países-sede. Uma das mais famosas, sem dúvida, são as megaestruturas que passam a ser subutilizadas após os eventos, os chamados 'elefantes brancos'. O Brasil está cheio deles por causa da Copa de 2014. No fim de semana, a Arena Pantanal recebeu 4 mil torcedores para o jogo entre Cuiabá x Atlhetico-PR. Contra esse problema, o Catar, país que vai sediar a Copa do Mundo, desenvolveu uma curiosa e criativa solução: a construção de um estádio com capacidade para 40.000 pessoas feito com estruturas 100% desmontáveis e reutilizáveis. 

Foi assim que os catares levantaram o Ras Abu Aboud, construído com contêineres e estruturas tubulares. O estádio foi apelidado de Estádio 974, número que faz menção à quantidade de contêineres usados em sua construção. O 974 será, inclusive, palco de um jogo da seleção brasileira, diante da Suíça, no dia 28 de novembro. Após o Mundial, toda a sua estrutura será doada para a construção de diversas praças esportivas no Catar e em países subdesenvolvidos. 

"Nós estivemos no Catar no ano passado visitando o Ras Abu Aboud com nosso parceiro local, a Alutec, empresa responsável pela execução deste estádio. É realmente um projeto brilhante, que ao mesmo tempo mistura materiais simples como contêineres, com um projeto arquitetônico arrojado", afirmou Tatiana Fasolari, diretora executiva da Fast Engenharia, empresa brasileira especializada em montagem de estrutura provisórias.

Com vasta experiência em montagem de eventos esportivos, Tatiana acredita que o Catar 'lançará moda' e que as estruturas desmontáveis serão uma tendência devido aos benefícios que elas trazem. "A infraestrutura temporária em grandes eventos é a grande tendência deste século. É extremamente sustentável, uma vez que praticamente todo material é reutilizável, significa uma redução drástica de custos na construção e principalmente na manutenção pós evento, além de garantir um cronograma de montagem muito mais curto", avaliou.

Apesar das facilidades apresentadas, a diretoria alerta que como qualquer outra construção, a montagem de uma estrutura temporária deve ser encarada com a mesma seriedade e rigor profissional das demais estruturas. "A gestão e experiência da empresa responsável e da equipe designada a montar uma estrutura é fundamental. Tudo deve ser feito com extremo profissionalismo e segurança. Além disso, um dos grandes desafios é ter empresas competentes para executar este tipo de projeto nos prazos estipulados pelos comitês, que normalmente são extremamente curtos. Neste tipo de negócio não existe atrasado, nem um segundo sequer. O evento tem dia e hora para começar, não é possível a modificação da data de início, então o profissionalismo tem que ser em nível extremo."

A profissional explica que as estruturas móveis são uma ótima opção para montagem de grandes estruturas para abrigar eventos temporários, como, por exemplo, arenas de disputas esportivas, centros de imprensa e alojamentos. Desde modo, países que se preparam para receber futuros eventos já observam com olhar atento o funcionamento do Ras Abu Aboud, o Estádio 974, no Catar, afim de avaliar e confirmar os benefícios deste tipo de construção.

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