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Estádio do América-SP vai a leilão nesta quinta, por R$ 25 milhões

Dinheiro será usado para quitar dívidas trabalhistas

CHICO SIQUEIRA, Especial para o Estado

24 de junho de 2015 | 15h33

Em uma última tentativa de salvar o estádio Benedito Teixeira, o Teixeirão, torcedores do América de São José do Rio Preto conseguiram com que o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico (Comdephact) acatasse um pedido para estudar o tombamento do imóvel. Com isso, os torcedores esperam afastar possíveis compradores do estádio, que vai a leilão nesta quinta-feira, 25, para pagamento de dívidas trabalhistas. Único bem do América, se for arrematado, o estádio de futebol pode ser derrubado para dar lugar a outra edificação.

O leilão, que está marcado para as 13 horas, no Fórum Trabalhista, tem lance inicial de R$ 24,6 milhões -60% dos R$ 41 milhões em que o estádio foi avaliado pela Justiça do Trabalho. Dirigentes do América estimam que o valor de mercado do imóvel seja de R$ 125 milhões. O Teixeirão foi penhorado há dois anos como garantia de pagamento de dívidas trabalhistas de R$ 6 milhões.

São 130 ações de cobrança de ex-funcionários que prestaram serviço ao clube e não receberam a totalidade de seus salários. Eles ficaram revoltados com a decisão tomada pelo Comdephact, de aceitar o pedido de avaliação de tombamento do prédio, feito pelo presidente da Câmara Municipal, Fábio Marcondes (PR).

 

"Ao invés de aprovar um projeto para tombamento do estádio, eles deveriam estudar um projeto para tentar pagar as dívidas do América", afirmou Mário Alvarenga, supervisor do América por sete anos. "Neste momento vejo muitas pessoas preocupadas com o patrimônio do América, enquanto deveriam se preocupar com esses funcionários que deixaram de receber no momento oportuno quando eram funcionários da empresa", disse o advogado Luís Carlos dos Santos.

Marcondes disse que a tentativa de tombar o estádio atende a "um clamor da população". Segundo ele, "o estádio faz parte da história de amor dos rio-pretenses pelo futebol" e como representante do Legislativo "temos a obrigação de defender o patrimônio histórico de Rio Preto". O presidente do América, José Carlos Pereira Neto, o Zé Branco, não foi localizado para falar sobre o assunto. Segundo sua mulher, ele estava em viagem.

A presidente do Comdephact, Denise Farina, concordou que a decisão do órgão pode "melar" o leilão, porque o vencedor não poderá mexer na estrutura do prédio enquanto ele for objeto de inventário, o que pode demorar três meses. "E mesmo se ele for tombado qualquer reforma somente poderá ser feita após aprovação do Conselho", afirmou. Segundo ela, o inventário vai levantar as características do imóvel e informar se ele pode ser ou não tombado. "Esse estudo deve demorar cerca de três meses. Enquanto ele estiver sendo realizado, o estádio fica congelado para qualquer modificação", afirmou.

Com 32.936 lugares, o estádio, que foi inaugurado em 10 de fevereiro de 1996, já sediou grandes partidas, como a entre Santos e Vasco, que consagrou o time da Vila Belmiro campeão brasileiro de 2003; e como a de 1996, entre Corinthians e Palmeiras, na qual Marcelinho Carioca ficou só de cuecas ao ter o calção arrancado pelos torcedores enquanto comemorava no alambrado o gol de empate contra a equipe dirigida por Wanderlei Luxemburgo e que tinha Rivaldo, considerado o melhor jogador do País, como sua estrela principal.

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