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Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

Estádio usado pela seleção em Berlim foi construído por torcedores

Casa do Union Berlim, da 2ª divisão alemã, An der Alten Forsterei tem 50% das ações nas mãos dos fãs

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2018 | 16h06

Usado com base da seleção brasileira em Berlim, o estádio An der Alten Forsterei tem uma histórica única: foram seus próprios torcedores do Union Berlin que, literalmente, arregaçaram as mangas e promoveram a renovação do local, em um momento que estava deteriorado e prestes a ser embargado pelas autoridades.

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O clube é um dos mais tradicionais da capital alemã e, nos últimos anos, passou a ser o "queridinho" de grupos alternativos e que contestam a comercialização excessiva do futebol.

Mas é em sua história que os torcedores ganham um perfil especial. Criado no começo do século XX por trabalhadores siderúrgicos, o time acabou se vendo do lado "leste", quando a cidade foi dividida em plena Guerra Fria. Nos anos 60, eles chegaram a ganhar um título do campeonato da primeira divisão da Alemanha Oriental.

Mas a concorrência e o favoritismo do regime em relação ao Dínamo de Dresden abafaram a capacidade do Union Berlin de acumular novas conquistas. De uma certa forma, o clube passou a ser uma caixa de ressonância da resistência contra o governo comunista e seus torcedores, unidos, uma força única na cidade.

Com a queda do muro de Berlim, o clube uma vez mais passaria por fortes mudanças. O capitalismo e a abertura causaram sérios problemas para as finanças do time e, em 2004, à beira da falência, tiveram de ser resgatados pela DFB, a Federação Alemã de Futebol.

Mas, uma vez mais, foi a reação do público fiel ao time que fez a diferença. Uma campanha foi lançada, com os torcedores pedindo que dinheiro e sangue fossem doados, em nome do clube. A iniciativa "Bluten fur Union" (Sangue pelo Union) marcou a história recente do futebol alemão.

Mas nada superaria a iniciativa dos torcedores que, sob o risco de perderem seu estádio por conta de condições consideradas como inadequadas, decidiram arregaçar as mangas e atuar na renovação das arquibancadas.

Nos meses do verão de 2008, mais de 2,5 mil torcedores se uniram, deixaram seus uniformes e assumiram o papel de operários. A ação permitiu que a obra economizasse 15 milhões de euros (cerca de R$ 61 milhões).

Hoje, na segunda divisão, o clube sonha com a Bundesliga, a primeira divisão do futebol alemão. Mas sempre com o compromisso de que seus torcedores terão prioridade em qualquer decisão que o clube tomar sobre seu futuro.

Hoje, 50% das ações do clube estão nas mãos dos torcedores e, diante do estádio, uma estátua de um capacete homenageia aqueles que, juntos, evitaram que o time perdesse sua casa.

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