Estádios brasileiros terão novos 'tapetes' no padrão Fifa para a Copa do Mundo

Gramados das arenas não usadas na Copa das Confederações têm tratamento especial

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2013 | 06h28

SÃO PAULO - Alguns estádios que receberam a Copa das Confederações foram criticados por causa do estado ruim do gramado no torneio. Para não passar por isso, os estádios que não receberam os jogos – Arena Amazônia, Arena da Baixada, Arena Corinthians, Arena das Dunas, Arena Pantanal e Beira-Rio –, mas estarão na Copa de 2014, aceleraram o processo e a maioria, inclusive, já plantou seu gramado. Tudo para deixar o campo no “padrão Fifa”.

No torneio que serviu de teste para o Mundial, a equipe de reportagem do Estado avaliou negativamente o gramado do Maracanã, Mané Garrincha e Arena Pernambuco. Isso serviu de lição para os estádios que ainda não foram inaugurados. “Nós aprendemos muito com as experiências destes primeiros campos implantados”, diz Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Administrativo do Atlético-PR.

Uma comitiva do clube visitou alguns estádios e fez observações que ajudaram na idealização do gramado da Arena da Baixada. “As experiências foram várias, com algumas arenas seguindo as especificações da Fifa e outras de forma parcial. Para nós foi muito produtivo contar com estas observações, porque em um país de clima tropical é a primeira vez que estão sendo implantadas formas de drenagem a vácuo, costuras e aplicação de grama sintética misturada com grama natural como também aplicação de lâmpadas para a parte sombreada pelas coberturas dos estádios”, explica Petraglia.

Dos seis estádios que ainda estão em obras, a Arena da Baixada é a única que optou por fazer o plantio em “rolos”. O gramado está plantado no Rio Grande do Sul e será colocado no estádio em dezembro. Já o Beira-Rio, do Internacional, foi o primeiro a semear o campo, que já está crescido e poderia até receber partidas. “O plantio por mudas confere um melhor nivelamento final no campo”, conta a agrônoma Maristela Kuhn, que prestou assessoria para o clube gaúcho. Na Arena das Dunas, por sua vez, a expectativa é que em novembro o campo fique pronto.

Na Arena Pantanal e na Arena Amazônia, os campos estão sendo preparados para receber a grama no próximo mês. Segundo Miguel Capobiango Neto, coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa do Governo do Amazonas, a montagem da estrutura metálica da cobertura poderia ser feita com os guindastes por dentro da arena, mas a opção foi por fazer pelo lado de fora para ter o campo livre para plantar o gramado. “É uma operação um pouco mais trabalhosa, mas que nos favorece no que diz respeito ao gramado”, afirma.

INVESTIMENTO

A questão do gramado virou um assunto importante dentro da Fifa. Tanto que existe a expectativa de que um evento será realizado em 31 de outubro sobre o tema, no Pacaembu, para tratar dessa questão e evitar que existam problemas na Copa. Roberto Gomide, presidente da World Sports, empresa especializada em gramados, explica que o custo de implantação é baixo em relação à sua importância. “É menos de 1% do valor da obra, mas 90% de repercussão”, comenta. Estima-se que um gramado de ponta custe por volta de R$ 6,5 milhões.

Na Arena Corinthians, a opção foi por fazer o melhor campo do mundo. “Ele tem tudo e mais um pouco dos melhores estádios. Toda a tecnologia existente vai estar disponível, para manter no melhor estado possível. Terá refrigeração nas raízes, sensores para grama, solo e de luminosidade, sistema que oxigena o gramado e drenagem a vácuo”, lembra Gomide. O Corinthians preferiu usar grama de inverno, que suporta bem o frio paulistano, mas precisa de refrigeração nos períodos de calor. Como características principais, ela tem um crescimento mais vertical e fica visualmente mais bonita, por causa da cor.

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