Daniel Teixeira|Estadão
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Estádios paulistas preparam 'revolução higiênica' para voltar a receber partidas

Divisão por zonas, limite de 200 pessoas presentes e limpeza constante mudam a rotina dos locais de jogo; Estadual retorna na quarta-feira

Ciro Campos, Raul Vitor, Especial para o Estado , O Estado de S.Paulo

Atualizado

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Saem bilheterias, lanchonetes e torcedores. Entram barreiras sanitárias, álcool em gel e mutirões de higienização. O Campeonato Paulista vai recomeçar na próxima quarta-feira com uma série de substituições incomuns nos estádios. Para garantir a segurança dos jogadores e assegurar a conclusão do torneio, os locais de partida terão menos de 200 pessoas em cada jogo, todos profissionais, e cuidados desde a chegada dos atletas até com a roupa utilizada em campo.

O primeiro jogo a mostrar essa nova fase do Estadual paralisado há quatro meses será no Canindé, o estádio da Portuguesa. Sem poder mandar a partida em Itu por causa da grande quantidade de casos na região, o Ituano encara a Ferroviária às 16h30 para inaugurar o protocolo médico de cuidados da Federação Paulista de Futebol (FPF). "A preparação nossa será um pouco diferente do normal. Nós estaríamos voltados ao público, ao acesso dos torcedores e policiamento. Agora o foco é na saúde, por causa do protocolo", disse ao Estadão o gestor do Ituano, Paulo Silvestri.

O maior cuidado das 22 páginas do protocolo médico da FPF foi explicar a divisão dos estádios em três diferentes zonas. A primeira delas compreende o campo e o vestiário, local permitido somente para jogadores, técnicos e árbitros. A segunda compreende a arquibancada e tribuna, que serão ocupadas por cinegrafistas, dirigentes e funcionários. Já a terceira região é área externa das arenas, onde podem circular seguranças e motoristas. A separação de uma zona e outra será rígida e controlada por utilização de credencial.

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A preparação nossa será um pouco diferente do normal. Nós estaríamos voltados ao público, ao acesso e policiamento. Agora o foco é na saúde, por causa do protocolo
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Paulo Silvestri, Gestor do Ituano

"Fora dos gramados, a orientação é a utilização de máscara o tempo todo. No banco de reservas os jogadores também precisam cumprir distanciamento e não podem compartilhar bebidas (aquelas garrafinhas)", disse o diretor médico da FPF, Moisés Cohen, um dos responsáveis pelo protocolo. "A parte externa do estádio também faz parte deste protocolo médico. Nós nos preocupamos com a aglomeração de torcedores ao redor dos estádios. Por isso, a Polícia Militar fará o policiamento do perímetro", acrescentou.

Logo de cara haverá um clássico entre Corinthians e Palmeiras, que em outras épocas teria casa cheia do time mandante. Numa época mais longe ainda, haveria torcedores dos dois lados. Nesta quarta-feira, o jogo terá portões fechados e os torcedores serão orientados a não aparacer nas imediações da Arena Corinthians em Itaquera.

A FPF não quer que o número de pessoas envolvidas no jogo ultrapasse 200 pessoas. O número já leva em consideração jogadores e comissões técnica. Todas as delegações dos times serão testadas anteriormente e monitoradas de forma contínua. O protocolo determina que os ônibus das equipes vão chegar e deixar o estádio em horários separados, para evitar o risco de contágio. No vestiário, o cuidado será ainda maior.

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Pode parecer um exagero, mas estamos sendo muito zelosos. Ainda assim, há o risco de contaminação. Estamos tomando cuidado para que isso não aconteça ao longo da competição
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Moisés Cohen, Diretor médico da FPF

Além de evitar aglomerações no espaço, os jogadores terão de trocar o uniforme inteiro já no intervalo e colocar as peças usadas em um cesto de roupas sujas. "Pode parecer um exagero, mas estamos sendo muito zelosos. Ainda assim, há o risco de contaminação. Estamos tomando cuidados para que isso não aconteça ao longo da competição", disse Cohen. Quando os times forem embora, uma empresa de limpeza irá ao vestiário para desinfetar o local.

"No dia anterior à partida haverá uma higienização completa no estádio, vestiários, tribuna, cabine de imprensa, campo, em tudo. Depois disso o estádio fica fechado à espera do jogo de quarta-feira. Depois ainda acontecerá o mesmo protocolo para o jogo do fim de semana (Santo André x Ituano)", garantiu o presidente da Portuguesa, Antonio Carlos Castanheira. Tudo isso é necessário. Em Santa Catarina, por exemplo, o Estadual foi retomado, mas teve de parar porque o número de casos na cidade e entre os jogadores aumentou. A FPF não quer correr o mesmo risco. 

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No dia anterior à partida haverá uma higienização completa no estádio, vestiários, tribuna, cabine de imprensa, campo, em tudo
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Antonio Carlos Castanheira, Presidente da Portuguesa

Por todos os estádios serão distribuídos em vários locais dispensadores de álcool em gel. Quem terá de usar bastante o produto serão os gandulas. Caberá a eles a missão de desinfetar as bolas que não estão em jogo para devolvê-las limpas aos jogadores. Quem também terá equipamentos extras de segurança são os maqueiros, inclusive luvas.

No clássico de quarta, entre Corinthians e Palmeiras, a Arena Corinthians terá uma nova estrutura. Trata-se de um túnel de cerca de três metros, por onde vão passar jogadores e membros da comissão técnica. Um sensor de presença aciona borrifadores de uma solução higienizante. "Acredito que o uso de tecnologias como essa serão parte essencial na realização de partidas não só no país como em ligas de todo o mundo. Não só para jogadores e comissão técnica, mas para os próprios torcedores ao chegarem e saírem das arenas, que no período pós-pandemia será uma situação que vai gerar muita preocupação de organizadores e do próprio indivíduo", afirma Marcelo Frisoni, diretor da Neobrax, empresa responsável pelo sistema.

O governo estadual só permitiu a realização de jogos em cidades que estejam na fase amarela do plano de retomada das atividades. Por isso, pelas duas próximas rodadas, apenas capital, região metropolitana e Santos vão receber partidas. Além do Canindé, outros estádios que não são de times da elite paulista vão ser acionados neste período: o José Liberatti, em Osasco, e o Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo.

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FPF vai padronizar testes em um mesmo hospital e examinar 40 pessoas de cada clube

Retorno do Estadual deixa dirigentes em alerta e obriga time mandante a concentrar informações sobre exames

Ciro Campos, Raul Vitor, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 05h00

O cuidado com as instalações dos estádios não será o único foco da Federação Paulista de Futebol (FPF) para o retorno do Estadual, a partir da próxima quarta-feira. Aliás, os exames médicos nas equipes, testes para o novo coronavírus e controles de sintomas serão as etapas mais fundamentais para garantir o retorno seguro do futebol.

Segundo o diretor médico da entidade, Moisés Cohen, para assegurar um maior grau de sensibilidade e de padronização, todos os jogadores e membros da comissão técnica serão testados pelo mesmo local, o hospital Albert Einstein. "O teste para covid-19 no Campeonato Paulista é padronizado. Todas as equipes realizaram exames no Einstein. O hospital está bancando cerca de 40 testes por clube. Não há diferenciação de técnica", explicou.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai realizar o mesmo procedimento de padronizar os testes e de centralizá-los todos no Albert Einstein, como antecipou o Estadão na última semana. Isso valerá para o Brasileirão da Série A e também outras categorias, seja as Séries B, C e D, competições femininas, Copa do Nordeste e campeonatos sub-20.

Para aumentar a segurança, a FPF recomenda que os clubes não se contentem apenas em fazer testes, mas sim meçam a temperatura dos atletas e apliquem também questionários para verificar possíveis sintomas. "É claro que o teste é útil, mas não é ele sozinho que baterá o martelo, é o conjunto da obra", comentou o diretor médico.

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É claro que o teste é útil, mas não é ele sozinho que baterá o martelo, é o conjunto da obra
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Moisés Cohen, Diretor médico da FPF

Dos times participantes, quem teve uma quantidade maior de infectados foi o Corinthians, com mais de 20 casos confirmados. O meia colombiano Cantillo inclusive será desfalque na rodada de retorno justamente para cumprir quarentena. O consultor médico do clube, Joaquim Grava, afirmou que o número elevado de contaminações é resultado de uma testagem mais sensível do que a feita por demais equipes.

Na opinião dele, só o teste não garante a liberação de um jogador para atuar. "O fato de você testar em um sábado não significa que domingo, segunda ou terça o jogador não possa se infectar", comentou. Nas semanas anteriores, as equipes realizaram testes organizados pelos próprios departamentos médicos e com a utilização de materiais fornecidos por diferentes empresas.

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O fato de você testar em um sábado não significa que domingo, segunda ou terça o jogador não possa se infectar
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Joaquim Grava, Consultor médico do Corinthians

Quem for o mandante dos jogos terá o papel de organizar os dados coletados no testes prévios. O primeiro clube a ter essa missão é o Ituano. "A responsabilidade nossa é de conduzir os testes e enviar para a Federação as evidências. Temos de cuidar do confinamento da equipe, receber os dados do time adversário (Ferroviária) e enviar tudo para a Federação. Isso tudo antes de começar o jogo", explicou o gestor do Ituano, Paulo Silvestri.

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