Daniel Teixeira|Estadão
Daniel Teixeira|Estadão

Estádios 'sem dono' eram comuns até a temporada 2008 no futebol paulista

Por causa do coronavírus, times do interior não podem mandar os jogos em seus estádios

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2020 | 10h00

Os torcedores mais veteranos não se incomodaram ao ver a tabela das duas últimas rodadas da fase de classificação do Campeonato Paulista, que será retomado a partir desta quarta-feira após a pandemia do coronavírus, com o Ituano mandando seu jogo contra a Ferroviária no Canindé, a Inter de Limeira usando a Arena Corinthians ou a Ferroviária sendo mandante no Morumbi.

Desde a construção do Morumbi, em 1960, era normal Corinthians, Palmeiras e Santos levarem seus jogos mais importantes do Pacaembu para o Morumbi em busca de maior público e mais dinheiro. Com isso, os grandes clássicos e finais de campeonatos era disputados no estádio de propriedade do São Paulo. O time tricolor faturava com o aluguel e os times, com a bilheteria.

O time de Parque São Jorge por ter a antiquada "Fazendinha" sempre se apresentou na "casa" dos adversários. E guarda boas recordações. Em 1977, por exemplo, a final histórica do Paulistão, na qual o Corinthians encerrou um jejum de 22 anos sem títulos, registrou o maior público do Morumbi com mais de 150 mil torcedores.

O Palestra Itália, espaço que atualmente o Palmeiras ostenta o Allianz Parque, também recebeu inúmeros jogos de seus rivais. Um dos maiores públicos do antigo estádio foi registrado em 1976, entre São Paulo e Corinthians, com vitória do alvinegro por 3 a 2, diante de 31.503 torcedores.

No Canindé, estádio da Portuguesa, os corintianos festejaram o massacre por 10 a 1 sobre o Tiradentes, do Piauí, pelo Campeonato Brasileiro de 1983, em uma das maiores atuações da equipe marcada pelo período da Democracia Corintiana. 

Este clima amistoso entre os clubes até 2008, quando desentendimentos entre os presidentes Andrés Sanchéz e Juvenal Juvêncio retiraram os jogos do alvinegro do Morumbi. Depois viram as arenas e cada um passou a receber seus jogos em seus campos. Uma marca da modernidade, que tirou um pouco do charme do futebol.

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